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Enka

Trata-se de um estilo musical japonês, que consiste na junção de sons próprios da cultura tradicional nipónica, em comunhão com melodias ocidentais, essencialmente de origem americana e terá surgido entre as Eras Meiji e Taisho.

A designação Enka, (演 – “actuar” / 歌 – “canção”), formou-se primeiramente durante a Era Meiji, no começo do século XIX, enquanto expressão de discórdia política, uma forma de opinião contrária à do regime existente nesta época. Por volta de 1874, fundou-se o primeiro partido político japonês, contudo, os integrantes deste partido não tinham permissão de discursar em público, razão pela qual começaram a transformar os seus discursos políticos em algo atraente e de fácil compreensão para o público em geral, e nada melhor do que uma canção, para transmitir a mensagem pretendida.

Com o passar do tempo, a visão política que outrora o caracterizou, foi desaparecendo, embora tenha sido igualmente o despertar da sua expressão lírica, que se julga remontar ao “Waka”, uma forma tradicional de poesia japonesa e canção tradicional, uma vez que ambos comportam traços poéticos, sendo o estilo Enka, o primeiro a sintetizar as melodias nipónicas com as ocidentais, originando assim, um estilo muito próprio.

O conceito que hoje existe desenvolveu-se nos inícios do século XX, ou seja, no auge da música contemporânea japonesa, todavia, envolve raízes que remontam a alguns países asiáticos, entre eles a República da Coreia, reminiscências que ainda hoje vão persistindo.

No entanto, importa não confundir com a música tradicional e o folclore japonês, que são bem mais primitivos que o Enka, tratando-se este último de uma balada, uma junção de música moderna ocidental com um toque nipónico.

No Japão, este estilo tornou-se um grande sucesso, sobretudo durante os anos 50, do século XX, com o cantor Hachiro Kasuga. Contudo, a grande explosão ocorreria com o aparecimento da indiscutível “Rainha do estilo Enka”, a cantora Hibari Misora. Tendo começado a sua carreira muito jovem, rapidamente se tornou numa espécie de heroína do Japão pós-guerra. Desde então nunca mais deixou de trabalhar até falecer em 1989.

Também na mesma altura surge-nos outro dos grandes nomes que este estilo já conheceu, Chiyoko Shimakura (1938–2013). Durante os anos 60 nasce uma nova estrela chamada Keiko Fuji, que também se tornou famosa devido ao seu casamento com o cantor de Enka, Kiyoshi Maekawa. Todavia, não contente com o seu casamento, muda-se para os Estados Unidos, desistindo da sua carreira artística. Anos mais tarde voltaria a casar-se, tendo uma filha que se tornaria um dos maiores ícones da música Pop japonesa, Hikaru Utada.

É um estilo que, apesar de se diferenciar de outros mais populares e modernos é possível encontrá-lo com alguma frequência em músicas de séries de TV, de filmes, de novelas japonesas, entre muitos outros universos. Até aos anos 90 teve grande audiência num programa anual de final de ano, “NHK Kouhaku Utagassen”, em que as equipas de branco, representavam o género masculino e as de vermelho, o género feminino, disputando ambas a vitória.

Durante a última década do século XX, o Enka começa a perder popularidade também devido à morte de Hachiro Kasuga, em 1991. Como os temas tradicionais de Enka já não eram tão apreciados entre os jovens japoneses e face à popularidade do estilo J-Pop e da música ocidental que começava a invadir os media, as vendas começaram a diminuir.

Neste estilo que mistura a tradicional música japonesa com as melodias ocidentais é possível encontrar presente, palavras de melancolia, aludindo ao sofrimento, com as lágrimas, as lembranças, ou a separação, e também à própria bebida, o saquê, transmitindo a sensação de mágoa e dor. Por outro lado, surgem igualmente referências à terra natal, ideia de saudade e ao mar, entre outras.

No Enka usam-se instrumentos ocidentais, combinados com os de origem japonesa, como o caso do shamisen, koto, e dos tambores taiko, que de forma moderada, surgem em determinados momentos, conferindo assim, um som muito próprio. Pode-se encontrar também o violão e os instrumentos de orquestra, que são em geral o principal acompanhamento.

Este estilo divide-se ainda em duas partes: Yonanuki maior, consistindo em canções tranquilizantes que se destinam mais aos homens, e o Yonanuki menor, que tende a ser o oposto, ou seja, mais sentimental e emotivo, com nuances de desespero, pelo que se adequa mais às mulheres.

Neste estilo musical, destacamos ainda nomes como: Akemi Misawa, Eiko Segawa, Fumiko Utagama, Harumi Miyako, Kenji Niinuma, Mitsuko Nakamura, Naomi Chiaki, Reiko Izuhara, Saori Hara, Tsuzuko Sugawara, Yuuko Oka, entre muitos outros, que têm tido um importante papel na sua divulgação e manutenção, pois apesar de não ser muito falado atualmente, vai sobrevivendo.

Escrito por: Mia Matos

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