Seis estrelas descerão… Astros das sombras que traíram os céus. Antes que os fios do destino se enlacem, deverás ter o teu próprio destino. Em nome de quem morreu, adoptaras uma criatura. Ignora o que é o bem e o que é o mal, mas faz rodar a roda do destino que aguarda o reino celestial. Seis estrelas se reunirão e acabarão com o reinado do céu.
Com esta profecia proclamada por Kuyoh, oráculo e sacerdotisa real, inicia e resume-se R.G. Veda. Esta serie decorre num mundo totalmente fictício, dominado pelas artes mágicas e em que tudo está escrito no destino, que só poucos podem prever, mas não alterar… Ou talvez sim?
As seis estrelas de que se fala, fazem referência ás seis personagens que se vão revoltando contra a tirânica ditadura imposta pelo imperador Taishaku. Este grupo de renegados está composto pelo rei dragão Ryu, a general do oeste Karura, que se revolta após o assassinato da sua irmã Kariohbinga (As CLAMP inventam com cada nome para as suas personagens ^_^U) nas mãos do próprio imperador, a grande lutadora Soma que terá que enfrentar a sua protectora, também os acompanha a guardiã do este Kendappa, a qual exerce o seu poder com o nome de Jikoku. Todos estes personagens são importantes, mas os verdadeiros protagonistas do manga são Yasha e Ashura. Yasha é o rei do clã dos Yasha, o qual é destruído por cumprir com a profecia. Por sua vez, Ashura é uma pequena rapariga, ultima descendente com vida do clã dos Ashura, uma família de semideuses, sedentos de sangue e destruição.
Esta serie está concebida a partir de um guião bem elaborado, no qual as relações entre personagens e os seus interesses duplos estão sempre impregnados de contradições, mantendo a intriga até ao último volume.
Durante grande parte da obra, vemos Ashura como uma inocente e terna rapariga pequena na qual prevalece o sentimento de culpa (No seu interior alberga um grande poder, um poder que solto podia destruir o mundo). E é precisamente este poder e as ânsias de Taishaku por dominar o mundo que dá lugar a todos os desastres que rodeiam Ashura. Mas como dizia o guião, após 9 volumes tendo Taishaku como o malvado antagonista dos nossos heróis, no decimo e ultimo todo é que damos conta que a sua extrema crueldade está totalmente justificada. O que Taishaku pretendia era que Ashura, a deusa da destruição não chegasse a acordar. Tão estranha é a história, que Ashura numa reminiscência do seu alter ego como Ashura criança, decide sacrificar a sua vida para salvar o seu protector Yasha, e deste modo acaba ela mesmo com a profecia, mudando o destino do mundo.
Para terminar, direi que R.G. Veda pertence ao grupo de mangas das CLAMP catalogadas como séries, entre as quais se encontram Clover ou X, em clara oposição a outras grandes obras das CLAMP como Magic Knight Rayearth ou Card Captor Sakura por exemplo.
R.G. Veda faz gala desse estilo sério das CLAMP, caracterizados por figuras muito estilizadas e um pouco andrógenas e de vinhetas carregadas pelos detalhes fortes ou pelo uso exagerado de tramas. Característico é também o uso da tinta, de um traço muito fluido, no qual o negro cobre uma grande importância, chegando a cobrir grandes superfícies. Nota-se a falta dos típicos S.D das CLAMP, mas o estilo deste manga não os admite… Mas quem necessita deles realmente?
Autor:Bruno Pinto
