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Hellsing

Para regozijo de alguns de nós e desânimo de outros, a góticomania está à solta no ocidente – e pelos vistos, no oriente também. Jovens ansiosos de encontrar um sentido para a vida e integração num grupo, colocando quilogramas de base branca no rosto e discutindo sobre o último romance de Anne Rice, podem agora ter a sua dose de vampirismo proveniente da terra do sol nascente – com propostas como “Vampire Hunter D: Bloodlust”, “Blood: the Last Vampire”, e este “Hellsing”.

O cruzamento da sensibilidade nipónica com a mítica vampiresca já tinha sido explorada de forma interessante em “Vampire Princess Miyu”, um título shoujo da década de 90. “Hellsing” foca mais a idéia que os japoneses têm da influência do imaginário gótico na sociedade ocidental, já que toda a série tem como cenário Londres, e recicla a maior parte dos estereótipos que associamos à raça hemófaga, adicionando alguns mais. “Hellsing” é uma série de TV com 13 episódios produzida pela Pioneer e pelos estúdios GONZO, pelo que tem a obrigação de ter uma certa qualidade.


Muitas ameaças pairam, ao abrigo dos olhos do público, sobre a coroa britânica e a igreja anglicana. Mas uma das mais perigosas e menos conhecidas, mesmo pelas altas personalidades dos meandros do poder, é a ameaça vampírica. Quando as aparições de vampiros se tornam mais frequentes na capital do Reino Unido, é a vez da organização Hellsing entrar em acção.

Liderada pela austera Integral Hellsing, a organização conta com uma unidade de soldados especialmente equipados e treinados para defrontar os vampiros e os seus escravos ghouls. Além disso, Hellsing tem do seu lado um poderoso vampiro renegado, Alucard, o qual por motivos misteriosos luta pela humanidade e contra os membros da sua raça.

Para a polícia Victoria Seles, a sua vida torna-se bem mais interessante no dia em que, deparada com o risco de morte iminente, aceita o sangue de Alucard, tornando-se ela própria uma vampira. A partir daí, é integrada como agente especial na agência Hellsing, e apesar de estar a lutar pelos seres humanos, cada dia é uma luta para se manter agarrada à sua própria humanidade.
Será que ela conseguirá conciliar o sanguinário dever de combater vampiros e a sua sede de sangue com a integridade que lhe resta? Ou transformar-se-á ela numa selvática máquina de matar com vida eterna, um espelho do seu mestre Alucard?


Uma premissa particularmente interessante e o carisma do vampiro Alucard são o suficiente para seduzir muitas pessoas para acompanhar esta série.

Contudo, uma vez acabada, o espectador fica em grande parte com uma sensação de vazio acerca de tudo o que poderia ser explorado, e que depois de 13 episódios, não o foi. Pode até ser argumentado que a série apenas narra parte da história do manga bem mais abrangente. Porém, isso é pouco consolo para quem assiste, e no final, o facto das perguntas superarem em número as respostas é suficiente para frustrar muitos.

Graficamente, a série inclui designs de personagens interessantes, mas pouco consistentes. Victoria, em particular, varia constantemente de altura e tamanho de peito de episódio para episódio! As proporções também não são particularmente felizes, mas são susceptíveis de agradar aos mais mamófilos dos espectadores.

A qualidade da animação é competente e superior à média, mas abaixo daquilo a que os estúdios GONZO nos habituaram. O ambiente é escuro e lúgubre, como convém – como em qualquer série de vampiros, a acção desenrola-se quase totalmente à noite.

A ambiência musical parece prometer, ao início – mas depois torna-se um pouco repetitiva e derivativa. As vozes dos personagens principais são competentemente desempenhadas por Orikasa Fumiko (Victoria, Yusuki em “Chobits”, Pacifica em “Scrapped Princess”, Meia em “Vandread”), Nakata Jouji (Alucard, Folken em “Escaflowne”) e Sakakibara Yoshiko (Integral).


Tudo o que seja dito nesta crítica não vai demover os mais indefectíveis fanáticos da cultura gótica e dos vampiros de ver esta série. Contudo, não posso recomendá-la senão àqueles que já tenham lido ou que tenham acesso à manga completa – um grupo do qual, infelizmente, eu não fiz parte.

E talvez seja relevante dizer que, apesar de todas as dúvidas e perguntas sem resposta suscitadas pela série, nunca me deu a curiosidade para adquirir o manga e conhecer o resto da história. Mas talvez o problema seja meu – afinal de contas, não sou doido por vampiros.
Autor:João Rocha

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