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Ring e Spiral

Colocar as palavras terror e Japão na mesma frase leva-nos indubitavelmente ao clássico “Ring” (ou “Rings” na mais recente edição em inglês). Escrito por Koji Suzuki e publicado em 1991, “Ring” é o primeiro livro na saga com o mesmo nome, sendo seguido por mais cinco títulos. Esta crítica focar-se-á apenas nos dois primeiros livros.

Mundialmente, “Ring” ganhou notoriedade através das suas adaptações cinematográficas, principalmente pelo remake americano. A premissa do primeiro livro é já bastante conhecida; no centro da trama está uma cassete que ao fim de sete dias mata todos aqueles que a visualizam. As personagens principais e o fim são, no entanto, bastante diferentes do enredo cinematográfico. Asakawa Kazuyuki é um jornalista que decide investigar a origem da misteriosa cassete e acaba a enfrentar a vilã da história, Yamamura Sadako.

O que torna “Ring” tão emocionante e apelativo é precisamente a sua vilã; os leitores percorrem o livro a tentar descobrir quando será o seu próximo encontro com Sadako ou quando se saberá um novo detalhe sobre a sua vida. O segundo livro começa imediatamente após o fim do primeiro e tem como personagem principal o médico-legista Mitsuo Ando. Com a cassete a criar novas vítimas, Ando tenta descobrir a causa desta série de mortes inexplicáveis e mais uma vez acaba por se debater com Sadako. Sem revelar nada, “Spiral” tem reviravoltas inesperadas e somos transportados para uma dimensão totalmente nova dentro da narrativa.

Na verdade, e tal como a própria sinopse indica, não é obrigatório ler o primeiro livro para se conseguir perceber o enredo de “Spiral”, pois o segundo volume inclui um resumo bastante elaborado do primeiro. É por isso que podemos ponderar trocar a sua ordem e encarar “Ring” como a prequela de “Spiral”, o que na minha opinião não é de todo uma má forma de abordar a saga.

A comparação entre livros e filmes é incontornável. Contudo, o terror dos livros em nada se assemelha aos filmes, o que pode deixar alguns leitores desapontados. “Ring” e “Spiral” são bem mais lentos e complexos do que os filmes, estando o segundo livro mais próximo da ficção científica do que do terror. A própria transformação do enredo naquilo que vemos nos filmes deve-se à complexidade da história original, pois Sadako é uma personagem que vai muito para além de uma simples rapariga amaldiçoada. Em ambos os títulos, ela revela ser uma criatura misteriosa e elusiva, levando os leitores a ter uma certa compaixão por ela e a querer saber mais sobre os seus planos para a humanidade. Uma coisa é certa: assim que acabamos “Spiral” temos logo vontade de ler o terceiro.

Para quem preferir ler na nossa língua, os primeiros três livros foram editados em português pela Livraria Civilização Editora.

Escrito por: Alexandra Costa Ferreira

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