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Shoujo

racbocrolba
Shoujo (少女) é um termo usado para referenciar manga e anime dirigidos a uma audiência feminina jovem. O termo é uma transcrição do japonês (少女), literalmente "rapariga". O género é estereotipado em histórias melodramáticas de romance geralmente com uma protagonista feminina, e desenhado num estilo fluente onde personagens belas com grandes olhos ficam subitamente rodeadas de flores, estrelas e/ou bolhas. As obras de shojo, no entanto, cobrem uma vasta temática, desde o drama histórico à ficção científica, e de forma alguma todas aderem às mesmas sensibilidades artísticas ou convenções. É, no fim de contas, não um estilo ou género, mas sim uma categoria demográfica.

O mangá shoujo tem as suas raízes nas reformas do Período Meiji?, e posteriormente na expansão manga dos anos 50, com títulos como "A Princesa e o Cavaleiro" por Osamu Tezuka?. No entanto só começou a ser popular quando uma nova vaga de autores femininos surgiu nos anos 70 - centrada no grupo Year 24?, assim denominado porque todas as autoras tinham nascido no 24º ano da Período Showa? (1949). Particularmente, Moto Hagio?, Keiko Takemiya? e Yumiko Oshima? foram instrumentais em redefinir o manga de uma perspectiva feminina, e na invenção do género boys love (literalmente "amor entre rapazes"). Por volta da mesma altura, mas não nascidas no mesmo ano, Suzue Miuchi?, Riyoko Ikeda? e Ako Mutsu? criaram mangas igualmente influentes.

O anime shoujo tem sido uma parte de animação televisiva desde os seus primórdios, com a ênfase da Toei Animation? no género "magical girl" com "Sally, a Bruxa" e "O Segredo de Akko-chan" na segunda metade dos anos 60. Também muito influente na entrada dos anos 70 esteve a Tokyo Movie Shinsha? com o anime desportivo "Attack N.º 1" e "Ace wo Nerae!", e o drama histórico de 1979 "A Rosa de Versalhes". Em 1975 estreou a série "World Masterpiece Theatre" pela Nippon Animation?, baseada em obras clássicas da literatura ocidental e, apesar de não ser dirigida exclusivamente a uma audiência feminina, teve um grande impacto, ficando no ar durante duas décadas fora do Japão. O género magical girl estava em todo o lado nos anos 80, notavelmente com as várias séries "Maho no..." do Estúdio Pierrot?, mas o género tornou-se reconhecido no Ocidente através das "Navegantes da Lua", da Toei?, de 1992.

Em suma, clichés típicos do shoujo podem ser:
- Raparigas com poderes mágicos (magical girl).
- Ênfase nos sentimentos e na psicologia das personagens.
- Flores durante um flashback ou momento dramático.
- Relações homossexuais sugeridas ou até explícitas (boys love).
- Uso frequente de cenas que evocam o interior das personagens, muito mais do que sequências de lutas ou acção.


SIGNIFICADO E LEITURA
Como shoujo significa "rapariga" em japonês, o equivalente do uso ocidental geralmente inclui o seguinte: mangá para raparigas (少女漫画 shoujo manga) ou anime para raparigas (少女向けアニメ shoujo-muke anime). Os termos paralelos shounen (rapazes), seinen (homens) e josei (mulheres) também são usados na categorização do mangá? e anime, e são qualificados da mesma forma. Apesar da terminologia ter origem em editoras japonesas, diferenças culturais com o Ocidente implicam que a aplicação possa variar.

Existem várias formas de romanização do termo japonês 少女 (しょうじょ em hiragana). A mais comum é "shoujo", que permite a preservação da fonologia e leitura, e pode ser escrita usando apenas o código ASCII. A transcrição Hepburn "shōjo" usa um mácron para a vogal longa, apesar da prevalência do Latin-1 causar um maior uso de um acento circunflexo em vez deste mácron, originando a transcrição "shôjo". Também é prática comum ignorar as vogais longas, usando-se a transcrição "shojo", que se desencoraja devido a uma potencial confusão com 処女 (virgem) bem como com outros significados. Finalmente, a transcrição Nihon-Shiki que reflecte a leitura dos kana também pode ser usada: "syôjyo", ou "syoujyo". Nenhuma destas variantes é mais correcta que as outras, a menos que um estilo particular de transcrição se espere ser usado.


ACEITAÇÃO OCIDENTAL
Fãs ocidentais aceitaram um grande número de terminologias anime e mangá, no entanto a forte estética e temática dentro do sector shojo fizeram com que este fosse pensado como um género ou estilo. Assim, uma grande quantidade de títulos que seriam categorizados como outra coisa pelos seus criadores japoneses foram classificados como shojo pelos fãs ocidentais. Tudo o que seja não-ofensivo e que seja protagonizado por personagens femininas pode ser referido como shojo, tal como o manga e anime seinen de comédia ligeira "Azumanga Daioh?". Similarmente, como o romance é um elemento presente em muitas obras shoujo, qualquer título com romance, tal como o shounen? "Love Hina?" ou o seinen "Ah! My Goddess?", é muitas vezes mal-categorizado. Além do mais, é geralmente considerado pelos fãs ocidentais que obras particularmente violentas, sangrentas ou explicitamente sexuais não podem ser shoujo, e não acreditam que títulos de "boys love" sejam dirigidos a raparigas, mas sim a homens homossexuais.

Esta confusão não é de forma alguma limitada à comunidade de fãs, os termos também são mal usados em artigos dirigidos ao público geral. Numa introdução a anime e manga, Jon Courtenay Grimwood escreve:

"A série "Maison Ikkoku?" é da autoria de Rumiko Takahashi?, uma das mais conhecidas escritoras de shoujo. Imagine um equivalente muito japonês de "Sweet Valley High" ou "Melrose Place". Possui a habitual e altamente popular mistura de Takahashi entre adolescentes e romance, com as nuvens negras da adolescência a pairar."

Takahashi é uma famosa mangaka shounen, apesar de "Maison Ikkoku" ser um dos seus poucos títulos seinen?, serializado na Big Comic Spirits?, dirigido a um público masculino na casa dos 20. Matt Thorn, que com sucesso fez carreira a estudar bandas desenhadas de raparigas, tenta clarificar o assunto explicando que "os mangas shojo são mangas publicados em revistas shoujo (como definidas pelas suas editoras)".

A indústria de BD americana em particular debateu-se a tentar perceber o mangá shoujo: tendo historicamente falhado em produzir algo que apelasse a audiências femininas, tiveram que conformar-se com o facto de "Navegante da Lua" vender muito mais que todas as novelas gráficas domesticamente produzidas dirigidas ao seu público central jovem masculino.

Como tal, editoras e lojas americanas têm problemas em vender shoujo. A Dark Horse Comics?, por exemplo, confunde muitos títulos seinen com shoujo, e em particular mangas e animes dirigidos a uma audiência mais jovem no Japão são frequentemente considerados inapropriados para menores nos EUA. Como tal, várias séries são frequentemente censuradas voluntariamente ou lançadas dirigidas a uma audiência mais velha. Nos mercados menos conservadores da Europa, conteúdos que podem ser editados ou cortados num lançamento americano estão frequentemente presentes nas edições francesas, alemãs e de outros países.

Um efeito deste conflicto foi a ideia de certas companhias americanas usarem palavras importadas já conhecidas nas comunidades de fãs, mas separando-as do seu significado japonês. No que concerne os seus títulos mangá shoujo, a editora VIZ Media? tentou uma reapropriação do termo, providenciando a definição:

"shô·jo (sho'jo) n. 1. Manga que apela tanto a leitores femininos como masculinos. 2. Histórias excitantes com personagens realistas e cenários exóticos. 3. Ligação entre o coração e a mente através de relações humanas realistas."

O desejo de desassociar a palavra do seu significado, "rapariga", parece evocar um medo de afastar novos leitores potenciais, especialmente masculinos.

Mangá e anime categorizados como shojo não são necessariamente de interesse apenas a raparigas jovens, e muitos títulos têm uma base de fãs exterior à audiência tradicional. Por exemplo, Frederik L. Schodt? identifica "Banana Fish?" de [[Akimi Yoshida]] como:

"...um dos poucos mangas para rapariga que um adulto masculino consegue admitir ler sem corar. Yoshida, apesar de aderir às convenções das BD's para raparigas na sua ênfase no amor masculino gay, tornou isto possível renunciando às flores e olhos de insecto em favor de traços firmes, cenas de acção e "speed lines"."

No entanto, títulos híbridos com sucesso são a excepção e não a regra. A revista de shoujo "Hana to Yume" tem um público feminino de 95% e a maioria tem 17 anos ou menos.

"Card Captor Sakura?" é outro anime japonês dirigido a audiências femininas. É caracterizado por personagens belas, e laços que giram e voam pelo ecrã quando a personagem principal evolui, bem como flores por todo o lado.

Note-se, no entanto, que muitos rapazes acham este estilo de anime atractivo. Numa sondagem de rapazes na Austrália em 2006, 84% preferiam séries como "Card Captor Sakura" e "Navegantes da Lua" a séries orientadas para audiências masculinas como "Dragon Ball Z?" e "Yu-Gi-Oh!?".


ALGUNS SHOUJO FAMOSOS
Navegantes da Lua - Criado pela mangaka Naoko Takeuchi?, foi a primeira série a misturar magical girl e sentai.

Karekano - Romance escolar centrado no dia-a-dia das personagens.

A Rosa de Versalhes? - Drama histórico passado nas vésperas da Revolução Francesa.

Card Captor Sakura? - Apresenta uma heroína de 10 anos e um romance "leve". Um dos animes/mangas mais bem sucedidos do grupo CLAMP?, conhecido por outros trabalhos como X? , Tokyo Babylon? entre outros.

Corrector Yui? - Uma menina descobre um mundo virtual, inspirado na Internet.


REVISTAS SHOUJO NO JAPÃO
Sendo a definição restricta de shoujo uma história que é serializada ou publicada numa revista designada como shojo, aqui fica uma lista de antigas e actuais revistas japonesas de shojo manga, separadas por editora. Estas pode ser publicadas numa variedade de periodicidades, sendo a mais comum a quinzenal (Margaret?, Hana to Yume, Sho-Comi?) e mensal (Ribon], [[Betsuma], [[Betsu Fure?, Lala?).

AKITA SHOTEN
Princess (プリンセス)
Princess Gold (プリンセス GOLD)
Petit Princess (プチプリンセス)
Mystery Bonita (ミステリーボニータ)
Susperia Mystery (サスペリアミステリー)
Renai MAX (恋愛 MAX)

HAKUSENSHA
Hana to Yume (花とゆめ)
Bessatsu Hana to Yume (別冊花とゆめ)
LaLa
LaLa DX
Melody (メロディ)
Silky

KADOKAWA SHOTEN
Asuka

KODANSHA
Nakayoshi (なかよし)
Amie
Friend (フレンド)
Shojo Friend (少女フレンド)
Bessatsu Friend (別冊フレンド)
Dessert (デザート)
kiss
Be Love

SHOGAKUKAN
Ciao(ちゃお)
Chu Chu
Shojo Comic (少女コミック)
Bessatsu Shojo Comic
Petit Comic (プチコミック)
Cheese!
flowers
Judy
Pochette(ポシェット)

SHUEISHA
Ribon (りぼん)
Ribon Original (リボンオリジナル)
Cookie
Margaret (マーガレット)
Bessatsu Margaret (別冊マーガレット)
Za Margaret (ザ マーガレット)
Deluxe Margaret (デラックスマーガレット)


LINKS EXTERIORES

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