Present day… Present time… É esta a frase que aparece em todos os episódios, informando-nos que os eventos são contemporâneos, que ocorrem nos dias de hoje, no tempo actual e que chegaram ao climax da era da informação, da informática, das amplas comunicações, dos experimentos seriais e principalmente, chegou a era de Lain.
Foi produzida pela Pioneer LDC e Triangle Staff (a mesma de Tenchi Muyo e Mahou Tsukai Tai! TV), direcção de Ryutaro Nakamura, textos de Konaka Chiaki (que também escreveu para Armitage III e Bubblegum Crisis 2040), e o design ficou por conta de Yashitoshi Abe (Niea 7 e Haibane Renmei). A série estreou no segundo semestre 1998 em horário nocturno (01.30a.m), rendendo 13 episódios.
Tudo começa numa noite calma numa cidade japonesa, carros nas ruas, pessoas caminham na avenida, semáforos funcionando, casais beijando-se e uma adolescente caindo do céu… É assim que tem início o anime Serial Experiments Lain, com o suicídio de uma colegial chamada Chisa Yomoda, que saltou do cimo de um edifício, deixando claro nos seus e-mails enviados aos colegas de sua escola, que não precisa do corpo para viver e que continua viva agora que está ao lado de Deus, o problema, é que todos receberam essa mensagem após a sua morte. Perturbador, não?
Uma dessas colegas é Lain Iwakura, a protagonista da série, uma miúda de 13 anos, introvertida, fechada e sem muita habilidade com computadores, que após receber esse e-mail e ver aparições da menina morta, passou repentinamente a ter interesse em investigar o mundo virtual, a Wired (uma internet mais ampla e desenvolvida), com seu novo Navi (microcomputador avançado) oferecido pelo seu pai.
A sua família não se mostra muito acolhedora com esta “nova” vida de Lain, sua mãe não manifesta qualquer afeição por Lain, assim como a sua irmã mais velha, apenas o seu pai demonstra alguma preocupação e cuidado em aconselhar sua filha mais nova. Outras pessoas que nutrem afecto por Lain são suas amigas Reika Yamamoto, Juile Kato e especialmente Alice Mizuki (pronuncia-se Arizu Mizuki), que se torna sua melhor amiga e protetora, sempre querendo ajudá-la.
Também há uma diferente Lain que demonstra ter notável habilidade com computadores, apresenta uma personalidade forte e um tanto violenta, fazendo nos perguntar se realmente essa é a mesma Lain que conhecemos anteriormente. E ainda deparamos com uma certa divindade virtual. Deus?
Com o desenrolar da série, acontecimentos estranhos começam a afectar o quotidiano de Lain. Após uma ida à discoteca Cyberia, pessoas se matam e são mortas; homens vestidos com ternos pretos passam a monitorar sua vida e também entra em cena um grupo hacker chamado Knights, cuja intenção é desconhecida. Ao mesmo tempo, outros mistérios surgem e acontecem ao redor de nossa personagem principal enquanto interage na Wired e no mundo real a procura de respostas.
Serial Experiments Lain é sem dúvida um anime intrigante, repleto de personagens marcantes e contendo uma história de alto conteúdo, que mescla ficção com o real e ainda acaba por inserir uma análise da sociedade formada a partir da introdução da tecnologia no mundo actual. Outro facto que chama atenção é a qualidade na animação e as cenas que sempre destacam fios elétricos e sobras, na sua maioria, marcadas com sangue.
Também a banda sonora de Lain se destaca pela enorme qualidade de musical, fazendo com que ela seja uma das melhores OST de séries de anime, em especial para o tema de abertura, que ficou a cargo da banda BoA com a música Duvet.
Pode parecer um bocado confuso o enredo da história, daí a necessidade de assistirmos mais vezes, para nos ser mais fácil entendermos alguns factos desta complexa trama.
E das poucas coisas que podem não agradar ao telespectador, é sua narrativa um pouco lenta e o facto de mesmo após os 13 episódios ainda restarem muitas perguntas que não são respondidas ou que são deixadas em aberto. Mas isso não impede de ser uma série que fascina e atrai todos que a assistem, tornado-se um anime imperdível para os fãs do género.
Autor:Raphael Deway
