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Ichigo 100%

Ichigo 100% é mais uma série dessa categoria inesgotável chamada “harem anime”. Digo inesgotável porque ao que parece não há maneira de a mesma fórmula parar de ser repetida – e sempre da mesma maneira. Originalmente esta história estava exposta em 167 capítulos de um manga da autoria de Mizuki Kawashita.

Este anime conta a história de um rapazito chamado Junpei Manaka que um dia decide ir para o telhado da escola e , eis senão quando, uma rapariga tropeça nele. O factor curioso aqui é que ele conseguiu ver a roupa interior dela – foi, aliás, praticamente a única coisa que fixou – e a dita estava decorada com morangos. Daí o nome do anime, já que Ichigo quer dizer morango. O resto da série acompanha a vida escolar e amorosa de Junpei que sendo que, durante a primeira parte é mais focada a busca pela rapariga que estava no telhado naquele dia; e depois disso o centro da história passa para a terrível decisão que ele tem de fazer: qual das quatro raparigas é que ele realmente ama? Bem, três, se formos mais honestos.

A série, como podem já adivinhar é uma comédia romântica com pedacitos de echii aqui e ali, apenas para manter parte do público interessada, já que a história não consegue fazer isso. O que me aborreceu na série foi o desperdício de tempo que ela é, quando poderia ter sido muito mais, se a abordagem da premissa inicial não fosse tão básica. Primeiro, ele encontra um livro que pertence a uma miúda bastante estudiosa (maneira simpática de dizer marrona, tímida e com óculos) e nada do género dele, chamada Aya Toujo. A príncipo Manaka achava que era ela no telhado naquele dia, mas depois apercebe-se que de nenhuma maneira uma rapariga tão introvertida poderia usar roupa interior tão sugestiva. Com esta tentativa frustrada, os amigos de Manaka (Komiyama e Okusa) sugerem que a rapariga com as “ichigo pantsu” poderia muito bem ser a rapariga mais popular – e mais bonita – da escola, Tsukasa Nishino.

É aqui que Manaka confessa o seu amor por Nishino – embora eu continue sem compreender como é que é possível a uma pessoa que veja esta série acreditar naquela confissão da mesma maneira que Nishino, já que a impressão com que fiquei é que ele SÓ queria confirmar a história da roupa interior , não havendo ali um grande “amor” pronto a ser confessado. Nishino, apesar da minha relutância, começa a namorar com Manaka, até ao dia em que ambos vão para escolas diferentes.

Ao mesmo tempo que isto acontecia, Aya muda completamente de aparencia, o que provoca a formação de um trio amoroso.
Com a ingressão numa nova escola – e eu omito algumas partes da história para quem ainda esteja interessado descobrir – Manaka fica a conhecer outra rapariga: Satsuki Kitaoji. A principio eles têm uma relação de amor-ódio…ou talvez só de ódio, da parte dela, uma vez que ela o apanhou a filmá-la e pensou que ele era um pervertido. Com o andar da história, Satsuki é mais uma adição ao leque de raparigas que partilham espaço no coração de Manaka…embora seja a história “de amor” mais interessante de toda a série, a meu ver. Finalmente, enquanto Manaka se junta ao Clube de Filmes (desculpem se esta tradução parece tonta) e tenta perceber quem é que ama, Minamoto, uma amiga de infância de Manaka, aparece aqui e ali a dormir na cama deste e ainda não consigo entender como é que ela se encaixa no quadrado amoroso – sim, acabei de inventar isto – porque a relação dela com Manaka é apenas de uma espécie de irmã mais nova malandra.

A minha opinião sobre esta história é simples: a história é demasiado banal e desinteressante, e cansa imenso o malabarismo de relações : num episódio ele está mais perto desta, noutro mais perto daquela, etc etc. Há “harem animes” mais bem conseguidos com o mesmo tipo de história, garanto-vos (até na versão manga desta história as coisas parecem melhores).

Em termos visuais, devo mencionar que Ichigo 100% não impressiona. Mesmo nada. Provavelmente vão-me queimar viva por não gostar da animação desta série e louvar a animação de Azumanga Daioh, por exemplo, mas digo-vos: para um anime com uma história tão banal, eu esperei encontrar excelencia noutros campos. Nem isso. Há uma distorção de proporções corporais só comparavel a 70% dos hentais criados até hoje (e acrescento que este factor é importante por causa do caracter echii da série) , para além do que muitas vezes parece que as personagens ficam paradas, só mexendo a boca. E todo o estilo, apesar de não me desagradar, não me cativa nem um bocado.

Quanto aos genéricos (inicial e final) têm músicas engraçadas, mas nada de especial , e o mesmo se passa com as vozes – são adequadas, mas nada mais que isso. A banda sonora não é muito elaborada, e passa bastante despercebida.

Sobre as personagens digo que são todas, à excepção de Nishino – na minha opinião – tipos já muito usados nas histórias de anime (e sobretudo nos “harem anime”) nada trazem de novo. Manaka é um rapaz que levaria um par de chapadas se algum dia me aparecesse à frente pois nunca vi personagem mais invertebrada na minha vida, além de se repetir a fórmula do rapaz-que-está-dividido-mas-só-se-mete-em-situações-embaraçosas. A mesma repetição é característica marcante na Aya e Satuski : uma é a menina tímida que secretamente ama mas serve sempre de boa amiga, nunca revelando nada sobre o que realmente pensa; outra é a rapariga agressiva, sensual e destrambelhada que acaba por gostar do personagem principal. Ah, e Minamoto é “a amiga de infância”…acho que nem sequer preciso de acrescentar o quão previsível é a sua personagem. Apenas Nishino, como já tinha mencionado mais acima, me surpreende, porque é muito adulta. De todas, é a única que encara as relações de forma mais pragmática, e que idealiza menos a situação em que está. Nem falo dos personagens secundários porque são iguais a todos os personagens secundários de séries de anime que se passam numa escola.

Portanto, e se não me esqueci de nada, concluo apenas que não voltaria a ver isto e que se soubesse como era a série não a tinha visto. É uma espécie de fórmula 1: o tempo passa e a história anda às voltas, às voltas, às voltas e quando acaba parece que ficámos na mesma. Contudo, mas se há alguém aí que gosta mesmo MUITO MUITO MUITO (x1000) deste género de anime, até pode ser que esta série vos agrade.
Autor:Mafalda Melo

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