Até há uns dias atrás, Taichi Yamada era um escritor desconhecido para mim. Mas sendo eu uma pessoa ávida por literatura japonesa de terror, rapidamente decidi conhecer este autor e este livro que na versão original tem o título de “Ijintachi to no natsu” (lit. Verão das pessoas desconhecidas), mas que na versão portuguesa decidiu ficar com o mesmo título que a versão em inglês, “Desconhecidos”.

Editado pela Civilização, “Desconhecidos” não traz na contra-capa uma sinopse do livro, mas tem este pequeno press-release escrito por Bret Easton Ellis, autor de Psicopata Americano: “Uma arrepiante história de fantasmas escrita com hipnótica clareza: de ritmo rápido, inteligente e assombrosa, com passagens de uma intensa percepção das relações entre pais e filhos, o que torna tão comovente este fascinante livro.”

Hideo está na casa dos 40, é guionista e vive sozinho num grande complexo de escritórios que durante a noite fica vazio. A sua vida atravessa um mau momento: acabou de se divorciar, o filho não lhe liga nenhuma, o seu emprego também teve melhores dias e afastou-se dos amigos. Imerso numa enorme solidão, Hideo decide partir para Asakusa, a terra natal onde viveu até ao trágico acidente de automóvel que o deixou órfão. Aí conhece um casal que é exactamente igual aos seus pais quando morreram. Hideo é empurrado por vontade própria para uma realidade onde os seus pais estão vivos e têm a sua idade. Apesar de tudo poder ser imaginação, ele decide viver uma falsa felicidade que julgava impossível de reviver. Mas a que custo se pode viver uma felicidade assim?

“Desconhecidos” avança através de uma série de estados emocionais até chegar a um ambiente de terror. É uma história forte e tensa, daquelas que deixam o leitor com as mãos a suar. Taichi Yamada leva a narrativa para direcções inesperadas e oferece-nos uma verdadeira história entre homens e fantasmas (ou será melhor dizer espíritos?), entre o mundo dos vivos e o mundo dos mortos, tema muito habitual na literatura e folclore japonês.

Taichi Yamada tem uma linguagem, uma musicalidade e uma emotividade na história que prende o leitor facilmente até à última palavra, e estes são sem dúvida os pontos fortes desta história.

“Desconhecidos” é uma história de fantasmas pouco convencional, como provavelmente só um autor japonês coseguiria escrever. Apesar de ter fantasmas (ou espíritos), este romance não é uma história de terror nem nada que se pareça, é sim uma sobre solidão e isolamento, uma história sobre como colocar o passado para trás de modo a que consigamos dar uma chance ao futuro.

Taichi Yamada é mais um brilhante autor japonês que vale a pena ler e conhecer e que ganhou com este “Desconhecidos”, o seu primeiro livro editado em versão inglesa o Prémio Yamamoto Shugoro.

Escrito por: Fernando Ferreira