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Nanakusa Gayu

Provavelmente já todos vimos em anime um episódio em que alguém fica acamado por estar doente e recebe então visitas que lhe preparam uma papa de arroz, fáceis de comer e digerir, para os ajudar a recuperar. Estas papas são chamadas de okayu, e no Japão existe um dia próprio em que toda a gente come estas papas, mas com um toque especial.

A Nanakusa Gayu é uma papa de arroz (okayu) feita com sete ervas especiais (nana kusa), servida ao pequeno-almoço do dia 7 de janeiro (Jinjitsu, Dia da Humanidade) considerado o último dia das festividades de Ano Novo (oshougatsu). Esta celebração é chamada Nanakusa no sekku (“festival das sete ervas”), realizada num dia em que se acredita ser importante confortar o corpo e comer comida saudável. Estas papas, consideradas medicinais, servem então para reabastecer o corpo de energias saudáveis e ajudar à recuperação do aparelho digestivo após os possíveis abusos durante o Ano Novo.

Esta tradição originou-se na China, onde era costume comer as ervas recém-colhidas no início do ano, sendo que nesta altura há poucas verduras a nascer. Considera-se que ao comê-las atrai-se boa sorte e saúde para todo o ano, assim como se afastam males e doenças do corpo.

Embora as datas do seu surgimento no Japão sejam inconsistentes, acredita-se que ganhou popularidade durante o período Heian (794-1192) quando mercadores apresentavam as 7 ervas da sorte ao Imperador durante o Jinjitsu; pelo período Edo (1603-1868) esta tradição já estaria fortemente enraizada em toda a população, sendo que era costume os lordes feudais (daimiyos) comerem a nanakusa gayu antes de entrarem no castelo e estarem perante o xogum no dia de Jinjitsu.

Os ingredientes da Nanakusa Gayu são as papas de arroz (okayu, também associadas ao restabelecimento de doenças) e sal, juntamente com as sete ervas (também chamadas Haru no Nanakusa, “Sete ervas da Primavera”) que, dependendo da região e disponibilidade, podem variar. Por vezes juntam-se também ovos.

As ervas tradicionais mais comuns de se usarem são a Seri (せり, salsa japonesa) uma das poucas plantas desta espécie que não são tóxicas e venenosas, Nazuna (なずな, bolsa-de- pastor), Gogyou (ごぎょう, gnafálio, atualmente também chamado de Hahakogusa), Hakobera ou somente Hakobe (はこべら, morugem ou stellaria), Hotokenoza (ほとけのざ, lapsana), Suzuna ou Kabu (すずな ou かぶ, nabo) e Suzushiro (すずしろ), o nabo gigante japonês também conhecido como daikon.

Atualmente, no Japão, facilmente se encontram à venda embalagens que contém todas as 7 ervas da Primavera, quer frescas ou congeladas. Depois de os vegetais serem cortados, a papa é tipicamente preparada numa Donabe, uma panela tradicional japonesa feita de barro. Enquanto se prepara a nanakusa gayu existe ainda o costume em algumas regiões de cantar certas canções populares (neste caso chamadas nanakusa bayashi).

Para além de serem usadas 7 ervas, a celebração é também realizada no 7º dia do ano, sendo que o número 7 é considerado não só de sorte mas tem também um grande simbolismo: no budismo acredita-se que a alma passa por 7 julgamentos no submundo (Meido) e que reencarna 7 vezes, sendo costume celebrar o 7º dia após o nascimento de um bebé. São também muito conhecidos os Shichifukujin
(os sete Deuses da Sorte).

No Outono celebra-se ainda o Nanahana no sekku (“Festival das 7 Flores”), semelhante ao Nanakusa no sekku, no festival das sete flores é costume fazerem-se arranjos com sete flores do outono (hagi, lespedeza, o trevo japonês; obana ou susuki, miscanthus; kudzu, pueraria lobata; nadeshiko, dianthus, semelhante aos cravos; ominaeshi, patrínia amarela; fujibakama, eupatorium; e kikyou, platycodon ou a campainha-chinesa). Estas flores, no entanto, têm um carácter meramente decorativo.

Escrito por: Joana Ramalho

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