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Haikara-San Ga Tōru

Como bem sabemos a produção de animação não é um trabalho para qualquer um, muito menos se trata de uma tarefa fácil de cumprir, havendo por vezes percalços indesejados, horas de sono perdidas, tudo com o objetivo de trazer ao público uma obra prima de grande qualidade.

Entre meras tentativas até se chegar ao resultado final pretendido, o caminho a percorrer é muito longo. Porém, os japoneses desempenham esse papel na perfeição, sabemo-lo bem pelos projetos desenvolvidos e que todos os anos têm vindo a ser apresentados.

Desde que a animação surgiu na sociedade nipónica, havendo referências ao primeiro formato de anime exibido em cinema desde o ano de 1917, que o conceito se foi desenvolvendo, pelo que nos anos 50 surgiu o primeiro anime a cores emitido em televisão. As décadas que se seguiriam, especialmente nos anos 70 e 80, os animes japoneses conheceriam o seu grande auge.

É precisamente neste boom de “japanimation”, designação inicial dada nos anos 70 e 80 para o termo “anime”, que se estabeleceria definitivamente por meados da década de 80, que vários trabalhos foram criados e produzidos, o caso do clássico Haikara-San Ga Tōru (はいからさんが通る), conhecido internacionalmente por Haikara-San: Here Comes Miss Modern e que data de 1975-1977.

Conhecido igualmente por Smart-san or Mademoiselle Anne é um manga/anime shōjo, dedicado especialmente ao público feminino. Contando com oito volumes do manga, escrito por Waki Yamato, publicado pela
Kodansha e divulgado pela revista Shōjo Friend. A adaptação a formato televisivo ficou a cargo do diretor Kazuyoshi Yokota e da Nippon Animation, exibindo através da TV Asahi, entre 3 de Junho de 1978 a 31 de Março de 1979, um total de 42 episódios.

Teve três Live-Action adaptados a televisão, produzidos por Shinji Ueda entre 1979, 1985 e 2002. Contou com um Live-Action em filme produzido por Masamichi Satō e escrito por Takaya Nishioka, em 12 de Dezembro de 1987.

O enredo é bastante interessante, no entanto, a Nippon Animation foi obrigada a cessar a exibição da série, por não ter tido o êxito desejado, pela simples razão do manga não ter sido integralmente seguido. No meio de adaptações diferentes, Benio fica com o seu amor, Shinobu, para grande desejo dos fãs e em respeito pelo trabalho de Waki Yamato.

Graças à popularidade do manga, o anime foi redescoberto ganhando nova audiência e curiosidade por parte do público, entrando em 2005 no top das 100 séries de animação mais vistas de sempre, passando na televisão por satélite, Animax e no canal BS2 da NHK. O manga ganhou grande sucesso pela Europa, tendo chegado ao mercado italiano nos anos 90.

Contudo, a 11 de Novembro de 2017 foi adaptado a anime em formato de filme, com alterações ao nível do design gráfico das personagens, tornando-as mais modernas e apelativas, pela Nippon Animation, dividido em duas partes, a primeira com o título de Gekijōban Haikara-san ga Tōru Zenpen – Benio, Hana no 17-sai, dirigido e escrito por Kazuhiro Furuhashi, música a cargo de Michiru Oshima, e licenciado pela Eleven Arts; enquanto a segunda parte, com a designação de Gekijōban Haikara-san ga Tōru Kōhen – Tokyo Dai Roman, foi dirigido por Toshiaki Kidokoro, com data de estreia a 19 de Outubro de 2018, passando nos Estados Unidos da América e Canadá.

A música da série foi interpretada por Saori Hayami, “Yume no Hate Made” (夢の果てまで lit. Until the End of the Dream), cuja letra foi composta por Mariya Takeuchi, com arranjos de Takeshi Masuda.

A 7 de Outubro de 2017 por Naoko Koyanagi, o anime chegava transformado em formato de teatro musical, com o nome de Takarazuka Revue.

O manga relata a história de Benio Hanamura, uma rapariga de 17 anos de idade que vive em plena cidade de Tóquio de 1920. Benio perdeu sua mãe muito cedo, quando ainda era uma criança, tendo sido desde então educada pelo seu pai, um oficial de alta patente do exército japonês. Contrariando a sociedade e as tradicionais noções de feminilidade existentes na época, Benio cresce inserida num ambiente masculino de grande disciplina, ordem e rigidez física e mental, aprendendo desportos como Kendo, e vivenciando uma experiência e conceito de vida típico do Homem, como beber sake, ou vestir roupas estilo western americano, em vez do típico Kimono.

Rejeitando os ideais de matrimónio e de boa dona de casa, Benio dedica-se à literatura e defende a ideia de uma mulher ter vida profissional e a hipótese de casar por amor, em vez do conceito de casamento arranjado. Os seus melhores amigos são Tamaki, uma menina que tal como Benio defende os direitos das mulheres, embora tenha uma forma mais feminina de agir e Ranmaru, um jovem rapaz que foi educado a desempenhar tarefas de mulher ao nível da encenação e do teatro (Kabuki), acabando por adquirir hábitos e trejeitos efeminados.

Sem que ela pudesse sequer imaginar, a sua vida daria uma grande volta ao saber que o seu destino já tinha sido traçado mesmo antes do seu nascimento, e que o seu prometido pertencia à família Ijuin. Recusando tal ideia, fará de tudo para evitar tal compromisso, ao contrário de Shinobu, tenente do exército, que deseja muito cumprir esse acordo matrimonial, como forma de respeito para com o sonho da sua avó que outrora se apaixonou por um membro da família Hanamura, acabando por não conseguir casar com ele, devido a questões de estatuto social e económico, que por vezes se impunham em detrimento das emoções e sentimentos mais íntimos.

Com o passar do tempo Benio percebe que no fundo do seu coração existe um forte laço de amor para com Shinobu, um elo que será colocado à prova, pois até os dois conseguirem ficar juntos e casar, muitos acontecimentos irão suceder.

A trama é um drama e romance histórico, cheio de momentos emotivos que levarão o telespectador mais sensível a emocionar-se, mas não deixa de ser uma excelente opção para quem gosta deste género de produção, e que aconselho vivamente a assistir por forma a descobrirem o desenrolar da narrativa.

Escrito por: Mia Mattos

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