Final do período Edo (1603-1868). Decorre o 1º ano da era Genji, 1864. Ichimura Tetsunosuke é um pequeno miúdo de 15 anos que se vê confrontado com o assassinato dos seus pais por um membro do clã Choshu, ficando assim marcado por um destino ao qual não pode voltar costas.
É deste modo que começa a história de Peace Maker Kurogane, que estreou nos ecrãs japoneses da TV ASAHI a 7 de Outubro de 2003, tendo terminado há recentemente pouco tempo, a 24 de Março de 2004. Ao longo dos seus 24 episódios, a série apresenta-nos uma série de personagens já bem conhecidas por alguns de outros animes como por exemplo Rurouni Kenshin. É claro que me refiro aos membros dos Shinsengumi, em especial a Souji Okita e Saitou Hajime, já conhecidos de Rurouni Kenshin.
Tetsunosuke tenta a todo o custo juntar-se aos Shinsengumi com o simples propósito de se tornar mais forte e vingar a morte dos seus pais, matando aquele que tanto medo e ódio lhe incutiu no passado. No entanto Hijikata Touzou, um dos comandantes dos Shinsengumi, não aceita tal decisão, visto que os Shinsengumi não querem recrutar alguém cujo o desejo é a sede de vingança. Tetsunosuke não desiste da ideia, receando apenas o facto de que para se tornar num demónio tal como Hijikata lhe dissera, vai ter de magoar pessoas e também a oposição do seu irmão mais velho Ichimura Tatsunosuke. Deste modo, Tetsunosuke vai acompanhar Hijikata e Okita, juntamente com o resto dos Shinsengumi nas suas diversas campanhas ao longo do final do período Edo, travando uma amizade especial com Kitamura Suzu, um rapaz da sua idade, o qual Tetsunosuke desconhece as suas ligações.
PMK à primeira vista pode parecer-se um anime que apresenta diversas semelhanças com Rurouni Kenshin, o que nem é de todo mentira se o analisarmos bem. Ambos remetem para períodos históricos, ambos têm personagens que de facto existiram (excepto o facto que não deveriam ser bem iguais a nível físico e psicológico), ambos têm cenas cómicas e violentas. Contudo diferem num aspecto, PMK vê as coisas pelo lado dos Shinsengumi, RK dá-nos a perspectiva do lado dos revolucionários.
Em PMK acompanhamos os Shinsengumi, se bem que numa perspectiva a modos que divertida, os seus membros são na maioria uns foliões, basta ver as peripécias de Harada Sanosuke, Nakagura Shinpachi e Yamanami Keisuke. O próprio Okita parece uma miudita, sempre no seu modo slappy-happy e de volta do seu porquito Saizou, Kondo Isami, um dos comandantes está sempre numa boa, como se estivesse sempre tudo bem. Contudo estes meninos são uns demónios que não hesitam um só segundo em matar qualquer pessoa que se oponha ao governo instituído ou que constitua ameaça para o mesmo. Tetsunosuke no meio deles é o que podemos chamar de puppy tal como eles lhe chamam, pois não só devido à sua estatura mas também devido à sua personalidade cada membro dos Shinsengumi tem uma atitude para com ele, no mínimo curiosa já para não falar nas querelas com Tatsunosuke que são bem cómicas.
O desenho de personagens de PMK bem como a direcção de animação ficou a cargo de Akemi Hayashi, que fez também o desenho de personagens de Fruits Basket TV e a animação do filme de Utena. De um modo geral as personagens são vistosas, principalmente Tetsunosuke, com os seus grandes olhos e um penteado muitíssimo estranho. Deu-se de facto especial atenção às personagens masculinas (talvez pela sua maioria) mas não descurando as poucas personagens femininas como por exemplo Yamazaki Ayumu (Ayu~nee para os amigos), irmã de Yamasaki Susumu (o ninja de serviço).
A nível de cenários, existem semelhanças com RK indubitavelmente e como não poderia deixar de ser. As típicas cidades japonesas da época, os vastos campos verdes, tudo cenários bem presentes nas nossas memórias.
A animação é outro ponto de destaque já que estamos perante de mais um produto saído da Gonzo Digimation. Há um cruzamento interessante de animação 2D com 3D que para muitos pode parecer estranho, mas que na minha sincera opinião resultou bem, embora pudesse ter sido melhor, mas uma vez que o aplicaram nomeadamente nas cenas de luta, até ficou interessante.
No entanto há movimento e rapidez nas lutas em PMK, ao contrário de diversos animes como a título de exemplo Samurai Deeper Kyo, onde as lutas parecem um slideshow, havendo pouquíssimo movimentos das personagens.
No que toca à música, temos Toshiki Kameyama no comando, senhor responsável também pela música do filme Escaflowne e Patlabor WXIII, como exemplos mais sonantes. Num nível geral adequa-se ao ambiente da série, com passagens discretas e outras tantas mais aceleradas especialmente as das batalhas. São bastantes sonantes e agradáveis de serem ouvidas.
A Opening (You gonna feel) e o Ending (Hey Jimmy), deixei aqui para o final pela simples razão que lhes dou o meu total apreço. Foram uma boa surpresa! Ambas são compostas e interpretadas pelos HAV, uma banda de JRock suponho, que desconhecia completamente mas que após esta perfomance em PMK me deixou bastante curioso acerca do seu percurso.
Em suma, Peace Maker Kurogane é um bom anime, tem uma história interessante com alguns filler eps pelo meio, mas dá particular destaque ao desenvolvimento de certas personagens, pelo que não considere isso de todo um filler. No entanto nem tudo são rosas, a série conta apenas com 24 episódios pelo que muita coisa fica no ar (não digo o quê como é óbvio) e ficamos com a impressão que há muito para contar, ainda para mais se estiverem a seguir o manga (ou scanlations). De resto ora vejam! =)
Termos explicativos
Shinsengumi – Grupo ao serviço do governo instituído que visava defendê-lo de ataques de grupos revolucionários. Encarem-no com a polícia de choque da altura.
Edo – Nome da cidade que passou mais tarde a chamar-se Tokyo.
Genji – Nome do imperador que reinava na época. Por norma os Japoneses usam o nome do imperador e o ano do reinado nestes termos.
Choshu – Clã de revolucionários, basicamente eram contra o governo instituído na altura e organizavam campanhas contra o mesmo.
A maioria das personagens desta série que fazem parte dos Shinsengumi, são de facto baseados em personalidades reais que fizeram parte do período Edo e da história do Japão.
Autor:Pedro Soares
