BREVE DESCRIÇÃO: Os Hula Hooper são um colectivo formado em Agosto de 2007, e constituído por Takeyuki Hakozaki nos instrumentos e electrónica, e por Naomile na voz e electrónica. Naomile é uma cantora bastante conhecida no Japão por fazer versões de músicas na veia de uns Nouvelle Vague (por exemplo “I fought the law dos Clash”). A banda considera o impressionismo como uma grande influência, o que se torna rapidamente claro na leitura que fazem de diversos géneros musicais no seu EP Toushi Zuhou (que pode ser traduzido para português como "Representação da Perspectiva").
A primeira faixa do EP intitula-se “Light”, e fazendo jus ao seu nome, cresce languidamente como a luz de um dia esplendoroso rompendo as trevas de uma perturbada noite de sono, no alegre gesto matinal de correr uma cortina, deixar o sol invadir a pele e parar para observar tranquilamente o seu percurso numa qualquer varanda solitária da cidade.
A segunda faixa “Session 0” empurra-nos algo subitamente de volta ao mundo dos sonhos, aprisionando-nos num limbo entre a vigília e a sonolência, através de um embalo docemente fantasmagórico.
Na terceira faixa “Session 1” o rasto de agitação da música anterior desvanece-se, e vai surgindo imperceptivelmente um crescendo hipnótico que se apodera do corpo e o atira num sensual momento de naufrágio ao largo de misteriosas e enigmáticas terras, onde a rendição à viagem é absoluta.
A faixa quatro “Session 2” encerra-nos na envolvência do sono profundo, e funde-nos completamente no cosmos criado pelos Hula Hooper, e antes de nos acomodarmos num só lugar, descobrimos que já penetrámos na última faixa “Session 3”, que é como que o suspiro final antes do abandono duma terra, que se sabe nunca poder saborear do mesmo modo duas vezes.
A voz é o guia nesta estranha jornada intitulada Toushi Zuhou, e se umas vezes os instrumentos nos elevam com ela, nas outras dividem-nos, provocando a dor e a indecisão da separação. A música dos Hula Hooper não é apenas ouvida, mas acima de tudo assimilada num recanto remoto do cérebro, e como um psicotrópico provoca uma quente alucinação de conforto uterino.
As melodias são subtis e entranham-se calmamente sob a pele, de forma que se torna impossível reproduzi-las ou descrevê-las, mas simplesmente fácil saboreá-las e sentir a sua falta»
- Hugo Filipe Lopes
|