Wed 22.11.2017 | 21:47
 
 
 

BREVE DESCRIÇÃO: O field recording tem sido um campo de importância crescente na arte sonora do início do século XXI. Com um mundo de sons à disposição, muitos artistas têm seguido os trilhos iniciados por Pierre Schaeffer et al., e de entre estes destacamos Luís Antero e Darius Ciuta, com várias edições em nome próprio e uma anterior colaboração, 57’ (2012).

No seu novo trabalho conjunto, Antip (2015), as abordagens de ambos ao trabalho com material recolhido ou encontrado são elegantemente articuladas, partindo das gravações de formigas de Antero, que ele já havia explorado em (ANT(i)SOM) (2014). Explorando uma temática já de si complexa, Antip vai muito além das formigas, ou das suas colónias, focando também o seu movimento, trabalho, ambientes, e ecossistemas, de uma forma extremamente poética e musical.

Os trabalhos de field recording, como têm sido chamadas as composições criadas exclusiva ou predominantemente a partir da captura de sons naturais, podem ser bastante diversos. Podem ser vistos como documentação ou arquivo de paisagens sonoras particulares, sendo nesse caso posto um grande cuidado na fidelidade, objectividade, e veracidade em relação às fontes da gravação e à sua edição. Esta abordagem naturalista pode ser levada um pouco mais longe, utilizando as gravações para reconstruir ou simular paisagens sonoras não existentes, como por exemplo no notável In St Cuthbert's Time (2013) de Chris Watson, que procurava recriar a paisagem sonora da ilha de Lindisfarne no século sétimo DC. Nestes casos, a prática do field recording tende a uma grande objectividade e talvez até a um certo hiper-realismo. Naturalmente, as técnicas de field recording podem ser usadas como lentes para a realidade, ampliando-a, hiper-detalhando-a, sondando-a, e destilando-a a partir de sons que podem de outra forma ser difíceis ou impossíveis de percepcionar.

Mas os artistas sonoros podem utilizar gravações da realidade para se afastarem dela. Não tanto para criar ficções, construindo e representando lugares, acções ou espaços — embora isto seja certamente possível — mas utilizando os sons recolhidos de forma não-semântica, extirpando-os dos seus contextos, significados e referentes originais. Esta viagem do concreto ao abstracto é algo que Antero e Ciuta conseguem desenvolver em Antip, fundindo as acções capturadas nas gravações, despojando-as dos seus contextos originais e criando música.

Este é um trabalho que exige uma escuta cuidada. Antero e Ciuta percorrem o mundo em busca de maravilhas, e não se limitam a simplesmente as documentar, mas sintetizam e transubstanciam gravações, para criar novas maravilhas.
Miguel Carvalhais



DESIGN: Luis Antero




 

EDIÇÃO : Mi249
ARTISTA : Luis Antero + Darius Ciuta
TÍTULO : Antip
TIPO : Album
TEMPO : 75'14"
GÉNERO : Field Recordings/Electronica


LISTAS DAS FAIXAS:

01. Antip

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