O título Hito, que traduzido para português significa pessoa, não diz quase nada aos leitores de manga, mesmo aos mais atentos. Mas se juntarmos o nome do seu criador, Yukito Kishiro, ou a sua obra mais conhecida Gunmn, na versão americana Battle Angel Alita tudo fica mais claro para os fãs.
Este manga que ficou com o nome de “O Homem que Voa” é uma compilação de história curtas publicadas pela Shueisha em 1995. Facilmente reparamos em vários elementos familiares de outros trabalhos de Yukito Kishiro, como por exemplo, a forma dos olhos, o protagonista masculino da primeira história, mas se neste manga não passássemos por uma história cyberpunk em que aparece um típico robot feito de desperdícios, dificilmente poderíamos dizer que estávamos na presença deste autor genial.
O autor aborda diversos temas díspares: a temática do homem conseguir superar tudo para conseguir a felicidade, apesar de enfrentar algo superior às suas forças é um desses temas. Dai Machine (A grande máquina) editado pela Shogakukan em 1989, uma das história de Hito, conta-nos como uma mulher tenta impedir que uma cidade active uma antiga máquina para destruir uma árvore gigante.
Outra história estranha, a de um homem vítima de um afogamento horrível e que fica sem um braço. Obcecado com o que viu no mar e com o que lhe aconteceu decide amputar o outro braço para que lhe coloquem próteses mecânicas.
Existem mais histórias, porém a mais parecida com Alita é Headman, que foi publicada pela primeira vez pela editora Shogakukan em 1989. Desenrola-se num universo muito semelhante onde humanos e andróides habitam um mundo destroçado.
Mas nem todas as histórias são tão profundas e “sérias”, Yukito Kishiro também sabe desenhar narrativas divertidas, como é o caso de Junks, The space Rovers (uma história dividida em duas partes), e editada no ano de 1990 pela Kadokawa Shoten.
Contudo, a melhor história do livro é exactamente a que lhe dá o título, Hito que foi publicado pela editora Kadokawa Shoten no ano de 1998.
Raiburu, protagonista principal desta história encontra numa torre, Toryou uma rapariga com uma característica muito especial: tem asas enormes nas costas mas tem medo de voar, enquanto que o sonho de Raibuu é tocar no céu, e não entende como é que alguém com essa capacidade pode perder essa oportunidade.
Neste trabalho, notamos que o estilo de Yukito Kishiro ainda está um pouco “verde” e por isso torna-se difícil de reconhecer. A coisa muda quando começamos a ler as suas histórias, porque encontramos pequenos detalhes tão caracteristicos dele que fazem com que estas mesmas histórias sejam tão boas.
Para quem gostar do autor ou quiser conhecer a obra anterior a um dos melhores mangas cyberpunk, aqui fica a sugestão.
rEscrito por:Fernando Ferreira
