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[ENTREVISTA] : Hoppy Kamiyama

É um dos músicos com mais carisma e trabalho realizado por terras do Sol Nascente. O ClubOtaku esteve à conversa com Hoppy Kamiyama um músico enorme com mais projectos musicais do que a nossa idade e com mais de meio milhar de discos editados (a solo, em bandas, produção ou remisturas). Fica então aqui a entrevista a este senhor da música japonesa e se não conhecem nada dele depois de lerem a entrevista procurem no youtube alguns dos seus projectos.

Antes de começarmos a entrevista quero agradecer-te pelo tempo que disponibilizaste para esta entrevista. Para a maioria dos portugueses o nome de Hoppy Kamiyama é praticamente desconhecido, por isso a primeira pergunta é: Quem é Hoppy Kamiyama?
Hoppy Kamiyama é um mensageiro que veio transmitir as vibrações do universo através da música.

O nome Hoppy não é japonês é sim uma alcunha e com uma história engraçada. Podes contar-nos como apareceu o nome de Hoppy?
Hoppy é uma bebida alcóolica japonesa barata e acessível. Foi há uns quarenta e dois anos atrás, quando a bebi pela primeira vez. E o líder da banda de rock onde estava deu-me esta alcunha.

Quando é que começaste a tocar? E porquê escolheste os teclados?
A primeira banda que formei foi quando tinha 14 anos. Na altura tocava baixo. Mais tarde, quando tinha 16 anos, um amigo pediu-me para tocar teclados e entrei nessa banda como teclista.

Já tens uma longa carreira musical e com uma vasta discografia, Mas como todos os jovens que gostam de música querem ter as suas bandas. Que bandas tiveste na tua juventude?
Na verdade, tenho cerca de 200 álbuns dos quais participei na minha editora e na área underground, mas se incluirmos o material J-pop que produzi, organizei e apresentei, diria que há mais de 500 discos. Comecei a ouvir pop e rock ocidental nao rádio aos 7 anos, mas só comecei a dar mais atenção à música aos 12 anos e foi com o rock progressivo. Tubular Bells de Mike Oldfield, Dark side of the moon dos Pink Floyd e o Close to the edge dos YES foram discos muito empolgantes para mim.

Ao mesmo tempo, ouvia música clássica, que comecei a ouvir desde criança, e adorava ouvir Bela Bartok, Maurice Ravel e Sergei Prokofiev. Por esse motivo aos 20 anos conseguia escrever partituras orquestrais sem qualquer dificuldade graças a ouvir música clássica desde criança.

Além de músico penso que também começaste a carreira de produtor nos anos 80. Porque decidste também começar a produzir outros artistas?
Juntei-me aos Katsuya Kobayashi & No. 1 Band quando tinha 23 anos, e foi nessa altura que o líder da band, Katsuya Kobayashi, pediu-me para produzir o álbum. Foi este o meu primeiro álbum que produzi.

Depois disto decides criar a tua própria editora. a GOD MOUNTAIN RECORDS em 1993 bem como outra mais direccionada para o ambiental, a GOD OCEAN in 1995. Podes recomendar alguns dos artistas que lançaste nestas duas editoras?
A razão pela qual comecei a God Mountain foi porque, na época, havia alguns grandes artistas da cena underground, mas não havia uma editora para lançá-los, então decidi criar uma editora e decidi lançar uma séries de grandes artistas e discos que achei serem bons. Os primeiros álbuns do catálogo foram: “Optical-8”, “Ground Zero”, “Koenji Hyakkei”, “Tipographica”, “Demi Semi Quaver” e “Altered States”.

A God Ocean é uma editora de música ambiente. Inicialmente foram lançados dois álbuns para exposições e desfiles de moda em Tóquio. Durante o hiato da editora God Mountain, lancei três discos entre 1999 e 2000 sob o nome de God Ocean, embora não fossem música ambiente, e por isso usei uma editora diferente.

Trabalhaste com tantos e diferentes artistas como por exemplo Bill Laswell, Marc Ribot e Damo Suzuki. Quando trabalhas com eles és tu que os escolhes ou foram eles que te escolheram?
O Marc Ribot estava numa banda comigo em Nova York no início dos anos 90 como versão nova-iorquina do projecto Optical-8, e nos anos 90 eu tinha um colectivo com um grupo de cineastas americanos chamado The POOOL. Estive uma longa temporada em Nova York, e por isso toquei em muitos lados e gravei com muitos músicos no centro da cidade de Nova York.

Com o Damo Suzuki foi fácil porque ele vem frequentemente vem ao Japão para fazer espectáculos ao vivo, e o álbum com Damo Suzuki foi gravado ao vivo e lançado por uma editora polaca.

Por falar em colaborações. Tens alguém com quem gostasses de trabalhar quer a produzir os discos quer a tocar junto?
Gostava de ter trabalhado com Ennio Morricone e Henry Mancini porque adoro música para filmes, e com o Gabriel Yared é um dos meus músicos favoritos, então adoraria gravar com minha unidade experimental. O músico de jazz Pharaoh Sanders, que influenciou-me no passado, é outro músico com quem gostaria de colaborar.
Além destes adoraria colaborar com a Lina Raul Refree uma cantora portuguesa.

Tens editados mais de 200 discos, mas um dos meus discos preferidos é o Exa Pieco 運命のアリア onde “brincas” com a música clássica. Como surgiu a ideia para este disco?
Eu adoro música clássica desde que era criança e já há muito tempo queria fazer um álbum de covers interessante e único. Então criei um colectivo de música experimental chamado The SABOTEN, para poder desconstruir e desenvolver algumas das minhas peças clássicas favoritas. E decidimos gravar um álbum.

E falando de música clássica, soube que um quarteto de cordas checo tocou umas peças clássicas tuas. Como é que isso aconteceu?
Foi num Festival de Música na Bélgica em 2015. O quarteto de cordas interpretou algumas peças minhas nesse Festival. No ano seguinte fui convidado para o Festival de Música para uma actuação a solo e também actuei com a Orquestra Reve D’elephant.
Já agora digo que em 2008 dei um concerto a solo num grande teatro em Praga (República Checa), juntamente com outros projectos como os MAGMA.

Em 2016, foste convidado para o ARS MUSICA (um grande festival de música) em Bruxelas, na Bélgica. Como referiste anteriormente tocaste a solo e também com a Orquestra Rêve d’éléphant. Como foi a experiência?
O Festival Ars Musica de Bruxelas em 2016 também teve um grande destaque no Japão, com espectáculos de Toru Takemitsu e outros artistas japoneses convidados. Alguns desses artistas foram Keiji Haino, Ryoji Ikeda, Yoshihide Otomo e eu. Os meus espectáculos a solo contaram com a presença de fãs franceses, belgas e até portugueses de Lisboa. Com a Orquestra Rêve d’éléphant, foi espectacular e espero voltar a tocar com ela num futuro próximo.

Sei que estás sempre a trabalhar (a solo ou em colaborações). Podes adiantar-nos quais são os proximos discos que vais lançar e novos projectos?
Ainda este ano espero lançar, Birgit, uma dupla com o baterista dos Zen Geba, depois um novo álbum de Masataka Fujikake. Em Julho lancei o disco A world apart, do projecto Daimonji (eu mais o Tatsuya Yoshida) e em Outubro lançaremos 3 discos. Também para vai sair um vídeo no Youtube com o Toshinori Kondo (trompetista), e em Novembro outro vídeo mas agora com a Carmen Maki (cantora).

Estou ainda a preparar uma nova versão do disco “A Meaningful Meaningful Meaninglessness” para sair no próximo ano pela editora americana Red Color e ainda estou a trabalhar no novo disco a solo.

Falemos agora um pouco sobre ti e os teus gostos. Além da música claro, o que mais gostas de fazer nos teus tempos livres?
Eu moro numa ilha chamada Hachijojima, que fica a 300 km ao sul de Tóquio. Por aqui há muito mar, montanhas e natureza, e o simples facto de estar lá dá-me um efeito curativo e permite-me meditar. A minha maior felicidade é estar na ilha e estar em contacto com a natureza e conviver com os animais.

Outro aspecto que sabemos é que dás muita importância ao carácter social e humanitário. Neste momento, estáa a apoiar uma escola de música para alunos que não querem ir à escola. Como nasceu este projeto da prefeitura de Shizuoka?
É uma escola gratuita chamada “Dream Field” na cidade de Hamamatsu, província de Shizuoka. O diretor da escola também é um activista social contra o governo e os “mass media”. A sua filosofia é a mesma da minha campanha, então tento participar nas apresentações ao vivo e nas gravações que ele organiza.

O site do Clubotaku tem uma forte presença na cultura japonesa mais pop. Também lês manga ou viste anime quando eras mais jovem? Quais eram os teus preferidos?
Em minha casa, comprar e ler manga era proíbido. Por isso o único contacto que tinha era quando via ocasionalmente anime na televisão: Ultra Seven, Mighty Jack, Thunderbird, Kaiki Daisakusen, Giant Robo, Magma Ambassador e outros.

E então podes recomendar aos nossos leitores escritores japoneses ou realizadores que gostes?
Os meus escritores favoritos são: Yasutaka Tutsui e Shinichi Hoshi. O o meu realizador favorito é o Yasujiro Ozu. Eles são mesmo espectaculares!!

Já estiveste alguma vez em Portugal? O que conheces sobre o nosso país?
Claro que estive. Portugal é o meu país favorito. Há dois anos atrás estive uma semana em Lisboa e em Ponta Delgada. Espero fazer um espectáculo em Lisboa muito em breve. E quando o fizer quero que sejam vocês a promovê-lo.

Bem estamos a chegar ao fim da entrevista e para terminar queria pedir-te para deixares uma mensagem aos nossos leitores.
Quero que todos oiçam a minha música e vejam os meus espectáculos e viajem pelo espaço. Porque vocês já tem o bilhete.

Entrevista por: Fernando Ferreira

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