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Final Fantasy X

Cada lançamento de um jogo da série “Final Fantasy” é um verdadeiro acontecimento entre os adeptos dos video-jogos, sobretudo porque os programadores da Square esmeram-se para que cada novo título eleve mais alta a fasquia da espectacularidade e proficiência técnica associada à plataforma onde o jogo é lançado. “Final Fantasy VII” ganhou notoriedade por constituir a estreia da série na consola Playstation, inaugurando de forma espectacular a era tridimensional nos RPG’s. Sendo o primeiro título “Final Fantasy” para a Playstation 2, o 10º título da série carrega nas costas uma carga pesada de expectativas. Será que “FInal Fantasy X” oferece aos jogadores uma experiência à altura da consola em que corre?

A resposta é sim. “Final Fantasy X” é um autêntico espectáculo cinemático oferecido aos proprietários da consola da Sony, um caleidoscópio deslumbrante de cenários paradisíacos, animação perfeita, personagens deslumbrantes e uma história épica e cativante. Porém, por baixo de toda esta espectacularidade, continua a existir o mesmo paradigma de jogo que tinha o primeiro título da série, publicado 14 anos antes. Apesar dos inúmeros avanços da tecnologia em videojogos, o jogador continua a ter controlo limitado do decorrer da história e a ter que lidar com os mesmos aspectos irritantes de sempre, tais como sejam os encontros aleatórios com monstros e a necessidade de “treinar” os personagens durante horas seguidas para conseguir bater alguns dos adversários mais difíceis. O conceito de verdadeira interactividade parece continuar, como desde há muito, a escapar aos criadores japoneses, em detrimento da componente cinemática.

Independentemente disso, os verdadeiros fãs parecem não se importar com este aspecto em particular da cultura RPG japonesa. “FF X”, à semelhança dos seus últimos predecessores, aposta na sua história para fazer passar a sua mensagem. E a história é…

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Tudo parece correr bem a Tidus. Afinal de contas, ele é a estrela dos Zanarkand Abes, uma das melhores equipas de Blitzball, e é adorado e idolatrado por milhares para onde quer que vá. Mas tudo muda quando a cidade de Zanarkand é atacada por uma gigantesca entidade chamada Sin, que destrói tudo por onde passa. Apanhado por Sin, Tidus vê-se transportado misteriosamente para uma estranha terra com o nome de Spira, um lugar onde Zanarkand é uma ruína do passado, e onde predomina o culto ao deus Yevon, ao qual o povo entrega as suas preces de protecção contra Sin. É aí que Tidus se junta à missão de Yuna, uma jovem sacerdotisa de Yevon e invocadora, que parte numa peregrinação com o objectivo de, como o fizeram muitos invocadores antes dela, derrotar Sin e oferecer a Spira uma nova época de paz. Com a ajuda dos seus guardiões, Yuna pretende melhorar as suas capacidades ao longo do caminho, até, no fim, ser capaz de fazer a Última Invocação, a única técnica capaz de deter Sin.

Se esta história parece demasiado linear, podem acreditar que é. Fora as previsíveis reviravoltas do enredo, o jogador de “FF X” seguirá do princípio ao fim a peregrinação de Yuna e dos seus guardiões, reunindo aliados e novos poderes ao longo do seu percurso. É claro que são as reviravoltas que dão interesse à história, mas a Square, desta vez, excedeu-se na arte de limitar a escolha ao jogador em termos de percurso de jogo: o grau de liberdade é extremamente limitado e apenas atingido perto do fim do jogo, pelo que a componente exploratória é quase não existente. Em vez disso, o jogador é submetido a labirintos e puzzles relativamente simples, tendo como único objectivo, em cada fase da viagem, chegar de uma ponta a outra de cada cenário, findo o qual quase sempre nos espera o tradicional “boss du jour”, cada vez mais forte e feio.

É desta forma que em “FF X”, ao contrário de outros RPG’s na tradição japonesa, a importância dada ao habitual “mapa-mundi” é quase nula, servindo apenas (e mal) para ver a quantas é que Yuna e companhia vão.

Como qualquer RPG japonês que se preze, “FF X” mete grande ênfase nos embates com os monstros que aparecem pelo caminho. Como de costume nesta série da Square, a sua presença é anunciada pela aleatória (e irritante) transição para um ecrã de luta, onde confrontamos os nossos adversários.
Como também é costume em “FF”, cada título introduz algumas variações nas lutas, as quais, contudo, não são suficientes para dissuadir o jogador de que está a assistir a um sistema de jogo criado numa época em que as máquinas de jogos ainda eram extremamente limitadas em termos de interacção.
Desta vez, lutam 3 dos personagens do nosso grupo de cada vez, com a possibilidade de trocar a qualquer momento o personagem activo por um dos que ficou de fora. Também não existe tempo de limite para determinar a acção do personagem, para alívio dos que valorizam mais a estratégia do que a destreza digital.

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A nível de jogo, talvez a inovação mais interessante deste “FF X” seja o seu sistema de evolução de personagens, o qual confere um grau de liberdade muito cativante na modelação das características dos nossos heróis. A evolução de cada personagem é acompanhada numa espécie de labirinto de esferas ligadas entre si, no qual cada esfera concede o melhoramento de uma determinada característica. Neste sistema, os tradicionais pontos de experiência ganhos depois de cada vitória concedem a possibilidade do personagem se deslocar neste labirinto, podendo o jogador escolher o caminho a seguir, e por consequência, as esferas a “pisar”.

Em suma, “FF X” constitui uma estreia promissora para a série na Playstation 2, e uma evolução significativa no que diz respeito aos parâmetros de apresentação e cinematografia em vídeo-jogos. Porém, não oferece muito de novo em termos de paradigma de jogo, permanecendo o conjunto um pouco opaco a jogadores novos ou ocasionais. Recomendado absolutamente a fãs da série e a quem gosta de ser deslumbrado com gráficos quase fotorealistas e animação fora de série. Porém, quem nunca antes se envolveu em RPG’s, não é aqui que vai descobrir o gosto. Para esses, talvez seja mais recomendável começarem com um outro título da Square, que não vou mencionar aqui, mas cujo nome começa com “K” e acaba com “ingdom Hearts”. Quem quiser que apanhe a dica.

Autor:João Rocha

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