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The Flowers of Evil

Li este mangá na altura em que saiu, mas no mês passado decidi reler porque entre a comunidade do BookTube, o mês de Setembro é dedicado aos trillers. Nem tive que pensar duas vezes para escolher o título que ia ler. A escolha estava feita: Aku no Hana (惡の華), um aclamado thriller psicológico da autoria de Shūzō Oshimi (押見修造) com uma história tão terrível como perturbamente realista.

A série composta por 11 volumes que começaram a ser publicados em 2009 pela editora Kodansha e terminou em 2014. Na versão americana foi publicada pela editora Vertical. O mangá é uma dedicatória do autor a todos aqueles que tiveram uma adolescência difícil.

A história tem como protagonista Takao Kasuga, um estudante ávido pela leitura e em especial à antologia de poemas de Charles Baudelaire titulada “Les fleurs du mal (As flores do mal)”, além disso está apaixonado pela sua companheira de turma Nanako Saeki. Certo dia, levado por um ataque de pânico Takao rouba o equipamento de ginástica de Saeki para sua casa, provocando no dia seguinte um enorme falatório na escola sobre um pervertido que anda a roubar a roupa das alunas.

Esta infeliz cadeia de acontecimento é acentuada quando Sawa Nakamura, uma menina anti-social com um comportamento totalmente psicótico, conhece o segredo de Takao e aproveita a situação para fazê-lo cair numa espiral de chantagem que o obriga a cometer atitudes cada vez mais estranhas. Toda esta situação gera um triângulo obsessivo entre os três jovens: Saeki, Takao e Nakamura. Eles vêem-se envolvidos numa cadeia de eventos onde a pouco e pouco vão arruinando as suas vidas.

Os três protagonistas de Aku no Hana têm personalidades muito diferentes e que facilmente os poderíamos separá-los em bons, maus e regulares.

Nanako Saeki seria a pureza, a personagem boa. Muito popular na sua escola pela sua beleza, acções e boas notas. Por outro lado, Sawa Nakamura é o oposto. Ninguém da turma fala com ela, é distante, fria, más notas, insulta seus professores. Um caso perdido, a rebelde impossível de domar.

E no final temos Takao Kasuga no meio das duas meninas, que presumo que o autor pretente demonstrar o meio termo. Embora possamos dizer que Takao é semelhante a um qualquer adolescente japonês comum (tanto fisicamente como na sua personalidade), sua mentalidade não é tão saudável quanto parece à primeira vista.

O desenho de Shūzō Oshimi é simplesmente espectacular. Sentimos o lado denso, obscuro e psicótico dos personagens através das expressões faciais que o autor utiliza nos seus desenhos. As páginas duplas também ajudam a reforçar o ambiente de toda a história que parece cada vez mais elaborada e cativante ao mesmo tempo que nos vai mostrando o mais puro mal dos personagens principais nas vinhetas ao longo das páginas.

Aku no Hana é uma obra com um ambiente mais adulto e bizarro onde somos levados a conhecer o pior que a humanidade tem no seu interior, e por esse motivo aconselho a lerem esta obra prima, apesar de não ser um mangá para todos os públicos.

Quem já leu esté mangá pode sempre “atacar” na nova série do autor que ainda está sair no Japão e que tem o título de Happiness, esta editada pela Kodansha Comics (US).

Escrito por: Fernando Ferreira

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