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Gunsmith Cats

Com apenas três OVA (Original Video Animation) lançados no ano de 1995, Gunsmith Cats (ガンスミス キャッツ, leia-se Gansumisu Kyattsu) é baseado no manga homónimo de Kenichi Sonoda. No entanto estes três OVA trazem-nos novas aventuras que não aparecem em nenhum dos arcos históricos do manga.

Rally Vincent e May Hopkins são duas “bounty-hunters” que vivem na cidade de Chicago nos Estados Unidos da América. Dividindo o seu tempo entre a caça de recompensas pela captura de criminosos e a gerência do seu negócio (uma loja de venda de armas e outro equipamento bélico denominada “Gunsmith Cats”), são ambas apaixonadas por armamento e carros desportivos (sendo o Shelby GT Cobra de Rally prova disso). Rally Vincent é exímia no manuseamento de qualquer arma de fogo, andando sempre acompanhada com mais que um exemplar destas, de modo a que possa enfrentar qualquer contratempo que lhe apareça sem problemas.

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Por outro lado, a sua parceira e colega de casa May é especialista em explosivos, desde granadas até dinamite, May tem fascínio por este tipo de equipamento, embora nem sempre tome as devidas precauções quando o usa. Para completar a sua equipa não poderia faltar a especialista em sistemas informáticos e recolhedora de informação do submundo Becky Farrah, o cérebro da equipa que as ajuda a ultrapassar alguns problemas quando se trata de utilizar a força do intelecto em vez de força bruta.

A vida destas caçadoras de recompensas muda quando um dia entra na sua loja um agente da ATF (Departamento legal ligado à fiscalização de álcool, tabaco e armas de fogo) de seu nome Bill Collins, que requisita os seus serviços para o ajudarem a acabar com uma rede de tráfico de armas da qual um dos membros é um antigo conhecido de Rally e May. Quando estas se recusam a aceitar o caso por falta de recompensa financeira, Bill Collins chantageia subtilmente as heroínas da série, ameaçando fechar a loja de armas destas por falta das devidas licenças necessárias para operarem o negócio dentro da legalidade.
Colocadas entre a espada e a parede, Rally e May decidem aceitar esta missão, desconhecendo que a mesma as vai envolver numa intriga muito mais complicada e complexa do que a que tinham em ideia inicialmente.

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Gunsmith Cats é na sua origem um spinoff de Riding Bean, onde Rally Vincent era a companheira de Bean Bandit, delegada nessa obra a um papel mais secundário. No entanto, em Gunsmith Cats tanto a sua aparência (em Riding Bean Rally Vincent era loira e em Gunsmith Cats é morena) como personalidade sofrem mudanças significantes, tornando-se esta agora no personagem principal da série, não chegando Bean Bandit a sequer ter um papel nesta pequena série animada (embora tenha algumas aparições na versão manga de Gunsmith Cats).

A ação da série passa-se na sua totalidade na cidade de Chicago nos Estados Unidos na América, que embora eu nunca tenha tido oportunidade de visitar, pelos comentários que consegui obter parece estar retratada de maneira fiel. Dando grande destaque a armas de fogo e a carros de grande cilindrada, baseando toda a sua ação numa cidade fora do Japão, Gunsmith Cats é um tipo de anime que nos faz relembrar os filmes de ação americanos exagerados mas divertidíssimos dos anos oitenta, aproveitando também para utilizar alguns dos estereótipos mais comuns dessa época para aumentar a riqueza cómica da serie.

E falando em ação, se há uma coisa em que a série aposta em grande é nas suas cenas de ação, sendo estas grandiosas e de grande qualidade, rivalizando com qualquer obra que se faça hoje em dia, mesmo já tendo as mesmas mais de vinte anos. As cenas de tiroteio são intensas e bem coreografadas, mas o grande destaque vai para uma cena de perseguição automóvel no segundo episódio da série, que é do melhor que já se fez nesse capítulo em termos de animação. A animação da série em si é excelente, ajudando a dar mais fluidez às cenas de ação e a série no geral.

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A banda sonora é bastante boa, tendo sido composta por Peter Erskine (baterista de jazz ex-membro dos Weather Report) que se inspirou em sonoridades jazz e música pop dos anos oitenta, estando esta recheada de sintetizadores e baladas que se adequam perfeitamente ao ambiente criado pela história da série. A opening da série também merece ser destacada, tanto em termos de animação como musicalmente, parecendo ter servido de inspiração para a abertura de Cowboy Bebop, sendo o estilo de ambos muito similar.

Gunsmith Cats é uma OVA excelente, que nos deixa um certo sabor amargo no fim sabendo que esta não tem qualquer continuação em termos de animação, quando teria sido uma aposta mais que merecida. Merecendo sem dúvida a categoria de “anime de culto”, esta série é mais que recomendável, tendo envelhecido muito bem e continuando tão empolgante hoje em dia como em 1995.

Escrito por: Nuno Rocha

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