Muito antes dos Japoneses existiam os Ainu (アイヌ), uma verdadeira fonte de mistério e assombro nas terras do Sol Nascente. Um povo rodeado por histórias, lendas e mitos, tradições ancestrais que se perdem nas brumas do tempo, mas que infelizmente ainda são hoje em dia vítimas de muito preconceito à sua volta, por parte dos restantes japoneses.

Muitos descendentes até bem recentemente escondiam a sua origem Ainu devido a questões raciais, e muitas vezes os pais e os avós mantiveram a sua ascendência Ainu secreta, dos filhos tentando proteger desta forma as crianças de eventuais problemas sociais e de não se conseguirem integrar em pleno na sociedade Japonesa.

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Os Ainu, são tradicionalmente um povo de caçadores e pescadores que habitam na sua maioria as ilhas de Hokkaido e Honshu e são eles os habitantes originais destas ilhas, que só bem mais tarde foram ocupadas pelos Japoneses, devido a esta assimilação forçada pela restante população já quase não existem hoje em dia Ainu verdadeiramente “puros”.

O nome deste povo, “Ainu” significa “humano”. O povo Ainu consideram as coisas úteis para eles ou que estão para além do seu controle como sendo os seus “Kamui” (deuses). Na vida diária tradicional, os Ainu oravam e executavam várias cerimônias para os seus deuses. Deuses que incluíam: a “natureza”, como o fogo, água, vento e trovões; “animais” como os ursos, raposas, corujas entre outras demais criaturas; “plantas” como o acônito, musgo e a artemísia, e até “objetos” como os barcos e panelas, deuses que protegiam as suas casas, deuses que viviam nas montanhas e nos lagos.

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Os estudiosos ainda divergem em muito acerca das teorias sobre a origem do povo Ainu que fisicamente divergem dos Japoneses em geral. As teorias incluem desde teorias sobre ascendências caucasianas, mongólicas, de raças oceânicas, a raças antigas e já extintas da Ásia. Assim sendo as verdadeiras origens do povo Ainu ainda são um verdadeiro mistério, mas acredita-se que os Ainu viviam no Japão há mais de cem mil anos!

A convivência, entre o povo Ainu e os restantes Japoneses, sempre foi muito tumultuosa e muitas foram as batalhas e escaramuças existentes ao longo da História, sempre com lamentáveis perdas para os Ainu. Que se viram ao longo dos séculos e a pouco e pouco privados de tudo que lhes era familiar, desde as suas antigas tradições, aos direitos de caça e pesca no seu próprio território, (até bem pouco tempo, precisavam de uma licença especial para o fazer), e até da cruel supressão do seu dialeto ancestral, sendo mesmo obrigados a assimilar para si mesmos nomes tipicamente japoneses, tudo numa tentativa de opressão os Ainu foram ainda explorados como mão-de-obra pelos japoneses até o período Meiji .
Entretanto, a discriminação tem vindo a diminuir desde 1900 e alguns ainus alcançaram já posição de destaque nas artes e política japonesa, mas a discriminação continua, ainda que mais escondida.

Apesar de tudo isto, hoje em dia, várias diligências estão a ser vigorosamente promovidas para reviver a língua Ainu e para preservar e manter a sua cultura. Aulas de língua Ainu são realizadas em várias partes de Hokkaido.

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Além disso, associações preservam as danças tradicionais e têm tentado reviver e realizar as antigas cerimônias Ainu.

Cada vez mais jovens, perdem o medo da discriminação e afirmam com orgulho, perante a sociedade japonesa, a sua ancestralidade, são eles os novos embaixadores deste povo que quase foi suprimido no Mundo.
Até no mundo do anime este povo passou quase que banido, havendo somente alguns poucos exemplos de elementos Ainu, tais como Mugen de “Samurai Champloo”, Horohoro de “Shaman King”, ” The Dagger of Kamuy”, e o povo de Ashitaka no filme “Princesa Mononoke”, que têm muitas semelhanças com os Ainu. Mas, na sua maioria, mesmo no mundo mágico do anime, são retratados como sempre a sociedade japonesa os viu, um povo sujo, bruto e bárbaro.

Em 2009 uma grande vitória e reconhecimento foram alcançados para este povo, quando as suas danças tradicionais foram consideradas pelo júri da UNESCO merecedoras de um lugar eterno como parte do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

Escrito por: Patrícia Andrade