No passado Natal de 2015 uns primos ofereceram-me um livro de Murakami… Que já me tinham oferecido antes! Hehehe. Então, fui trocá-lo por outro do mesmo autor. Este era único que ainda não tinha lido e, confesso, estava bastante curiosa com ele (porque a capa é bonita, eu sou assim…)

Trata-se de uma novela, um conto longo (cerca de 80 páginas) que, fazendo uso do realismo mágico ao qual o autor nos vem habituando, conta a história de uma mulher que não dorme há 17 dias. A história, narrada pela própria, mostra-nos um pouco da sua vida diária, que se processa sempre da mesma maneira, dia após dia, até ao momento em que, após um pesadelo com água à mistura, ela deixa de conseguir dormir.

Mas estabelece desde logo que não se trata de uma insónia: ela encontra-se perfeitamente bem de saúde, apenas não dorme. O que faz nesse novo tempo que lhe resta é o mote para a história, passando então a relatar-nos a sua nova vida diária e as consequências que isso tem na sua vivência familiar que, aparentemente imutável, lhe traz novos sentimentos de indiferença em relação ao marido e ao filho.

É um livro curioso com ilustrações bastante vividas da alemã Kat Menschik, embora um pouco desconexas, talvez pela mistura violenta entre o azul e prateado, que se suporta muito em vários simbolismos que nunca são revelados e que acaba por nos mostrar um pouco da vida de uma pessoa que nunca chegamos realmente a conhecer.

No entanto, mais uma vez, irrita-me a forma de escrever do autor, nomeadamente o uso e abuso extremo da expressão “acto contínuo”, que é repetida ad nauseum por todos os seus livros. Também achei que o final poderia ter sido melhor trabalhado, como também tem sido a minha opinião em relação às outras histórias de Murakami que tenho lido.

Ainda assim, é uma leitura simples e bastante rápida, que dá para entreter um pouco. Como nota de curiosidade, este conto de Murakami, foi escrito em 1989 e posteriormente inserido na sua compilação de 1991, Zō no shōmetsu (O Elefante Evapora-se, na tradução portuguesa).

Escrito por: Carol Louve