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Rumo a Akihabara

Ao contrário de outras cidades do Japão, Akibagahara (秋葉が原), mais conhecida pela abreviatura de Akihabara (秋葉原) possui uma história muito própria, e está localizada na província de Chiyoda, em Tóquio, no Japão.

A região fazia a ligação entre a antiga Tóquio (Edo/Yeedo, designação proveniente do século XVII), servindo de ponto de contacto com o restante Japão, o que dotou a cidade de grandes artífices, comerciantes e até mesmo samurais.

Com a destruição da cidade provocada por um incêndio na segunda metade do século XIX, em 1869, a população residente resolveu criar um espaço diferente, substituindo os antigos edifícios por um local sagrado, um santuário chamado “Chinkasha” (que significa santuário da extinção do fogo), por forma a prevenir a ocorrência de desastres semelhantes na região.

O seu nome provém assim da existência de um templo dedicado a uma antiga divindade do elemento fogo, pelo que, a sua designação é uma espécie de homenagem, e ao mesmo tempo uma forma de manter a memória dessa deidade apelidada de “Akiba”, “viva” na história e na cultura locais, e que serviria igualmente de abreviatura ao nome da localidade.

No final dos anos 90 do século XIX até ao início do século XX a região desenvolveu-se bastante, conhecendo novos caminhos. Nos anos 20 com a abertura da Estação de Akihabara ao transporte público, o espaço ganhou um novo folgo, tornando-se um ponto de passagem de pessoas e bens mercantis.

Após o período da II Grande Guerra tornou-se um lugar principalmente dedicado ao comércio de eletrodomésticos e produtos eletrónicos, tornando-se num centro de empreendedorismo.

Atualmente é uma cidade vocacionada para a cultura pop japonesa, desde vídeo jogos, anime, manga, computadores, e com um número infinito de “Maid Cafés”, que podem ser encontrados um pouco por todo o distrito, desde a zona Oeste da Estação até à zona Norte.

Contudo, a cidade não possui somente este lado dinâmico e de carácter iterativo ligado ao merchandising e ao marketing, infelizmente os meios urbanos podem esconder igualmente, situações ligadas ao “submundo”, como a que ocorreu dia 8 de Junho de 2008, quando foi palco de um terrível massacre, cometido por um indivíduo que conduzindo um camião de forma descontrolada, acabou por abalroar a população que se encontrava pelas ruas, esfaqueando em seguida as que encontrou pela frente, resultando em sete mortos e dez feridos.

Inocentes morrem todos os dias às mãos de seres maus, impiedosos, cruéis e sanguinários. Infelizmente é impossível prever este tipo de acontecimentos e por incrível que pareça, até mesmo no Japão, um país aparentemente calmo e pacífico não está livre deste tipo de situações.

No entanto, quando acontecem crimes, o que se pode esperar em resposta é que a justiça seja rigorosamente cumprida e os culpados sejam devidamente julgados e condenados, o que de facto aconteceu, pois o Departamento Metropolitano de Polícia de Tóquio prendeu o suspeito que foi sentenciado à pena de morte por tentativa de homicídio, pela Corte do Distrito de Tóquio, no ano de 2011, e cuja sentença foi revalidada em 2012.

O Japão não “dorme em serviço” e uma das suas preocupações será sempre a manutenção da ordem, da estabilidade e da segurança do seu país e dos seus cidadãos, pelo que, apesar da possibilidade de sucederem ocorrências destas, a vivência humana flui e corre normalmente, quer pela cidade de Akihabara, quer pela restante nação.

Com o desenvolvimento do Japão e com a sua abertura ao ocidente, sem nunca perder as suas raízes tradicionais e ancestrais, a cidade tornou-se uma espécie de “carimbo” da Cultura Otaku, desde a arquitetura envolvente, projetada propositadamente com o objetivo de divulgar esse género de propaganda, das lojas, dos Cosplayers, dos lançamentos, dos eventos que conectam os fãs deste “estilo de vida” e dos seus criadores favoritos, quer mangakas, produtores de animação, e até mesmo bandas de música, que diversificam as movimentadas avenidas de Akihabara, formando ao mesmo tempo um elo de ligação entre toda a comunidade.

O distrito é também favorável à promoção de obras amadoras e também do surgimento de futuros artistas, como os Dōjinshi (同人誌), que têm crescido imenso desde os anos 70 do século XX até aos nossos dias, competindo paralelamente com as grandes obras existentes à venda nos principais mercados.

O estilo Otaku (おたく) tem tido deste então uma grande projeção por todo o mundo, estando presente em diversos países como os Estados Unidos (desde os anos 70 e 80), o Brasil (desde os anos 80) ou até mesmo em Portugal (desde os anos 90).

Para quem gosta desta “forma muito própria de vida”, não pode perder, quem sabe no futuro, caso tenha possibilidade de viajar até ao Japão, de poder conhecer, visitar e ver in loco o “Universo Akihabara”.

Escrito por: Mia Mattos

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