Veio da China, mas não se sabe ao certo a data da introdução deste instrumento no Japão, contudo consta que na era Nara (Séc. VIII) já existiam composições tocadas com este objecto musical. O shakuhachi era tocado como parte das cerimónias e práticas do Budismo Zen, além de ser o instrumento preferido dos sacerdotes peregrinos.

No início do período Edo (Séc. XVII) surge a escola Kinko, que sem perder os aspectos religiosos, passou a utilizar o shakuhachi puramente para a música. Há cerca de cem anos surgiu uma nova escola, a Tozan. Nestas duas escolas existem algumas diferenças na técnica de execução dos instrumentos, e até mesmo na estrutura, como a colocação do quinto orifício numa posição mais abaixo.

Este instrumento de sopro feito do caule de bambu com orificios e de estrutura simples: um bocal, o corpo de bambu e cinco orifícios. Apesar de ser um instrumento simples as suas medidas são rigorosas. O comprimento mais comum do instrumento é de 1,8 shaku (1 shaku = aproximadamente 30 centímetros).

São estas as três shakuhachi mais conhecidas e tradicionais:

RYUTEKI (龍笛)

Literalmente traduzida como (“flauta dragão”), a Ryuteki é uma flauta soprada em sentido horizontal, e é um dos três instrumentos usados em Gagaku, a música clássica Shinto associada à corte imperial japonesa. Diz-se que o som do Ryūteki representa o som dos dragões que sobem aos céus entre as luzes celestiais (representada pela sho) e os povos da terra (representada pelo hichiriki), as outras duas flautas.

O Ryūteki é tocado em posição horizontal, tem a forma de cano de bambu defumado com cerca de 40cm de comprimento e um diâmetro interno de 1,3 centímetros. É enrolado em casca de bétula tem sete orifícios.

HICHIRIKI (篳篥)

Instrumento de sopro, uma espécie de flauta, semelhante a um pequeno oboé japonês feito de bambu de 17–22cm de comprimento e com uma embocadura de dupla palheta. Tal como a Ryuteki é também utilizado Gagaku, simbolizando os povos na Terra.

Actualmente também é muito utilizado na celebração das núpcias, nos casamentos de confissão xintoista. Segundo alguns musicólogos defendem que o instrumento foi trazido da China no século VII.

SHO (笙)

Foi introduzido da China durante o período Nara (AD 710-794). O instrumento é composto por 17 tubos de bambu delgado, embora apenas 15 deles emitam som. Dois dos tubos são silenciosos, mas há quem defenda que foram usados em algumas músicas durante o período Heian.

O som é produzido pelo mesmo princípio que o órgão e é denominado no Ocidente de harmónica de boca ou flauta de pã. O Sho é um dos três instrumentos de sopro primários utilizados no gagaku (雅楽, lit. “música elegante”), um tipo de música clássica japonesa que foi apareceu inicialmente na Corte Imperial em Quioto há vários séculos atrás.

Existem ainda mais tipos de Shakuhashi, no entanto, o Ryuteki, o Hichiriki e o Sho são as “flautas” mais conhecidas e as mais abundantes pelo arquipélago japonês.

Escrito por: Fernando Ferreira