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5 mangás de romance sem fanservice

Quase todos nós conhecemos alguém que se recusa a aproximar-se de romances em anime ou manga, ou até mesmo de toda a cultura relacionada com esta temática, com o argumento que é tudo “fanservice”, uma desculpa para mostrar o corpo feminino em primeiro plano. A verdade é que existem muitos mangás que acabam por se focar bastante no “fanservice”. São os chamados “ecchi”, expressão que significa “H”, de “Hentai”, palavra usada para situações de teor sexual. Não tendo nada a apontar contra este género ou contra quem o lê, a verdade é que nem todos os romances são assim. De facto, existem inúmeros romances Shoujos e Joseis que destroem este estereótipo, visto serem feitos para um público predominantemente feminino.
Hoje trago-vos cinco mangás românticos “shonen” e “seinen” (ou seja, feitos para audiências masculinas adultas) mas que não são “ecchi”, para todos aqueles que queiram dar uma chance a um romance mas com a garantia de que o corpo feminino não seja exposto de modo a ocupar metade da página sem razão aparente.

Nisekoi, de Komi Naochi


Para introduzir este manga, convém começar por esclarecer que ” harem” representa todo um género de romance que se foca no facto de um rapaz ser cobiçado por várias pessoas do sexo oposto. Por vezes este tipo de manga pode focar-se em personagens interessantes e nas variadas relações que são estabelecidas entre elas; outras vezes, contudo, são o cenário perfeito para que uma personagem tropece e esbarre com a cara no peito volumoso de uma senhora, enquanto as mãos acidentalmente tocam nos glúteos de outras duas com as hilariantes repercussões daí decorrentes.

O primeiro mangá desta lista que hoje vos proponho segue o formato standard de um harém com uma excepção: é desprovido de qualquer “fanservice”. Nisekoi é um manga de Komi Naochi que foi publicado na famosa Weekly Shonen Jump desde Novembro de 2011 até Agosto de 2016. Conquistou bastante sucesso dentro do género romântico, conhecendo também uma adaptação em anime.

Nisekoi conta a história de Raku, um rapaz que prometeu casar com uma rapariga quando ambos eram crianças, mas que não se recorda com qual de três o terá feito. A maior parte do decorrer da história reside então na relação entre ele e as suas três amigas: Onodera, a sua paixão desde há muito e que, secretamente, também gosta de Raku; Marika, uma rapariga que desde cedo se dedicou a tudo fazer para poder casar com Raku, e Chitoge. Chitoge é filha do líder de um gangue e, para evitar uma guerra com um grupo de Yakuzas, é forçada a fingir que namora com o filho do líder desse mesmo grupo, filho esse que é precisamente Raku.

Koe No Katachi, de Yoshitoki Ooima


Koe no Katachi, também conhecido como A Silent Voice, foi originalmente publicado como um one-shot no início de 2011. Na altura teve uma recepção extremamente positiva, chegando mesmo a vencer alguns prémios. Como consequência, acabaria por ser editado na revista Shonen Magazine desde Agosto de 2013 até Novembro do ano seguinte. Foi também posteriormente adaptado para um filme com o mesmo nome, no ano 2016.

É um pouco difícil não nos deixarmos comover pela história deste mangá, que nos conta as vivências de Nishimiya, uma rapariga surda, que é vítima de bullying acabando por ter que mudar de escola. Acompanhamos também a história de Ishida, a pessoa que mais a perseguia, mas que acabaria por se arrepender de tudo o que fez.

A maior parte da trama acontece quando estas duas personagens se voltam a encontrar e Ishida vê, finalmente, uma hipótese de compensar Nishimiya por tudo o que anteriormente lhe fez. É um mangá não muito longo, com 64 capítulos, que merece ser lido muito pela mensagem que tenta transmitir aos seus leitores.

School Rumble, de Jin Kobayashi


O tempo não foi muito justo com School Rumble já que esta comédia clássica, publicada originalmente entre Outubro de 2002 e Julho de 2008, e também adaptada para anime em 2004, não é muito falada nos dias de hoje. Todavia, isso não impede que continue a ser tão hilariante agora como o era há 16 anos.

School Rumble segue principalmente duas personagens: Harima Kenji, que está apaixonado por Tenma Tsukamoto, e esta, por sua vez, está apaixonada pelo peculiar Ouji Karasuma. Estas três personagens, no entanto, são apenas a ponta do iceberg do mapa romântico e fantasticamente inusitado que é School Rumble.

À medida que a história avança, vamos conhecendo cada vez mais personagens, sendo cada uma mais peculiar que a outra e cada uma com a sua paixoneta. School Rumble não tem por isso uma história complexa, muito pelo contrário: é altamente episódica e concentra-se mais em nos fazer rir e entreter do que em qualquer outra coisa. Para quem quer algo mais relaxante e está a precisar de uma boa comédia, esta é a escolha ideal!

Komi-san Wa, Comyushou desu, de Tomohito Oda


Traduzido para “Miss Komi is bad at Communication”, esta é o mangá mais recente desta lista, tendo começado a ser publicado em Setembro de 2015 e não tendo ainda terminado.

Komi-san é considerada uma deusa silenciosa na sua escola, bela, esperta, perfeita em todos os sentidos… Ou assim parece quando analisada do lado de fora. A realidade é que Komi é silenciosa apenas porque não tem qualquer capacidade de falar com as demais pessoas.

O simples facto de pensar em fazê-lo deixa-a num terrível estado de ansiedade e, por isso, não tem nenhum amigo verdadeiro. A primeira pessoa a aperceber-se disto é Tadano que, quando toma consciência do problema promete a Komi que a ajudará a ter 100 amigos. Contudo, Tadano esqueceu-se do pormenor que ele próprio também não fala com muitas pessoas. Komi-san Wa, Comyushou desu. é tão adorável como hilariante. No entanto, Tomohito Oda sabe como escrever momentos bastante comoventes pelo meio os quais, apesar de raros, nunca parecem fora de lugar.

Solanin, de Inio Asano

Inio Asano é, na minha opinião um dos melhores escritores que já tive o prazer de ler. Talvez mais conhecido pelo seu “Magnum Opus”, Oyasumi Punpun, a verdade é que o autor tem outros mangás também de grande qualidade, como é o caso deste de que agora vos falo. Solanin, publicado entre Junho de 2005 e Abril de 2006, é um pouco diferente dos restantes mangás desta lista. Em primeiro lugar é um “seinen” em vez de um “shonen” e, em segundo lugar, a trama começa com um casal que já vive junto.

A história é precisamente sobre esse casal, Meiko e Tanada, que têm agora de começar a adaptar-se à dura realidade de serem adultos. Trata-se acima de tudo de um drama, mais do que qualquer outra coisa, mas honesto na sua execução.

O dilema que os personagens enfrentam entre seguir os seus sonhos ou ter uma vida estável, tentar descobrir a felicidade dentro de si mesmos mas simultaneamente lidar com o stress que advém das responsabilidades inerentes a trabalhar, ter uma casa e, consequentemente, ter de abdicar de certas coisas. Solanin não é tão negro e pessimista como Oyasumi Punpun, mas não deixa de chamar a atenção para o problema do stress no quotidiano e nos problemas derivados de crescer sem quaisquer medos. Em 2010 foi também lançado um filme de live-action, o qual segue fielmente o mangá.

Escrito por: Pedro Cabrita

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