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Devilman CryBaby

No passado dia 5 de Janeiro o canal Netflix lançou Devilman CryBaby, uma adaptação do clássico mangá de Go Nagai que foi lançado em 1972 e terminado em 1973 com um total de 5 volumes. A primeira adaptação na versão animada foi transmitida em Julho de 1972 e tinha 39 episódios.

Produzido pelos estúdio Science NARU (Crayon Shin-Chan e Garo) e com a realização de Masaaki Yuasa (The Tatami Galaxy), Devilman CryBaby é um anime do tipo ONA (Original Net Animation), uma sigla usada no Japão, para títulos de anime que são lançados directamente pela Internet. A série tem o rótulo do género shounen de acção, horror e sobrenatural. A série é composta por 10 episódios e pelo conteúdo dos episódios recebeu uma classificação para maiores de 18 anos.

Akira Fudo é informado pelo seu melhor amigo Ryou Asuka que os demónios vão reviver e recuperar o mundo dos humanos. Como os humanos não têm qualquer hipóteses de lutar contra o poder sobrenatural dos demónios, Ryou sugere fundir-se com um demónio. Akira torna-se Devilman, com o poder de um demónio mas com um coração de um ser humano.

Devilman CryBaby (que é referenciado como DEVILMAN crybaby) tem um primeiro episódio que particularmente não me agradou e que poderá também não agradar a muitas pessoas que comecem a ver esta série, pois o estilo excêntrico do realizador é um pouco estranho. Deixamos de estranhar lá para o terceiro episódio, quando se começa a prestar mais atenção ao genial argumento de Go Nagai, que nos deixa e dá bastantes criticas interessantes, como por exemplo o grande questionamento da obra: O que é ser Humano? É sem dúvida uma questão essencial neste anime, o autor leva-nos a questinarmos se para sermos um ser humano é necessário ter uma aparência humana? Ou se apenas é preciso ter um coração bondoso? Ou termos a capacidade de amar? Será que somos apenas a aparência e não o interior?

Estes e outros são algumas das perguntas feitas pela obra, além da critíca à maldade humana. Os personagens, principalmente Akira tem esse seu lado humano muito bem explorado pela obra, bem como o outro personagem principal Ryo que também tem um óptimo desenvolvimento ao longo da série e a um twist no final.

Mas nem tudo são flores, Devilman possui um fan-service extremamente exagerado, nunca perdendo a oportunidade de mostrar uns peitos, uns rabos chegando mesmo ao ponto de ter cenas de sexo que são quase explícitas (daí termos referido anteriormente que o anime era para maiores de idade).

Não tenho o costume de incomodar-me com fan-service, mas neste caso posso dizer que foi um bocado exagerado por mais que a realização magnífica tenha sempre tentado deixá-la para um plano secundário. Ainda sobre a realização posso afirmar com toda a certeza que Devilman CryBaby é uma cena brutal quando já estivermos habituados ao estilo excêntrico da série… Já dizia o poeta Fernando Pessoa, primeiro estranha-se depois entranha-se…

A animação está excelente, com cenas bastante fluídas e bem animadas e a banda sonora composta por Kensuke Ushio (Ping Pong, A Silent Voice) é de fazer cair o queixo. Os temas de abertura e de encerramento também não ficam atrás “Devilman no Uta”, o tema de abertura é interpretado por Avu-chan, enquanto que o tema final “Konya Dake” ficou a cargo de Takkyū to Tabibito.

Em suma, Devilman Crybaby é um anime de uma realização técnica impecável, que ganha mais um rótulo adulto por ter conteúdo violento e sexual do que pela complexidade de suas ideias. E outro ponto de interesse e que nos poderá também fazer pensar é que se o investimento da Netflix continuar a apostar em séries anime ousados, “experimentais” e ambiciosos, então vale a pena continuar a pagar a assinatura.

Escrito por: Matheus Alves

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