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Destiny: Kamakura Monogatari

Tomei conhecimento deste filme, realizado por Takashi Yamazaki, por estar a ser exibido nos cinemas locais da cidade onde vivo (fora de Portugal). Chamou-me à atenção pela sua estética a fazer relembrar alguns dos filmes de fantasia mais famosos do Ocidente e posso dizer que não saí desiludido quanto ao produto final que me foi apresentado.

Na pequena cidade de Kamakura, em tempos capital do Japão Imperial, mora o escritor Masakazu Isshiki (Masato Sakai) com a sua jovem esposa Akiko (Mitsuki Takahata). Masakazu é um escritor de ficção, que vai fazendo uns biscates escrevendo alguns artigos para jornais e ajudando a polícia local em casos que envolvam elementos do sobrenatural. Sim, do sobrenatural. Neste filme Kamakura não é apenas uma cidade normal, está recheada de espíritos e figuras do folclore tradicional japonês que vagueiam pela cidade, intrometendo-se pontualmente na vida daqueles que ainda habitam o mundo terrestre.

Destiny: Kamakura Monotogari, filme inspirado no manga Kamakura Monogatari de Ryohei Saigan, é um filme que pode ser dividido em duas partes. Uma primeira que se foca mais no dia a dia do jovem casal e nos vários elementos que compõe a vida profissional de Masakazu e uma segunda parte onde o amor do casal é posto à prova, não querendo eu estar aqui a spoilar o que acontece no clímax do filme. Mas voltando à primeira parte, que é fulcral para montar o ambiente da segunda, é-nos dada uma imagem fantástica de Kamakura. Os espíritos e outras figuras que vagueiam pela cidade estão muito bem caracterizadas, com os efeitos especiais do filme a serem de nível bastante alto para uma obra que não saiu de um dos grandes estúdios americanos. Alguns fofinhos, alguns bizarros e outros apenas assustadores, a primeira parte do filme enche-nos de curiosidade para saber mais sobre esta bizarra cidade onde o sobrenatural faz parte do quotidiano dos habitantes.

O casal protagonista do filme tem bastante química, o que ajuda o espectador a manter a atenção durante a primeira parte do filme e a torcer por estes na segunda. Masakazu está longe de ser retratado como um típico herói ao longo do filme. Embora seja talentoso, é visto também como uma pessoa algo neurótica, mimada e até um pouco egoísta ao longo do filme. Akiko, por seu lado, é responsável por trazer algum equilíbrio à vida de Masakazu, embora seja demasiado ingénua para o seu próprio bem. O restante número de personagens que vão aparecendo na sua vida são bastante cómicas.  Algumas são naturalmente engraçadas, enquanto outras estão envolvidas em situações comicamente bizarras, onde Honda, amigo de Masakazu (Shinichi Tsutsumi), ganha especial destaque no seu infortúnio.

A narrativa do filme pode ser um bocado estranha no princípio, sendo similar à de uma série de TV, pois começamos por acompanhar pequenos episódios da cidade, ganhando esta um aspecto mais cinematográfico mais para a frente na história.

A nível visual o filme está fantástico. O mundo (ou mundos) onde habitam estes personagens faz lembrar cenários e paisagens saídos de clássicos como Sen to Chihiro no Kamikakushi, Harry Potter, Neverending Story ou então do clássico de animação chinês A Chinese Ghost Story. Os personagens mais “monstruosos” estão muito bem caracterizados, parecendo haver uma mistura de efeitos práticos com CGI que torna o seu aspeto bastante natural aos olhos do espectador.

Destiny: Kamakura Monotogari foi uma grande e boa surpresa. É um daqueles filmes que nos entretém como adultos, mas que nos faz voltar à infância devido ao fantástico mundo de fantasia construído. Uma das coisas que para mim o torna tão singular é o grande número de elementos da cultura folclórica japonesa que estão presentes no filme sem, no entanto, o tornar unicamente dirigido para o público japonês, sendo fácil para o espectador ocidental identificar-se com estes e perceber a sua relevância cultural. É uma daquelas obras que vejo facilmente a ter sucesso no ocidente, não sendo de espantar caso esta venha a ser alvo de remake por algum estúdio americano num futuro próximo. Se tal acontecer, vou ficar bastante desiludido, pois esta obra merece ter o destaque merecido na sua versão original.

Escrito por: Nuno Rocha

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