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Dossier: Forbidden Siren

Este jogo vai mudar a maneira que as pessoas têm de encarar os jogos de video. Antes de começar a detalhar este impressionante Forbidden Siren, gostava de referir que o anúncio que se divulgou nas televisões japonesas sobre este jogo foi imediatamente retirado uma semana depois deste ter iniciado a sua emissão. Isto porque segundo algumas fontes, o anúncio era demasiado medonho, apesar de este durar aproximadamente uns 10 segundos.

Forbidden Siren, foi lançado Japão uns meses antes deste natal que passou, e chegou agora ao continente europeu. Produzido pela SCEI(Sony Computer Enterteinment Inc.), Forbidden Siren é um jogo de terror diferente de todos os outros jogos de produzidos até hoje.

Numa primeira análise, e olhando para as imagens que se vêm em revistas podemos pensar que estamos perante um jogo semelhante a Silent Hill, no entanto as semelhanças são poucas, como por exemplo o nevoeiro e os ruídos que os “mortos-vivos” produzem quando passamos perto deles.

Neste jogo vamos controlar 10 personagens, não controlamos nenhum herói com “super poderes” nem nada parecido. Aqui controlamos personagens normais, médicos, estudantes, etc.

A história é contada em diferentes situações vividas por cada uma destas personagens. É importante referir que estas situações muitas vezes acontecem ao mesmo tempo no seu contexto narrativo.

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Forbidden Siren é um jogo inovador em quase todos os aspectos e veio renovar por completo o género de terror. Não é apenas um jogo de terror, não se trata apenas de nos assustar com ruídos ou com a escuridão, mas sim com o realismo das situações. Neste jogo não podemos andar a correr pelo cenário e disparar contra tudo o que se mexe, a personagem corre, mas devemos andar devagar para não sermos detectados pelos inimigos. A única maneira de sobreviver em Siren é fazer o mínimo de ruído possível, para isso muitas vezes em alguns locais temos de andar abaixados e utilizando o mínimo de vezes possíveis a lanterna que em alguns momentos as nossas personagens possuem. Como foi dito, controlamos ao todo 10 personagens, umas tens armas, outras não, o mesmo acontece com a lanterna.

Um aspecto que me parece interessante é a combinação jogabilidade e realismo que normalmente nunca é bem conseguida, no entanto os japoneses sempre foram bons em combinar estes dois factores essenciais num jogo PS2.

Este aspecto significa que tudo o que vemos é real, não só os cenários, mas sim os movimentos da personagem ou seja andar e correr como na realidade, mas sem que isso nos estrague a jogabilidade.
Normalmente as produtoras fazem com que as personagens nos videojogos corram ou saltem mais do que na realidade, isto para dar uma jogabilidade agradável. No entanto a SCEI, conseguiu produzir uma boa jogabilidade sem fugir ao realismo, tal como já o tinha feito em ICO, realismo no que diz respeito a esta interacção com o ambiente do jogo e não propriamente em relação á temática.
A experiência de jogo é aterradora, visto que olhamos para os cenário, notamos por vezes polígonos, mas não nos podemos esquecer de que se trata de um cenário inteiramente em 3D, e mesmo assim, a fluidez de movimentos é soberba, tal como em ICO.

Gráficos

Embora não pareça, nota-se algumas semelhanças gráficas com o ICO. É provável que a SCEI tenha usado uma versão melhorada deste motor gráfico. De qualquer forma, é apenas uma suposição pessoal.

Muitos jogos usam o nevoeiro para esconder cenários, ou seja, para poder permitir o que o CPU faça um desempenho excelente do cenário que esta próximo da nossa personagem, sem que se preocupe com coisas afastadas, escondendo com o nevoeiro. Bom, isso em Siren não acontece, porque nem todos níveis têm nevoeiro, além disso, mesmo naqueles níveis onde existe nevoeiro, podemos fazer zoom, e acabamos por poder ver coisas ao longe. E tudo bate certo. São cenários reais, nunca existe cintilação. De facto surpreende em todos os sentidos. Tudo o que vemos esta em 3D verdadeiro com detalhes fantásticos. Os gráficos não têm a mesma definição que Silent Hill 3, mas não nos podemos esquecer que o motor gráfico de Siren permite fazer zooms a qualquer tipo de objecto, podemos girar a câmara para onde quisermos, isto tudo com uma fluidez constante. Um factor que também impressiona são as arvores.

É de facto impressionante imaginar como o estúdio da SCEI conseguiu colocar em alguns cenários do jogo uma grande quantidade de árvores e em total 3D. Mas não só as árvores impressionam, também, as folhas no chão, o desenho das personagens a fluidez e o movimento realista dos nossos protagonistas e dos inimigos.

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Não nos podemos esquecer que as arvores são objectos que requerem uma elevada utilização de polígonos. E isto requer uma gestão cuidada de objectos a correr em cenário ao mesmo tempo. Normalmente os estúdios tentam evitar o desenho de árvores em 3D no jogos, sejam jogos de corridas ou jogos de acção/aventura. Quando colocam árvores, por exemplo em jogos de corridas, normalmente não as colocam em 3D, mas sim planos a 2D num cenário 3D. Mas em Siren, são completamente a três dimensões, tal como tudo o que vemos á nossa volta.

Também impressionante é a definição das personagens. Se nos aproximarmos de uma personagem que esteja parada, por exemplo um companheiro nosso, podemos verificar o nível de detalhe levado ao extremo. Nos inimigos é mais difícil apreciar esse detalhe visto que quando um inimigo esta mesmo de frente a nós, a uma distância muito curta, isso significa que ele nos vai atacar, e nem sequer temos tempo de observar a definição da sua face. E se ele nos ataca, a morte é quase certa. No próprio manual de instruções aconselha-se que só devemos lutar contra um monstro em último recurso.

Banda Sonora

Ao contrario de outros jogos, aqui a banda sonora está sempre presente, mas sem incomodar o jogador, e sem se tornar repetitiva. Esta é bastante discreta, mas se ouvirmos com atenção verificamos que as melodias são incríveis. Fazem-nos pensar nas músicas da série Silent Hill ou mesmo da banda sonora do filme de terror japonês “Ringu”.

As situações que se nos deparam (níveis) são deveras interessantes de resolver. Um aspecto que nos faz lembrar ICO. Não na historia propriamente dita, mas sim na maneira como decorre a passagem dos níveis.

A dificuldade encontra-se entre o normal e o difícil. Apesar de existirem alguns puzzles, estes não são de difícil resolução. A dificuldade encontra-se em conseguir passar pelos inimigos sem que estes nos detectem. Fazer isto e resolver os mistérios ao mesmo tempo, torna-se complicado. Por vezes é muito difícil, porque em alguns níveis não estamos providos de arma, tornando a situação em alguns momentos bastante tensa. É claro que isto também faz com que o nosso interesse pelo jogo aumente cada vez mais.

O Sight-Jacking

Para conseguirmos passar por grande parte das situações temos que usar inevitavelmente o (sight-jacking) que é uma característica que permite que nos ver através dos olhos dos inimigos. Podemos usar isto em todos os elementos presentes, até mesmo na personagem secundária que nos acompanha em alguns momentos. Esta característica é interessante, não só serve para aumentar o clima de terror e ansiedade, mas também é uma nova forma de podermos passar obstáculos. Através da visão dos inimigos podemos saber onde eles se encontram e assim os podemos evitar, mas nem sempre é fácil. Há situações deveras medonhas. Por exemplo existe um nível, onde nos andamos por uma floresta que esta perto de uma estrada, nesta floresta existem uns pequenos caminhos que se cruzam, durante o percurso. Se pararmos e decidirmos utilizar o (sight-jacking) verificamos que existe um monstro que anda por perto de nós, não sabemos bem onde, mas sabemos que faz exactamente o mesmo percurso que nós. E que pode estar perto ou longe. Quando estes estão por perto, normalmente ouve-se um ruído.

Evitar os inimigos é algo essencial visto que numa luta corpo a corpo eles são mais fortes do que nós e rapidamente nos vencem. Existem alguns níveis onde usamos uma arma, e nestes níveis é essencial a sua utilização.

A inteligência Artificial

A inteligência artificial presente nos inimigos é também um ponto impressionante. Uma prova disto é que se fizermos o mínimo de ruído a menos de 10 metros de um inimigo, este rapidamente se apercebe de que estamos por perto, e vem em nossa direcção ver o que se passa. É realmente interessante ver as reacções dos inimigos quando estes nos vêm. Quando um deles nos vê, começam as gritos (loucos) e desatam a correr atrás de nós. O ideal nestas situações é fugir dele e escondermo-nos num local mais ou menos seguro, digo mais ou menos seguro, porque isso quase não existe no jogo.
Não só a inteligência artificial dos inimigos impressiona, mas também a da própria personagem que nos acompanha em algumas situações, tal como fazia a companheira da personagem principal do jogo ICO. Isto é um dos aspectos que tem em comum com o anterior jogo da Sony.

Neste jogo, como disse anteriormente, não existem centenas de inimigos por cada nível, normalmente em cada nível existem no máximo uns 8 monstros, que estão espalhados pela zona onde nos encontramos num dado momento. O contacto com um deles é o suficiente para dizer adeus á vida.

Cada vez que passamos um nível, imediatamente começamos o seguinte com outra personagem num outro local. Ou seja a maioria dos acontecimentos estão a decorrer ao mesmo tempo. Depois de resolvermos a situação no papel de um estudante japonês, vamos tratar de escapar de uma exploração mineira no papel de um velhote japonês armado com uma espingarda. Este é apenas um exemplo, existem no total 10 personagens que vamos controlar durante o jogo. Estas vivem situações e nos vamos entrar no papel de cada uma delas.

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Curiosidades

Pode-se dizer que Forbidden Siren reúne pequenas influências de vários jogos existentes, Metal Gear e Silent Hill. Ás vezes assistimos a situações que nos fazem lembrar cenas de “Battle Royale” um filme do falecido Kinji Fukasaku.

Apesar destas influências Siren é tão inovador que nem sequer vamos pensar noutros jogos de terror. É importante referir que na globalidade o jogo é completamente original.

Para terminar, é de referir que neste jogo a qualidade esta presente em todos os seus aspectos, não existem defeitos possíveis, mesmo nada. Com a produção de ICO e agora com a realização de Forbidden Siren, começa-se a perceber que o estúdio interno da empresa japonesa se preocupa em fazer coisas novas. Poderia mesmo dizer (numa opinião pessoal) que estamos perante um dos melhores jogos da PS2, uma marco que só acontece de tempos em tempos.

A qualidade é apreciada a curto, médio e longo prazo. Apesar das situações de jogo serem tensas e medonhas, muitas vezes temos vontade de voltar a repetir a situação que acabamos de passar. Isto é um factor impressionante, uma vontade de jogar que normalmente os jogos de terror não provocam. Normalmente os jogos de terror apenas nos fazem querer ver o que vem a seguir, no sentido de saber como vai decorrer a historia. Por incrível que pareça, nos podemos jogar Siren sem perceber exactamente o que se esta a passar, podemos jogar apenas por “Jogar”, apenas por entretenimento. Isto é um factor que é bastante importante, mais do que numa primeira analise pode parecer. Claro que a historia é bastante interessante, e no meu entender bastante difícil de compreender, no entanto isto é propositado, pois desta forma provoca ainda sentimos mais interesse pelo que se esta realmente a passar.

Este jogo vem provar a um público generalista (que é o publico alvo desta consola), que só no Japão se fazem jogos pela arte e não só pelo entretenimento, embora este esteja presente em todo o jogo. É impressionante verificar como a SCEI se preocupa em fazer jogos artísticos, e não se preocupa pelo dinheiro fácil. Tenho a certeza de que a Sony sabe que este título não é um jogo que vá agradar milhões de pessoas, e tenho também a certeza de que a Sony fez este jogo não para ganhar toneladas de dinheiro, mas sim para ganhar uma imagem de prestigio como produtora de jogos. ICO (produzido por outro estúdio interno da Sony) é um jogo pouco conhecido, mas que as poucas pessoas que o conhecem, sabem que é um dos melhores jogos desta consola. Quando digo “jogos artísticos” não me estou a referir apenas aos gráficos e á beleza dos cenários, refiro-me principalmente ao facto de que todos os jogos produzidos pelos estúdios internos da Sony, até a data, têm sido diferentes de tudo o que existe. Só esperamos que Siren tenha as vendas que merece, pela elevada qualidade do jogo, e dá para perceber que esta produção não deve ter sido nada barata.

Autor:Jorge Carvalho

One comment
  1. DIOGO

    Muito provavelmente vc jogou apenas algumas primeiras fases. Todas as características citadas na presente análise são realmente verdadeiras, porém o game nos obriga a jogar cada missão no mínimo duas vezes. Por exemplo: numa missão somos orientados a cumprir o objetivo ”a”, se porventura cumprimos também o ”b”(isso quando o objetivo secundário não está bloqueado) este é desconsiderado e somos obrigados a futuramente cumprir OS DOIS novamente quando o game exige que o segundo objetivo seja completado. Concluindo, temos um game com boas qualidades que são estragadas por uma mecânica muito maçante.

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