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Sabaku no tami

É provável que para a maioria das pessoas que lê manga ou veja anime o nome de Akitsu Saburo (秋津三朗) não diga rigorasamente nada,no entanto este nome é o pseudónimo de um dos nomes mais mais importantes da animação japonesa da actualidade.

Esta identidade “secreta” foi criada em 1969 por Hayao Miyazaki (宮崎駿) quando publicou o seu primeiro manga intitulado Sabaku no tami (砂漠の民, literalmente Povos do Deserto).

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Sabaku no tami tem a sua acção no século XI na Ásia Central na cidade fortificada de Pejite. A história segue as aventuras de Temu, um jovem rapaz que cria ovinos na estepe com o seu pai e que se vê envolvido num conflito étnico na famosa Rota da Seda.

Publicado ao longo das 26 semanas entre setembro de 1669 e de março de 1970, Sabaku no tami foi lançado em forma de história ilustrada (絵物語 – emonogatari) no Shonen Shojo Shinbun, uma publicação que pertencia ao Partido Comunista Japonês.

Neste seu primeiro manga Miyazaki ainda tinha os “vicios” e influência do grande mestre Osamu Tezuka que era um dos grandes contadores de histórias no formato “gegika” (temática com histórias mais baseadas na realidade social e com desenhos mais realistas), onde o texto está separado da imagem, apesar de que em algumas partes Miyazaki progressivamente começa a adicionar os balões dentro das paineis vinhetas aproximando-se mais ao manga que estamos habituados a ler. Conseguimos ver a evolução do estilo de Miyazaki ao longo que o manga vai avançando.

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E é aqui que encontramos as frenéticas páginas que definem Miyazaki como um artista de eleição no mundo da banda desenhada japonesa. Grande parte dos manga da altura eram definidos por um design zen esparso, com alguns painéis largos e abertos em cada página. Miyazaki faz exatamente o contrário; ele usa o máximo possível em cada página. As suas páginas tomam uma tensão frenética, quase cubista, como tivesse encarnado uma fusão de Pablo Picasso com Jack Kirby.

São vários os elementos que encontramos neste primeiro trabalho de Miyazaki, que mais tarde vamos rever e descobrir em obras como Heidi (a clássica série que passou em Portugal no ínicio dos anos 80) ou Lupin III: Cagliostro no Shiro. O design de personagens bem como o guarda-roupa de Sabaku no tami foi também uma enorme influência para Nausicaa (1982–1995), o primeiro grande filme do realizador.

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No processo inverso, o manga continua a expressar uma das temática expressa no filme Horus, O principe do Sol. Na verdade, o manga conta uma história densa e surpreendentemente negra que lida com a devastação causada pela guerra e pela escuridão da natureza humana em situações desesperadas.

Este manga para muitos é considerado como sendo o percurso do primeiro filme de Hayao Miyazaki, Nausicaä, por isso é um dos essenciais para conhecermos a extensa e bonita carreira do maior criador de sonhos japonês. Um livro de leitura obrigatória!

Escrito por: Fernando Ferreira

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