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Samurai Depeer Kyo

Durante a terrível batalha de Sekigahara, dois poderosos samurais enfrentam-se num duelo mortal: Mibu Kyoshiro e Onime no Kyo (Olhos-de-Demónio) investem um contra o outro sob o olhar atento de um grupo de guerreiros que se ocultam no nevoeiro criado por um ninja. No entanto, antes do encontro decisivo, algo surpreendente acontece; um meteoro surge no céu e cai exatamente sobre os dois, exterminando ambos os exércitos.

Corte abrupto e recomeça a história alguns anos mais tarde: Kyoshiro, agora um pacato vendedor de remédios, segue seu caminho. À beira da estrada, ele vê uma jovem caída, que lhe pede socorro. Movido pela piedade (e pela visão de parte dos seios dela) está disposto até mesmo a aquecê-la com o calor de seu corpo… mas de repente tudo se altera e ele tem à sua frente um revólver de três canos! A bela jovem, Yuya, é na verdade uma caçadora de recompensas em busca da Kyoshiru, aparentemente por causa de alguma dívida.

Subitamente, aparece um Kenyou, um dos demónios surgidos na batalha de Sekigahara, que ataca os dois ferozmente. Quando tudo parece perdido, algo acontece ao pacato Kyoshiro e uma segunda personalidade surge: a do bandoleiro Kyo!

Yukimura, uma das figuras misteriosas que havia presenciado a queda do meteoro, quatro anos antes, aparece e entrega a Kyo a espada que ele havia mantido até então. Com ela, Kyoshiro/Kyo enfrenta o monstro com seu golpe máximo, a “voz do vento” (Kaze no Koe).

Nas viagens de Kyo e Yuya encontram vários sobreviventes da grande batalha, tanto bons como vilões e, descobrem que todas as suas vidas estão ligadas a um complexo emaranhado de interesses políticos e sobrenaturais. Yukimura e seu grupo de ninjas, Benitora e lady Sakuya parecem dispostos a ajudar Kyo e Yuya, mas a história torna-se cada vez mais intrincada, com surpresas a cada passo do enredo. Aqueles que se aproximam deles são amigos ou inimigos? Quais são as verdadeiras motivações de cada um? Kyo é o “mocinho” ou o “bandido”? Quem irá prevalecer, a personalidade de Kyo ou a de Kyoshiro? E quais são os desdobramentos desse conflito, que avançam até o mundo moderno?

Samurai Deeper Kyo tem um “chara design” muito bom e certamente vai agradar a toda a gente (especialmente às meninas pela grande quantidade de bishounen – ou melhor, biseinei, porque a maioria já é adulta). A qualidade da animação é muito boa, apesar de algumas cenas de luta serem um pouco estilizadas demais.
Mesmo assim existem alguns destaques que merecem ser referidos como por exemplo as formas dos monstros que são incrivelmente criativas e alternância de momentos mais introspectivos com as cenas de batalha e perseguições.

Extremamente ricos e cativando-nos facilmente, os personagens são o ponto forte da série. Existem vários “insights” e razões para que isto aconteça… uma delas, o excelente grupo de seiyuu que entram na série. Começando pelo personagem principal Onime no Kyo (Konishi Katsuyuki), que deu voz a Amidamaru em Shaman King, Yuya (Horie Yui), Narusegawa Naru em Love Hina, Benitora (Seki Toshihiko), foi a voz do pai de Asuka em Neon Genesis Evangelion, Yukimura – (Ogata Megumi), uma das seiyuus mais conhecidas que teve como alguns trabalhos importantes as personagens de Ikari Shinji de Evangelion e Yukito Tsukishiro em Card Captor Sakura, e ainda Sasuke – (Ishida Akira), Nagisa Kaoru em Neon Genesis Evangelion.

Outra das razões é a grande expressividade, tanto facial como corporal, das personagens. Todos eles são extremamente convincentes e, seu fino equilíbrio entre cinismo, humor, coragem e esperteza facilmente nos conquistam, fazendo com que até sintamos a sua falta ao final da série, como bons amigos que se vão. Fora isso, a hábil mistura de alusão a factos históricos e acontecimentos fictícios, tanto no passado como no presente, dá à série uma solidez importante.

Outro aspecto da série que está bastante bom é o humor, que é de um “fino” recorte e igualmente sarcástico, fazendo-nos lembrar um pouco Trigun, com personagens declaradamente cómicas e com momentos um tanto ou quanto histrónicos, mas que geralmente estão bem equilibrados.

Mas nem tudo está bem nesta série criada pelos estúdios Deen (Rurouni Kenshin – Seisouhen, Fruits Basket) no ano de 2002. Ao longo dos episódios (26 na totalidade) ficamos com uma impressão que isto não passa de uma espécie de clone de Rurouni Kenshin, já que há tantas coisas parecidas (os cabelos vermelhos do corpo original de Kyo e a dupla personalidade, são alguns dos exemplos). No entanto, isso parece ser realmente apenas uma homenagem à série do “vagabundo” Kenshin. Aliás, se tomarmos atenção à série podemos encontrar referências a outras séries de samurais, de modo que em Samurai Deeper Kyo temos constantemente uma sensação de deja-vú.

Mas isso são apenas momentos isolados e a história toma rumos surpreendentes: cada vez que achamos que estamos a seguir a história, algo acontece e muda tudo, mas de uma maneira agradável e criativa.

Existem alguns “buracos” no enredo geral da história apesar de haver bastantes ideias que, por serem tantas acabam por ficar pouco detalhadas. No entanto, isso não desmerece a série, que deve agradar aos fãs do gênero pseudo-histórico-fantástico.


Autor:Selma Meireles

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