As Mori Girls (森 ガール) são uma subcultura urbana japonesa, embora tudo nelas diga o contrário. A palavra “Mori” significa Floresta em japonês, e as Mori são raparigas da floresta, que parecem saídas de contos de fadas nos seus vestidos soltos, estampados “vintage” e acessórios curiosos.

O termo surgiu em 2006 na rede social japonesa Mixi, ganhando fama e popularidade até hoje. As revistas de moda aproveitaram-se do crescente movimento e rapidamente fizeram editoriais exóticos com modelos japonesas e ocidentais, e actrizes como Yuu Aoi – que participou no filme Honey & Clover (ハチミツとクローバー Hachimitsu to Kurōbā) desse mesmo ano, como Hanamoto Hagumi (花本 はぐみ), uma artista dotada que é claramente uma rapariga Mori. A revista Spoon fez um editorial completamente dedicado às Mori Girls na edição de Março de 2010, no entanto, a revista de referência é a Papier.

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As Mori Girls escolhem viver as suas vidas nos seus próprios termos, e param para apreciar as pequenas coisas simples que os outros não reparam no meio da agitação da vida diária.
A tendência Mori segue as pessoas que gostam de natureza e que olham para si próprias como pertencendo a ela, renunciando ao rebuliço, stress e consumismo tipicamente citadino em prol de uma vida mais saudável com passatempos mais relaxantes, em que caminhar em zonas arbóreas como os parques está no topo destes passatempos.

Interessam-se pelo multi-culturalismo mundial, adoram viajar, visitar lojas de roupas e livros em segunda mão, museus étnicos e têm um gosto particular por leitura, fotografia do meio natural e rural, e música alternativa (céltica, folclórica, instrumental, ou simples sons naturais).

É fácil identificar uma Mori, ela é em si própria toda a beleza natural e tons da terra. Preferem incorporar estampados florais nos vestidos, com tecidos naturais – como o algodão, linho cru e a lã – de tons térreos (castanhos, verdes), pastéis e quentes. As peças de roupa são largas, confortáveis e em camadas, usam muitas vezes tricotados: gorros, ponchos, xailes, cachecóis, luvas; e, claro, sapatos de sola rasos ou botas de cano baixo/médio com atacadores. Mas são os vestidos que trazem uma sensação extravagante para o olhar.

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Os acessórios são muito modestos: fitas de cabelo ou bandeletes simples, pulseiras e colares de cabedal macio ou crocheteados com missangas, anéis e brincos pequenos e subtis. A maquilhagem vai de pouca a inexistente e preferem usar penteados e cortes simples.

A marca Wonder Rocket viu nesta tendência potencial comercial sendo hoje a referência entre as jovens Mori. O site WikiHow ensina as jovens aspirantes a Mori a sê-lo em 12 passos, para além de dar dicas e avisos, mas dá erróneamente a revista Spoon como leitura de referência máxima, essa é a Papier (acima escrito). De facto, a Spoon é uma das revistas mais lidas, mas não para as Mori Girls e sim para as Mori Gyaru (sim, elas são diferentes).

Para um estilo de vida que já perdura há quase 8 anos, apenas recentemente se viu a classe masculina a juntar-se às Mori e adoptar o seu estilo de vida e as suas variantes, enquanto que as congéneres europeias e americanas já o fazem desde há muito.

As Variantes
Mori será sempre Mori, pode mudar-se o exterior mas não o estilo de vida, e menos ainda o amor pela Natureza. E dentro das Mori conhecem-se pelo menos quatro categorias:

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❖ Numa Girl – Numa significa pântano, uma variante das Mori em que abraçam o estilo “por todas as razões erradas” e considerada subversiva. Desta variante quase nada se sabe, não existem fotografias mas pensa-se que em termos de moda usem o mesmo; rumores dizem que ao serem questionadas sobre o seu estilo a resposta dada andará perto de “Quem nos chama de raparigas? Não somos de todo raparigas. As pessoas costumam dizer que nos arrastámos para fora de um pântano ou saímos do fundo de um poço”.

❖ Dark Mori – uma variante algo gótica, onde as cores dos tecidos se tornam mais sombrios mas sem perder a essência da tendência, e em que o estilo de vida se torna mais negro e intenso. Onde, se uma Mori gosta de caminhar pelas clareiras da floresta, a outra prefere caminhar por entre os ramos secos e mortos das árvores onde a luz mal consegue passar. É o lobo para o cordeiro, a bruxa para o elfo dos contos de fadas.

❖ Natural Mori – Quando olhamos para a Mori dizemos que esta se parece com alguém que vive na floresta, já com alguém do estilo Natural Key dizemos que esta vive na aldeia ao lado da floresta, ou numa cabana rústica no meio de uma clareira. Existe uma maior abundância de cores, padrões e materiais no vestuário e inspira-se em histórias como “Uma casa na Pradaria”, “O Jardim Secreto” ou “Anna dos Cabelos Ruivos”.

❖ Mori Lolita – esta variante é similar ao Dolly Kei no uso de tecidos vintage e de modelos estruturados próprios da Lolita clássica. No entanto, o uso das cores térreas e de padrões florais suavizam a palete rígida da Lolita e dá-lhe uma inclinação mais natural. A Lolita Mori também usa peças como fios e colares com relógios e chaves pendentes.

Quando o termo “Romantique Girlish” é usado para descrever as Mori, é às variantes Natural Key e Lolita a que se refere. Existe ainda uma versão Mori das Gyaru. Das Mori Girls nasceram duas outras subculturas urbanas, que, sendo diferentes e muito mais urbanas, partilham aspectos importantes no seu estilo de vida: as Yama Girls (as montanhistas), e as Oji Girls (as “avózinhas”). Delas falarei em próximos artigos.

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Mori Girls ou Mori Gyaru?

A primeira questão que passa na nossa cabeça quando pensamos no assunto é “mas girls ou gyaru não significam o mesmo?”. A resposta já é conhecida pela maioria de nós: Sim, ambos os termos significam exactamente o mesmo, até porque a última é uma adaptação linguística da primeira, em suma um inglesismo. E falando estilisticamente, é sobejamente conhecido que as Gyaru são uma tendência por si só em todas as suas variantes. Mas não no presente caso.

As Mori são o completo oposto das Gyaru. De facto, as Mori detestam ser comparadas às Gyaru, em especial às Mori Gyaru (森ギャル), com quem são constantemente confundidas – as revistas, e as marcas que publicitam, certamente não ajudam, pois não lhes é conveniente – e acham ser não só uma pobre imitação da sua tendência, como um autêntico insulto ao seu modo de vida.

Inicialmente, em 2009, as Gyaru adoptaram os vestidos frescos e largos das Mori para uso no Verão japonês, que é muito quente e húmido, e acabaram no ano seguinte por adoptar o guarda-roupa Mori na sua quase totalidade, mas não por uma questão de comodidade.

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Enquanto a maioria do estilo Mori gira em torno de um tom natural, geralmente bege, onde a chave é manter a aparência arejada e leve, e uma vida sem complicações, as Mori Gyaru parecem ter-se – em algum ponto das suas vidas – fartado de serem marginalizadas pela sociedade, adoptando um estilo mais discreto que o seu mas continuando a serem verdadeiras consigo próprias e ao seu estilo de vida citadino, pois não se coíbem de usar peças de vestuário ou acessórios de marca, e não desistem do bronzeado artificial, dos penteados ou da maquilhagem completa ainda que sejam muito mais simples e leves por comparação ao o que uma Gyaru usa por norma.

Embora a Wonder Rocket seja a loja de referência das Mori, as Gyaru preferem fazer as suas compras na Liz Lisa, Ma*rs, La Pafait e na Rakuten: DreamV.

As Mori apreciam as pequenas coisas da vida e desligam-se do meio urbano para poder estabelecer uma ligação com a natureza. E mais depressa encontramos uma Mori a bebericar chá num espaço calmo do que a sua versão Gyaru.

Escrito pot: Cláudia Andrade