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Manga

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Mangá (no Brasil e raramente em Portugal, manga) é a palavra usada para designar a banda desenhada feita no Japão e o seu estilo próprio de desenho. No Japão designa quaisquer histórias em formato de banda desenhada. Vários mangás dão origem a desenhos animados para exibição na televisão ou em vídeo, como Berserk, Rurouni Kenshin ou Dragon Ball, tornando-se conhecidos como anime, mas também há animes que se tornam mangás, como é o caso de Cowboy Bebop.


HISTÓRIA
Os mangá têm suas raízes no Período Nara com a aparição dos primeiros rolos de pintura japoneses: os emakimono. Eles associavam pinturas e textos que juntos contavam uma história à medida que eram desenrolados. O primeiro desses emakimono, o Ingá Kyô, é a cópia de uma obra chinesa e separa nitidamente o texto da pintura.

A partir da metade do século XII, surgem os primeiros emakimono com estilo japonês, do qual o Genji monogatari emaki é o representante mais antigo conservado, sendo o mais famoso o Chojugiga, atribuído ao bonzo Kakuyu Toba (1035-1140). O Chojugiga está guardado no templo de Kozangi em Quioto?. Nesses últimos surgem, diversas vezes, textos explicativos após longas cenas de pintura. Essa prevalência da imagem, assegurando sozinha a narração, é hoje uma das características mais importantes dos mangás.

No Período Edo?, em que os rolos são substituídos por livros, as estampas eram inicialmente destinadas à ilustração de romances e poesias, mas rapidamente surgem livros para ver em oposição aos livros para ler, antes do nascimento da estampa independente com uma única ilustração: o ukiyo-e? no século XVI. É, aliás, Katsushika Hokusai? (1760-1849) o precursor da estampa de paisagens, que, nomeando suas célebres caricaturas publicadas de 1814 a 1834 em Nagoya, cria a palavra mangá — significando "desenhos irresponsáveis" — que pode ser escrita, em japonês, das seguintes formas:

Kanji - 漫画
Hiragana - まんが
Romaji - Manga

Das estampas aos quadrinhos
Os mangás não tinham, no entanto, sua forma actual — de histórias em quadrinhos —, que surge no início do século XX sob influência de revistas comerciais ocidentais, principalmente dos Estados Unidos. Tanto que chegaram a ser conhecidos como Ponchi-e? (abreviação de Punch-picture) e como a revista britânica, origem do nome, Punch magazine (Revista Punch), os jornais traziam humor e sátiras sociais e políticas em curtas tiras de um ou quatro quadros. Diversas séries comparáveis as de além mar surgem nos jornais japoneses: Norakuro Joutouhei (Primeiro Soldado Norakuro) uma série antimilitarista de Tagawa Suiho, e Boken Dankichi (As aventuras de Dankichi) de Shimada Keizo são as mais populares até a metade dos anos quarenta quando toda a imprensa foi submetida à censura do governo, assim como todas as atividades culturais e artísticas. Entretanto, o governo japonês não hesitou em utilizar os quadrinhos para fins de propaganda.

O pós-guerra
Sob ocupação americana após a Segunda Guerra Mundial, os mangakas?, desenhistas de mangás, sofrem grande influência das histórias em quadrinhos ocidentais da época, traduzidas e difundidas em grande quantidade na imprensa japonesa quotidiana. É então que um artista influenciado por Walt Disney revoluciona esta forma de expressão e dá vida ao mangá moderno: Osamu Tezuka?. Ele adoptou as características faciais do desenho de Disney onde olhos, boca, sobrancelhas e nariz são desenhados de maneira bastante exagerada para aumentar a expressividade dos personagens, o que tornou sua prolífica produção possível. É ele quem introduz movimento nas histórias em quadrinho japonesas através de efeitos gráficos, como linhas que dão a impressão de velocidade ou onomatopéias que se integram com a arte, destacando todas as ações que comportassem movimento, mas também, e acima de tudo, pela alternância de planos e de enquadramentos como os usados no cinema. É do cinema também que ele retira a maneira de contar a história, na qual pequenos capítulos, como filmes, formam um arco maior. Além disso, faz os diálogos fluírem de cima à direita para baixo à esquerda do quadro, para que as pessoas pudessem ler os quadrinhos de forma rápida.

Osamu Tezuka cria a primeira série de animação para a televisão japonesa em 1963 a partir de uma de suas obras: Tetsuwan Atom? (Astro Boy na versão inglesa). Finalmente a passagem do papel para a televisão tornou-se comum e o aspecto comercial do mangá ganhou amplitude. Agora havia o lançamento de brinquedos e de diversos produtos. Mas Tezuka não se contentou com isso. Sua criatividade o levou a explorar diferentes gêneros — na sua maioria, os mangás ainda eram infantis —, assim como a inventar novos, participando dessa maneira no aparecimento de mangás para adultos nos anos sessenta com os quais ele pôde abordar assuntos mais sérios e criar roteiros mais complexos. Comenta-se que qualquer gênero que não tenha sido criado por ele, foi criado por alguém tentando achar algo que Tezuka não estivesse fazendo. Ele também foi mentor de um número importante de mangakas como Fujiko Fujio? (dupla criadora de Doraemon?), Akatsuka Fujio? e Shotaro Ishinomori.

Assim, os mangás cresceram simultaneamente com seus leitores e diversificaram-se segundo o gosto de um público cada vez mais importante, tornando-se aceitos culturalmente. A edição de mangás representa hoje mais de um terço da tiragem e mais de um quarto dos rendimentos do mercado editorial japonês. Os mangás tornaram-se um verdadeiro fenômeno ao alcançar todas as classes sociais e todas as gerações graças ao seu preço baixo e a diversificação de seus temas. De fato, os mangás, como espelho social, abordam todos os temas imagináveis: a vida escolar, a do trabalhador, os esportes, o amor, a guerra, o medo, séries tiradas da literatura japonesa e chinesa, a economia e as finanças, a história do Japão, a culinária e mesmo manuais de "como fazer", revelando assim suas funções pedagógicas.

Estilos
Na mentalidade japonesa, ao contrário da mentalidade ocidental, histórias em quadrinhos são leitura comum de uma faixa etária bem mais abrangente do que a infanto-juvenil; a sociedade japonesa é ávida por leitura e em toda parte vê-se desde adultos até crianças lendo as revistas. Portanto, o público consumidor é muito extenso, com vários mangás com tiragem na casa dos milhões e o desenvolvimento de vários estilos para agradar a todos os gostos.

Por isso, os mangás são comumente classificados de acordo com seu público alvo. Mangás para os rapazes são chamados de shounen? (jovem, adolescente, em japonês) e tratam normalmente de histórias de luta, amizade e aventura. Mangás para as raparigas são chamados de shoujo (rapariga jovem em japonês) e um tema comum são as histórias de amor. Além desses, existe o gekigá, que é uma corrente mais realista de mangás voltada ao público adulto (não é necessariamente pornográfico) e ainda os gêneros seinen?, para homens jovens, e josei, para mulheres. Os traços típicos do mangá (olhos grandes, expressões caricatas) não são encontrados nesse último estilo. Existem também os mangás pornográficos, como o hentai, o yuri? que aborda a relação sexual entre duas mulheres e o yaoi] que trata da relação sexual entre dois homens. Há ainda o estilo [[dijensei? que é o estilo de heroinas que agradam mulheres e homens no geral semelhantes a [Sailor Moon] e Magic Knight Rayearth, entre outros.

Formato
Tal como acontece com a maioria dos livros japoneses, a ordem de leitura de um mangá é a inversa da ocidental. Ou seja, a capa do livro tem a lombada à sua direita (correspondendo tal à contracapa ocidental), sendo a leitura das páginas feita da direita para a esquerda. Alguns mangás publicados fora do Japão, destinados a um público ocidental apresentam, no entanto, a configuração habitual nestes países. Além disso, são feitos em preto-e-branco — contando esporadicamente com algumas páginas coloridas no seu início ou miolo — e em papel reciclado, que torna o produto barato e acessível a qualquer pessoa.

Os mangás são publicados no Japão originalmente em revistas antológicas. Essas revistas com cerca de 800 páginas são publicadas semanalmente, quinzenalmente, mensalmente, bimestralmente ou trimestralmente. Ao invés de trazerem em seu miolo apenas uma história, elas trazem capítulos de várias séries diferentes. Cada capítulo normalmente tem entre 20 e 40 páginas. Assim que atingem um número de páginas em torno de 160~200, é publicado um volume, chamado tankohon ou tankobon, no formato livro de bolso, que, aí sim, só contém histórias daquela mesma série. Esses volumes são os vendidos em diversos países. Dependendo do sucesso alcançado por uma série, ela pode ser reeditada em formato bunkoubon ou bunkouban? (完全版) (mais compacto com maior número de páginas) e wideban? (ワイド版) (melhor papel e formato um pouco maior que o de bolso).

Uma das revistas mais famosas por lá é a Shonen Jump? (Shueisha). Publicou clássicos como Dragon Ball, Saint Seiya (ou Cavaleiros do Zodíaco), Yu Yu Hakusho? e continua publicando sucessos como Naruto, One Piece? e Death Note. Existem também outras revistas como a Champion Red (Akita Shoten?), que publica Saint Seiya Episode G? (Cavaleiros do Zodíaco Episódio G), a Shonen Sunday? (Shogakukan), que publica InuYasha, e a Afternoon? (Kodansha). Entre outras, podem-se citar também a Nakayoshi (Kodansha), revista de shoujo famosa que publicou entre outros Bishoujo Senshi Sailor Moon e Sakura Card Captors?, e a Hana to Yume (Hakusensha) que publica Hana Kimi e Fruits Basket?.

Há também os fanzines e doujinshi? que são revistas feitas por autores independentes sem nenhum vínculo com grandes empresas. Algumas dessas revistas criam histórias inéditas e originais utilizando os personagens de outra ou podem dar continuidade a alguma série famosa. Esse tipo de produto pode ser encontrado normalmente em eventos de cultura japonesa e na internet. A Comiket? (abreviação de comic market), é uma das maiores feiras de banda desenhada do mundo com mais de 400.000 visitantes em três dias que ocorre anualmente no Japão, é dedicada ao doujinshi.


EM PORTUGAL
É por volta do ano de 1996 que aparecem em Portugal os primeiros volumes de mangá em português, Ranma 1-2? e Striker? (Spriggan no original japonês) pela editora Texto Editora, Lda.

Dois anos mais tarde, a Meribérica lança dois títulos de Otomo Katsuhiro?, primeiro o Akira? e pouco tempo depois Mother Saran?. Em 2001, a editora Planeta DeAgostini lança o mega sucesso de Toriyama Akira?, Dragon Ball numa edição de 42 volumes exclusivamente para Portugal.

A Devir? foi outra das editoras nacionais a apostar no mangá, e para isso cria a Devir Mangá, uma editora exclusivamente para os lançamentos vindos do Japão. Em 2004 e 2005, edita os dois primeiros volumes de Dark Angel, de Asamiya Kia. Não tendo editado mais nada até à data. Mais recentemente apareceu a Naraneko, que editou Vampire Princess Miyu e Mai Hime?.

Em Agosto de 2006, a edição portuguesa do journal Courrier Internacional publicou "Travesseiros de laca", um mangá de Hinako Sugiusa, inserido numa secção especial dedicada à banda desenhada no feminino.

No Brasil
O "boom" dos mangás no Brasil aconteceu por volta do ano 2000, com o lançamento dos títulos Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco pela Editora Conrad (antiga Editora Sampa, e maior representante dos mangás no Brasil atualmente, junto da Editora JBC). Porém, esses não foram os primeiros a chegar a território brasileiro. Alguns clássicos foram publicados nos anos 80 e começo dos anos 90 sem tanto destaque, como Lobo Solitário pela Editora Cedibra, Akira pela Editora Globo, Crying Freeman, pela Editora Sampa e A Lenda de Kamui e Mai - Garota Sensitiva pela Editora Abril. Porém, a publicação de vários títulos foi interrompida na metade e o público brasileiro ficou carente de mangás por vários anos.

A popularidade do estilo japonês de desenhar é marcante no Brasil, também pela grande quantidade de japoneses e descendentes residentes no país e existe pelo menos uma revista nacional no estilo mangá que conseguiu relativo sucesso; a revista Holy Avenger. Além de Holy Avenger temos também outras publicações bastante conhecidas pelos fãs de mangá, como Ethora, Combo Rangers e a antiga revista de fanzines Tsunami. Atualmente o mercado brasileiro de histórias em quadrinhos feitas no estilo mangá, tirando algumas exceções, como as citadas acima, se baseia grandemente em fanzines.

Influência em outros países
Os mangás há muito tempo têm deixado sua influência na banda desenhara e nas animações no mundo todo. Até artistas americanos de bd alternativa, como Frank Miller e Scott McCloud, foram de alguma maneira influenciados pelos mangás em algumas de suas obras. Outros artistas como os americanos Brian Wood e Becky Cloonan (autor de Demo (bd) e o canadiano O'Malley (autor de Lost At Sea) são muito influenciados pelo estilo do mangá popular e têm recebido muitos aplausos por parte da comunidade de fãs de fora dos mangás. Estes artistas têm outras influências de fora dos mangás que tornam seus trabalhos mais interessantes para os leigos nesta arte. Além disso, eles têm suas raízes de mangá em subculturas orientais dentro de seus próprios países.

O americano Paul Pope trabalhou no Japão na editora Kodansha na revista antológica (assim como explicado acima) Afternoon?. Antes disso ele tinha um projecto de uma antologia que seria mais tarde publicada nos Estados Unidos — a Heavy Liquid. O resultado deste trabalho demonstra fortemente a influência da cultura do mangá a nível internacional.

Em França (um dos países que mais amam os mangás) existe o la nouvelle manga?. Esse é um movimento iniciado por Frédéric Boilet através da combinação dos mangás maduros com o estilo tradicional de quadrinhos Franco-Belgas. Enquanto vários artistas japoneses se uniam ao projeto outros artistas franceses resolveram também abraçar essa idéia.

Na Coréia do Sul, actualmente podemos observar um movimento em direcção aos mangá muito forte. As produções de mangá coreano, conhecido como manhwa?, têm atingido vários países pelo globo. Um exemplo claro é o Brasil, onde já foram lançadas algumas obras coreanas de sucesso como Ragnarök? e Chonchu.

Além de tudo isso, é bastante comum se encontrar histórias em banda desenhada on-line de vários países em estilo mangá, e até ilustrações mais corriqueiras como as relacionadas à publicidade também têm adotado esse estilo.


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