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Kurosawa Akira


Akira Kurosawa (黒澤 明 Kurosawa Akira, ou 黒沢 明 em shinjitai, nasceu a 23 de Março de 1910 na capital japonesa e morreu a 6 de Setembro de 1998 na mesma cidade. Foi um proeminente realizador, produtor e argumentista de filmes japonês.

Poucos cineastas tiveram uma carreira tão longa ou tão aclamada como Akira Kurosawa, talvez o mais conhecido cineasta do Japão. Os seus filmes influenciaram vastamente uma geração inteira de cineastas no mundo inteiro, desde George Lucas a Sergio Leone. O primeiro filme que lhe é creditado, "A Saga do Judo", foi lançado em 1943; o último, "Ainda Não!", em 1993.


INÍCIO DE CARREIRA
Akira Kurosawa nasceu em Omori, Ota-Ku, Tóquio, a 23 de Março de 1910. O mais novo de sete filhos de um administrador militar, Kurosawa tentou sem sucesso ser pintor, até que em 1936 viu um anúncio de jornal para assistente do realizador Kajiro Yamamoto?. Depois da sua estreia como realizador com "A Saga do Judo" em 1943, os seus filmes seguintes foram feitos sob a vigia do governo japonês durante a Segunda Guerra Mundial, contendo por vezes temáticas nacionalistas. Por exemplo, "A Mais Bela" é um filme de propaganda sobre mulheres japonesas a trabalhar numa fábrica militar. "A Saga do Judo II" é considerado explicitamente anti-americano por representar o judo japonês como superior ao boxe ocidental (americano).

O seu primeiro filme pós-guerra "Não Lamento a Minha Juventude", por contraste, é crítico do velho regime japonês, apresentando a história da mulher de um dissidente de esquerda preso pelas suas convicções políticas. Kurosawa fez muitos mais filmes lidando com o Japão contemporâneo, sendo os mais notáveis "O Anjo Embriagado" e "Cão Danado". No entanto, foi um filme histórico, "Às Portas do Inferno", que o tornou internacionalmente famoso e lhe garantiu um Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza.

ESTILO DE REALIZAÇÃO
Kurosawa tinha uma técnica cinemática característica, que desenvolveu nos anos 50, e que dava aos seus filmes uma estética única. Tinha preferência por lentes telefotográficas porque aplanavam a filmagem e também porque acreditava que colocar as câmaras afastadas dos seus actores produzia melhores actuações. Também gostava de usar câmaras múltiplas, que lhe permitiam filmar uma acção de diferentes ângulos. Outra imagem de marca de Kurosawa era o uso do clima para enfatizar sensações: por exemplo a chuva na sequência de abertura de "Às Portas do Inferno" e na batalha final de "Os Sete Samurais" e o nevoeiro em "O Trono de Sangue".

Era conhecido como "Tenno" (literalmente "Imperador"), pelo seu estilo de realização dictatorial. Era um perfeccionista que dispendia enormes quantidades de tempo e esforço para conseguir os efeitos visuais que desejava. Em "Às Portas do Inferno" tingiu a àgua da chuva com tinta de caneta para conseguir o efeito de chuva pesada, e acabou por esgotar o fornecimento de àgua local da àrea para criar a tempestade. Em "O Trono de Sangue", na cena final em que Mifune é morto por setas, Kurosawa usou setas reais disparadas de perto por arqueiros experientes, que aterraram a centímetros do corpo de Mifune. Em "Os Senhores da Guerra", o cenário de um castelo foi construído integralmente na encosta do monte Fuji? para posteriormente ser totalmente incendiado.

Outras histórias incluem o pedido de fazer com que uma corrente de água fosse invertida para conseguir um efeito visual melhor e a remoção do telhado de uma casa, para mais tarde ser substituído, porque sentia que a presença do telhado era pouco atractiva numa sequência filmada de um comboio.

O seu perfeccionismo também se via na sua abordagem ao guarda-roupa: Kurosawa achava que dar ao actor um fato novo fazia com que a personagem parecesse menos autêntica. Para resolver isto, muitas vezes dava ao seu elenco os fatos semanas antes das filmagens começarem e requeria que os usassem diariamente e se "ligassem a eles". Em alguns casos, tais como "Os Sete Samurais", em que a maioria do elenco representava aldeões pobres, disse aos actores para se certificarem de desgastarem e esfarraparem os fatos.

Kurosawa não achava que música "acabada" ficasse bem num filme. Quando escolhia uma peça musical para acompanhar as suas cenas, geralmente reduzia-a a um elemento (por exemplo, apenas os trombetas). Apenas no final da sua carreira se ouvem peças musicais mais acabadas.

INFLUÊNCIAS
Um característica notável nos filmes de Kurosawa é a quantidade de influências artísticas. Algumas dos seus argumentos são adaptações de peças de William Shakespeare: "Os Senhores da Guerra" é baseado em "Rei Lear" e "O Trono de Sangue" é baseado em "Macbeth" enquanto que "O Mau Dorme Bem" tem paralelos com "Hamlet" mas é afirmado não ser baseado no mesmo. Kurosawa também realizou adaptações cinematográficas de obras literárias russas, incluíndo "O Idiota" por Fiodor Dostoievski e "Nas Profundezas", uma peça por Máximo Gorki. "Viver" é baseado em "A Morte de Ivan Ilyich" de Liev Tolstoi. "Céu e Inferno" é baseado em "Resgate do Rei" pelo escritor americano Ed McBain, enquanto que "Yojimbo - O Guarda-Costas" é baseado em "Seara Vermelha" de Dashiell Hammett e também influenciado por westerns americanos. "Cão Danado" é inspirados pelos romances policiais de Georges Simenon. O realizador americano John Ford também teve uma grande influência no seu trabalho.

Apesar do criticismo de alguns críticos japoneses que Kurosawa era "demasiado ocidental", este era profundamente influenciado pela cultura japonesa, incluíndo o teatro Kabuki? e Noh e o cinema Jidaigeki? (drama histórico) japonês. Por exemplo, "O Trono de Sangue" é um drama Noh em filme.

A SUA INFLUÊNCIA
Os filmes de Kurosawa tiveram uma enorme influência no cinema mundial. "Os Sete Samurais" foi refeito como o western "Os Sete Magníficos", como o filme de ficção científica "Mercenários das Galáxias" e a animação da Pixar "Uma Vida de Insecto". Também inspirou dois filmes indianos: "Sholay" de Ramesh Sippy e "China Gate" de Rajkumar Santhoshi, ambos com argumentos semelhantes. A história também inspirou romances, entre os quais a quinta parte de "A Torre Negra" de Stephen King, "Lobos de Calla".

Os filmes tamil intitulados "Antha Naal" (1954) e "Virumandi" (2003) protagonizados por Shivaji Ganesan e Kamal Hassan respectivamente também usam um método argumentativo semelhante ao de "Às Portas do Inferno". "Às Portas do Inferno" também foi refeito por Martin Ritt em 1964 como "Quatro Confissões".

"Yojimbo - O Guarda-Costas" foi a base para o western de Sergio Leon "Um Punhado de Dólares" e o filme protagonizado por Bruce Willis "O Último Matador".

"A Fortaleza Escondida" influenciou a série "Guerra das Estrelas" de George Lucas, em particular os episódios I e IV, nas personagens R2-D2 e C3PO.

O título original de "Às Portas do Inferno", "Rashomon" não só abriu o cinema japonês ao mundo como também entrou em várias línguas como um termo designativo de testemunhos inconsistentes e fracturados.

COLABORAÇÕES
Durante o seu período mais productivo, do final dos anos 40 até metade dos anos 60, Kurosawa frequentemnte trabalhava com o mesmo grupo de colaboradores. Fumio Hayasaka compôs a música de sete dos seus filmes - de destaque "Às Portas do Inferno", "Viver" e "Os Sete Samurais". Muitos dos argumentos de Kurosawa, incluíndo "O Trono de Sangue", "Os Sete Samurais" e "Os Senhores da Guerra" foram co-escritos com Hideo Oguni?. Yoshiro Muraki? produziu ou dirigiu a arte na maioria dos seus filmes a partir de "Cão Danado" em 1949, e Asazaku Naki? foi o seu cinematógrafo em 11 filmes incluíndo "Viver", "Os Sete Samurais" e "Os Senhores da Guerra". Kurosawa também gostava de trabalhar com o mesmo grupo de actores, especialmente Takashi Shimura, Tatsuya Nakadai e Toshiro Mifune.? As suas colaborações com o último, que começaram com em 1948 com "O Anjo Embriagado" e terminaram em 1965 com "O Barba Ruiva", é uma das mais famosas combinações realizador-actor da história do cinema.

FIM DE CARREIRA
"O Barba Ruiva" marcou um ponto de viragem na carreira de Kurosawa em mais do que uma maneira. Além de ser o seu último filme com Mifune, foi o último a preto e branco. Também foi o seu último como grande realizador dentro do sistema de estúdios japonês, criando cerca de um filme por ano. Kurosawa foi contractado para realizar um projecto de Hollywood "Tora! Tora! Tora!", mas a 20th Century Fox substituiu-o por Kinji Fukasaku antes de estar completo. Os seus escassos filmes seguintes foram muito mais difíceis de financiar e foram feitos em intervalos de 5 anos. O primeiro "Dodeskaden - O Caminho da Vida", acerca de um grupo de pessoas pobres a viverem numa lixeira, não foi um sucesso. Em 1971, na sequência de uma depressão, tentou sem sucesso suicidar-se cortando os pulsos. Depois disto, Kurosawa fez mais filmes, apesar da dificuldade de conseguir um financiamento doméstico ser enorme, não obstante a sua reputação internacional. "A Águia das Estepes", filmado na URSS, desenrola-se na Sibéria do início do século XX e foi o único filme que Kurosawa fez fora do Japão e sem ser em Japonês. Trata da amizade de um explorador russo e de um caçador nómada. Ganhou o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. "A Sombra do Guerreiro" financiado com a ajuda dos maiores admiradores do realizador, George Lucas e Francis Ford Coppola, é a história de um homem que é o sósia de um nobre japonês medieval e que toma a sua identidade depois de este morrer.

"Os Senhores da Guerra" foi a versão do realizador da peça de Shakespeare "Rei Lear", mas passada no Japão Medieval. Foi de longe o maior projecto do fim de carreira de Kurosawa e este passou uma década a planeá-lo e a tentar obter financiamento, o que finalmente conseguiu com a ajuda do produtor francês Serge Silberman. O filme foi sucesso fenomenal internacional e é geralmente considerado a última obra-prima de Kurosawa.

Kurosawa fez mais três filmes durante os anos 90 que eram mais pessoais que os seus primeiros trabalhos. "Sonhos" é uma série de vinhetas baseadas nos seus próprios sonhos. "Rapsódia em Agosto" trata das memórias da bomba atómica de Nagasaki? e o seu último filme "Ainda Não!", é acerca de um professor reformado e os seus antigos alunos. Kurosawa morreu em Setagaya, Tóquio, com 88 anos.

Postumamente, em 1999, o seu discípulo e colaborador mais próximo, Takashi Koizumi, terminou o inacabado "Depois da Chuva" (Ame Agaru). O filme foi co-produzido por Hisao Kurosawa e protagonizado por Tatsuda Nakadai? e Shiro Mifune? (filho de Toshiro Mifune). O argumento e textos foram escrito por Akira Kurosawa e a história é baseada num romance de Shugoro Yamamoto?, "Ogosokawa Nawaki".

CURIOSIDADES
-Kurosawa era conhecido por ser um grande apreciador de comida e gastava imenso do orçamento em providenciar uma quantidade e qualidade exagerada de comida, especialmente carne, às pessoas que trabalhavam no filme.
-Em certa ocasião, Kurosawa conheceu John Ford, um realizador considerado como uma grande influência no seu trabalho, e sem saber o que dizer, Ford simplesmente disse "Você gosta de chuva" ao que Kurosawa respondeu "Você tem prestado muito atenção aos meus filmes".
-Kurosawa considerava "Os Senhores da Guerra" o melhor filme que alguma vez tinha feito.


PRÉMIOS E NOMEAÇÕES
-Leão de Ouro, por "Às Portas do Inferno" (1951)
-Oscar honorário, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "Às Portas do Inferno" (1952)
-Leão de Prata, por "Os Sete Samurais" (1955)
-Urso de Prata, por "A Fortaleza Escondida" (1958)
-FIPRESCI, por "A Fortaleza Escondida" (1958)
-OCIC, por "O Barba Ruiva" (1965)
-Oscar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "A Águia das Estepes" (1976)
-BAFTA, na categoria de Melhor Realizador, por "A Sombra do Guerreiro" (1980)
-BAFTA, na categoria de Melhor Filme, por "A Sombra do Guerreiro" (1980)
-Palma de Ouro, por "A Sombra do Guerreiro" (1980)
-Cesar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "A Sombra do Guerreiro" (1980)
-Leão de Ouro, em homenagem à sua carreira (1982)
-Legion d'Honneur (1984)
-Nomeação para Oscar, na categoria de Melhor Realizador, por "Os Senhores da Guerra" (1985)
-BAFTA, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "Os Senhores da Guerra" (1985)
-Nomeação para BAFTA na categoria de Melhor Adaptação, por "Os Senhores da Guerra" (1985)
-Nomeação para Cesar, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, por "Os Senhores da Guerra" (1985)
-Bodil, na categoria de Melhor Filme Europeu, por "Os Senhores da Guerra" (1985)
-Oscar honorário, em homenagem à sua carreira (1990)


FILMOGRAFIA
1943 - A Saga do Judo (Sugata Sanshiro)
1944 - A Mais Bela (Ichiban Utsusukushiku)
1945 - Os Homens que Caminham Sobre a Cauda do Tigre (Tora no O wo Fumu Otokachi)
1945 - A Saga do Judo II (Zoku Sugata Sanshiro)
1946 - Os Criadores do Amanhã (Asu wo Tsukuru Hitobito)
1946 - Não Lamento a Minha Juventude (Waga Seishun ni Kuinashi)
1947 - Um Domingo Maravilhoso (Subarashiki Nichiyobi)
1948 - O Anjo Embriagado (Yoidore Tenshi)
1949 - O Duelo Silencioso (Shizukanaru Ketto)
1949 - Cão Danado (Nora Inu)
1950 - Escândalo (Shuubun)
1950 - Às Portas do Inferno (Rashomon)
1951 - O Idiota (Hakuchi)
1952 - Viver (Ikiru)
1954 - Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai)
1955 - Vivo no Medo (Ikimono no Kiroku)
1957 - O Trono de Sangue (Kumo no Su Jou)
1957 - Nas Profundezas (Donzoko)
1958 - A Fortaleza Escondida (Kakushi Toride no San Akunin)
1960 - O Mau Dorme Bem (Warui Yatsu Hodoyoku Nemuru)
1961 - Yojimbo - O Guarda-Costas (Yojimbo)
1962 - Sanjuro (Tsubaki Sanjuurou)
1963 - Céu e Inferno (Tengoku to Jigoku)
1965 - O Barba Ruiva (Akahige)
1970 - Dodeskaden - O Caminho da Vida (Dodesukaden)
1975 - A Águia das Estepes (Dersu Uzala)
1980 - A Sombra do Guerreiro (Kagemusha)
1985 - Os Senhores da Guerra (Ran)
1990 - Sonhos (Yume)
1991 - Rapsódia em Agosto (Hachigatsu no Rhapsody)
1993 - Ainda Não! (Mada Da Yo)


VER TAMBÉM
Cinema japonês


LINKS EXTERNOS
Akira Kurosawa no IMDB

Kurosawa Akira
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