Inserida nas festas de Lisboa e com a organização da Embaixada de Lisboa realizou-se no passado sábado (24 de Junho) mais uma festa do Japão, a 7ª edição no Parque das Nações junto ao Meo Arena (pela segunda vez neste local).

A aventura começou um dia antes com a minha viagem até à margem sul, local onde iria pela primeira vez e que de certeza seria uma aventura para quem não costuma ir à capital com tanta frequência. À minha espera estavam dois amigos de longa data (um mais que outro para ser mais preciso) e que além de anime e manga também gostam muito de livros e de cerveja e até têm um canal de youtube (Books and Beers), por isso tinha tudo para que o fim de semana corresse bem.

Na bagagem trazia bastantes livros de autores japoneses de diversos estilos: manga, romance, didáticos, etc etc, tínhamos combinado uns dias antes também gravarmos uns vídeos para o canal deles e alguns para a NIJI TV porque algumas pessoas pediram-me para mostrar alguns livros da minha biblioteca ou aconselhar algumas leituras.

Depois de uma viagem de praticamente 4horas com partida de Coimbra e chegada a Almada, ainda tive que apanhar o metro de superfície para ir ao encontro deles. À minha espera na Birraria lá estavam eles e mais um copo de cerveja artesanal. É claro que começamos logo a falar de livros. Para o jantar estava combinado irmos ao sushi num restaurante com um nome de jogador de bola que ficava na Costa da Caparica. Juntaram-se mais uns amigos para a festa ser maior. O jantar era daqueles “all you can eat” por isso foi comer até rebentar, isto para alguns. De todo o jantar destaco uns cogumelos que estavam divinais.

Chegou o dia, acordo de manhã com um dia ensolarado e decido ir até uma esplanada para ler um pouco. Da estante deles “roubo” o Na sopa de Miso do Ryu Murakami e que desde já aconselho a lerem se gostam de thrillers psicológicos. Decido ir para a Festa do Japão e comer algo do outro lado do rio. E assim foi…

Cheguei um pouco antes da hora de abertura. Numa vista geral reparei que a disposição dos stands e outras atividades não estavam muito diferentes do ano anterior. À entrada podíamos ver algumas marcas de automóveis que convidavam as pessoas para um pequeno “teste-drive”.

Depois tínhamos logo à vista o stand da ANAC (Associaçao de Cosplay), onde estive um pouco à conversa com duas cosplayers: a Leonor Grácias e a Ana Santos. Nos palco faziam-se os últimos check sound com os Hurry Go Round (uma banda portuguesa que toca j-pop) e depois os DONGARA, um duo composto por Tetsuro Naito (tambores) e Tomoko Takeda (flauta transversal de bambu) e por fim, YOSUKE IRIE um músico que toca Shakuhachi, a flauta tradicional de bambu.

Antes de darem as 16 horas passei pelas escadas junto ao Meo Arena e vi por lá o encontro de bonecas e figuras de coleccionador, onde além das famosas Blythe (ler artigo) podíamos encontrar Pulips, bonecas da Disney, BJDs, figuras de resina e pvc. Quando voltei para a área da festa já estavam no palco já a super “kawaii” Beniko Tanaka a apresentar os primeiros participantes no palco. Meninos e meninas da escola japonesa dançavam alguns sucessos da música japonesa como o mega hit PPAP de PikoTaro.

Mas o meu interesse fez-me virar as costas ao palco, isto porque à minha frente estava a escola japonesa com imensos livros para venda a preços bem apetecíveis. E como já é habitual todos os anos lá estávamos os dois (eu e a sensei Ana Rufino à procura de “pérolas” literárias). Nem vos conto como foi… apenas precisam de saber que me desgracei-me… comprei bastantes livros e que em breve deverei mostrar-vos num vídeo na NIJI TV (e que podem desde já subscrever o canal).

Ao lado tinha ainda a Associação Lusitana de Bonsai mais à frente tínhamos a Associação portuguesa de Sumo, onde o nosso maior atleta Carlos Neves (ler entrevista) deu uma pequena e divertida demonstração com a pequenada. Do lado do curso de água estavam as várias lojas de produtos alimentares “secos”, a loja da Tsubaki, a editora Devir que escolheu o evento para lançar a sua nova coleção de novelas gráficas japonesas (o primeiro volume foi O Homem que passeia, de Jiro tanighuchi e já anunciaram o próximo título que será o NonNonBa, de Shigeru Mizuki) e ainda o stand da publicação JanKenPon (que edita autores nacionais de banda desenhada.

De tanto andar de um lado para o outro, deu-me a fome mas ao olhar para a zona de restauração reparei que era missão impossível comer novamente o já clássico takoyaki ou as pequenas caixas de sushi. Eram filas enormes por isso desisti. Penso que para a próxima edição os organizadores da Festa deveriam pensar em outras soluções para a parte gastronómica afim de um maior número de pessoas poder experimentar as deliciosas iguarias do país do Sol Nascente.

Enquanto procurava algo para comer decorria uma das atividades mais interessantes do evento a atribuição de uma viajem ao Japão a quem acertasse o maior número de respostas com perguntas de falso ou verdadeiro.

Na tenda da Embaixada do Japão, tínhamos as clássicas revistas da Nipponia para tirarmos e ao lado iriam-se fazer várias demonstrações ao longo do dia: Ikebana (Arte floral japonesa a cargo da Ikebana Internacional), HAIKU (género poético japonês de 17 sílabas, pela Prof.ª Leonilda Alfarrobinha e demonstração de ORIGAMI (técnica japonesa de dobragem de papel, com a orientação da Prof.ª Fátima Granadeiro).

Mais uma vez representado na Festa do Japão estava o stand de Um longo Verão no Japão, um projeto de Coimbra da responsabilidade da Inês Carvalho Matos que tem como objetivo divulgar a cultura japonesa. Ao contrário do ano passado, este ano o stand foi partilhado por várias pessoas que gostam e trabalham na áreas de divulgação da cultura japonesa nas mais variadas formas. Finalmente conheci a simpática e talentosa Daniela Viçoso, autora do manga O infante.

Enquanto vagueava pelo espaço olhei para o palco e reparei que uma das atividades mais esperadas do evento tinha começado. Já estavam a desfilar os vários cosplayers que decidiram participar no evento. Havia cosplay de tudo: séries novas, séries clássicas, videojogos e também da Disney, sim porque cosplay não é só de cenas japonesas.

Depois seguiu-se a demonstração de Kimono (Kimono PT) pela querida amiga Kimino Chiyo que mais uma vez está de parabéns pela sua dedicação a esta arte tão nobre e ao seu gosto pela cultura japonesa mais tradicional o que não é muito comum nas pessoas mais jovens. Para os mais entendidos mencionamos que na edição deste ano da Festa do Japão aconteceu o primeiro Kimono de Jack em Portugal, um encontro que consiste em as pessoas se juntarem e tirarem uma foto de grupo. É um evento que existe em todo o mundo para promover o kimono.

Já me esquecia de vos dizer que houve também uma grande atracção nesta Festa do Japão, inesperado ou não os Akita-Inu e os Shiba-Inu (duas raças de cães japoneses) foram sem dúvida os visitantes mais mimados da edição deste ano. Os vários cães que por lá passeavam espalhavam a maior simpatia pelas imensas pessoas que lhes queriam tocar e tirar fotos. Foi um autêntico momento de kawaiiness ^_^.

As horas foram passando e quando dei por elas já estava a ficar tarde… por isso a partir daqui não sei o que aconteceu. Foi mais um ano sem poder assistir e participar na cerimónia de lançamento das lanternas japonesas na água “Tōrō nagashi”, nem ver o concerto de YOSUKE IRIE do duo DONGARA. E também não consegui participar no Bon Odori (em japonês O-bon お盆 ou simplesmente Bon盆), uma dança que acontece sempre depois do pôr do sol e onde prevalece a crença de que os espíritos somente saem durante a noite.

E assim terminava a Festa do Japão… mas não acavbava o meu fantástico fim-de-semana por terras de Almada/Cacilhas. A seguir iria acontecer algo de épico… mas é como se costuma dizer… o que acontece em Cacilhas, fica em Cacilhas ^_^

Já estou a contar os dias que faltam para a edição do próximo ano. Até lá vou vivendo o meu Japão aqui na minha humilde casa real e virtual, o Clubotaku e a NIJI TV.

Escrito por: Fernando Ferreira