Last Exile é a ultima das três séries que foram a minha escolha para este Verão. A OST, assinada pelos Dolce Triade, tem muito factores positivos. A primeira, e muito agradável surpresa, é a inclusão de tanto o Opening e o Ending na sua versão completa, nomeadamente “Cloud Age Symphony” de Shuntaro Okino e “Over The Sky” por Hitomi Kuroishi, ambas excelentes. A segunda, é que ha mais faixas vocais que as já citadas. Finalmente, vem o extremo cuidado no mastering sonoro – enquanto que nas anteriores OST aqui revistas o som é reproduzido de uma maneira classica e “central”, aqui o trabalho estéreo é levado a sério, e mais do que o normal pan ou efeito de reverbação ocasional, as faixas são na sua maioria expansivas, num efeito orquestral muito agradável.
Ora, bem, mas curiosamente, este é a OST que me agrada menos. Sim, muitas faixas são excelentes. Mas há uma série de pequenos defeitos, que me impedem de recomendar este titulo imediatamente. A começar pelas outras faixas vocais adicionais, como a “Flying in the Air” – uma mistura estranha de eco super-reforçado com um engrish um bocado caótico. Toda a gente soa melhor com um bocado de eco, mas chega ao ponto do efeito ser um exagero – com “skyriting” sendo a ofensa máxima. Outro problema é um certo pastiche de temas classicos – é um mal necessário, suponho da musica ter uma inspiração europeia – e por vezes soar como um album de “pan pipes” – um gosto adquirido. O ultimo problema, e menos grave, é o facto da organização do album ser um pouco menos equilibrada que os anteriores que ouvi. Basicamente, o album está divido em três secções, agrupadas em generos (por exemplo, os temas militares estão todos agrupados). Se bem que não seja invulgar, torna-se aborrecido ouvir tres faixas semelhantes de enfaixada, mesmo que sejam genialmente compostas (e estas são).
Bem, com as minhas criticas fora do caminho, vamos aos pontos positivos. Na primeira secção, a musica é de uma inspiração europeia, com instrumentos de sopro e cordas, e alguns usos curiosos do cravo. Um certo apego a temas americanos, tambem, principalmente o “To the Race”, que começa com uma familiar marcha militar a toque de flauta. Algumas faixas começam completamente puras e acabam por ter um estranho background musical electrónico (como em “Working on the Cloud”) – uma espécie de Penguin Café Orchestra encontra-se com Air. As faixas vocais são acompanhadas por harpa (“Prayer for Love”), ou por piano (“Requiem in the Air”) e apesar do que disse anterioremente, são bonitas, se bem que ocas. A segunda fase é curiosa, porque começa com uma das faixas mais originais, “Cover Stories”, que começa num tom quase solitário, para passar a um alegre tom jazz, quase tropical. “Hello, little Kitty Girl” lembra um bocado as contruções musicais do “Quebra Nozes”, ou mesmo o “Pedro e o Lobo”, num tom demarcadamente infantil. Finalmente a secção orquestral. Há uma larga selecção de escolhas, mas vou realçar a “Naval Affair” pelo tom duro da marcha – diria mesmo emocionante. Há uma ultimo conjunto de musicas, um bocado estranhas, que eu chamaria de musicas de evento. A primeira é relacionado com a musica “skywriting”, que é er, uma peça de rock anos 60 do mais clássico que pode haver, com um eco desnecessário e um engrish de bradar aos ceus. A segunda é Silverna, um orquestral com um estranho toque hispanico. A terceira é Vanishing Point, uma obra baseada em cordas muito tensa… e acaba com “Vanishing Point”, que é uma das faixas orquestrais mais inòcuas de todo o album – longe de ser um climax.
Apos isto tudo, que dizer? Principalmente se já se viu a série, Last Exile OST é uma banda sonora competente, contem optimo valor pelo preço (a capa é muito bonita, já agora) e vale, nem que seja pelas versões completas da abertura e fecho, e por algumas preciosas joias no album.
Autor:Nuno Antunes
