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Hinomaru

Não existe uma data definida para o aparecimento da bandeira nacional do Japão, vários estudos afirmam que a sua origem tradicional remonta a Amaterasu Omikami, que representa a deusa do sol na mitologia japonesa.

O simbolo do sol esteve sempre ligado prefundamente à história do Japão, e em especial à família imperial. O imperador Keiko (séc. I d.C) usava no seu barco como bandeira. A imperatriz Jingo, mulher do décimo quarto imperador, colocou-o em insignias militares como por exemplo nos estandartes de guerra (tessen) e nas bandeiras dos uniformes dos soldados (sashimono).

Por volta do século XII (1180-1185) durante as Guerras Gempei no final do período Heian, já apareciam circulos em panos brancos nas lutas pelo poder entre os Taira e Minamoto (dois clãs de samurais).

Também nessa altura os guerreiros costumavam desenhar círculos solares em leques desdobráveis, conhecidos como gunsen. Estes círculos deram então o nome à bandeira, Hinomaru, é o nome que significa literalmente “Círculo do Sol”.

Nos séculos XV e XVI, quando as altas personalidades militares viviam em esferas de grande influência, o Hinomaru foi amplamente utilizado como insígnia militar. Podemos confirmar esta situação, numa pintura antiga que descreve a batalha de Sekigahara, ocorrida em 1600. Nela podemos ver uma força militar cujas inúmeras bandeiras compartilham o Hinomaru. Apesar do círculo vermelho em um fundo branco ser o mais comum, em épocas passadas também existiam bandeiras com o círculo dourado em um fundo azul escuro.

A utilização do Hinomaru como símbolo da nação japonesa começou com Toyotomi Hideyoshi, no século XVI e Tokugawa Ieyasu no século XVII, através de bandeiras colocadas nos barcos enviados ao exterior. Uma pintura com cenas da cidade de Edo (actual Tóquio) do século XVII mostra uma bandeira Hinomaru sendo usada como símbolo de um navio que transportava o shogun. Durante o período de isolamento japonês (1639-1854), o comércio e qualquer outro tipo de relações com nações estrangeiras, excepto China, Coréia e Holanda, foram proibidos, mas depois de 1854, quando o shogunato Tokugawa começou a comercializar com outros países (incluindo os Estados Unidos e a Rússia), os navios mercantes japoneses fizeram uso novamente da bandeira Hinomaru.

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Em 1854, o shogunato Tokugawa aceitou a proposta de Shimazu Nariakira, do domínio de Satsuma, e ficou decidido que os barcos japoneses usariam “a bandeira do círculo vermelho sobre o fundo branco”, para não serem confundidos com vassalos estrangeiros. A bandeira Hinomaru foi hasteada no Karin Maru, o navio oficial que carregava os oficiais japoneses enviados aos Estados Unidos em 1860.

Por volta do ano de 1868, numa altura que o governo Meiji se estabelece e assiste à perda do poder político do clã Tokugawa, o Hinomaru foi reconhecido oficialmente pelo grande conselho de Estado (Daijokan) em 27 de Janeiro de 1870, como sendo a bandeira oficial do Japão para uso em expedições comerciais.

O Hinomaru foi utilizado em prédios governamentais pela primeira vez em 1872, e a partir desse ano o calendário lunar foi substituído pelo calendário solar. Naquela época, inúmeras famílias de cidadãos comuns e estabelecimentos não governamentais, também expressaram o desejo de hastear o Hinomaru nos feriados. Nos anos subsequentes, o número crescente de notificações e documentos com pedidos semelhantes, reforçou o status do Hinomaru como a bandeira que simboliza o Japão.

A bandeira japonesa é representada única e exclusivamente por um circulo vermelho colocado exactamente ao centro. O diâmetro do circulo é 3/5 da medida vertical, enquanto que a proporção vertical/horizontal é de 2/3.

Mas durante a Segunda Guerra Mundial, existiu uma outra bandeira japonesa que tinha 16 raios que se extendiam do sol até aos quantos da bandeira. Esta bandeira que era hasteada nas bases militares e utilizadas pelos soldados. A bandeira do Sol Nascente, ou também conhecida como insígnia naval, foi banida pelo Tratado de São Francisco, o qual proibia o Japão de ter as suas próprias forças armadas, mas em 1952 começou a ser utilizada para representar as forças de auto-defesa.

Mesmo assim esta bandeira ficou bastante conhecida e até nos dias de hoje ainda permanece no imaginário das pessoas.

Autor:Fernando Ferreira

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