Após o sucesso de Video Girl Ai em formato manga (com 15 volumes não se pode dizer o contrário), rapidamente se deu a conversão para animé em 1992, num total de 6 episódios.
Não posso falar sobre a versão animé sem fazer quaisquer referências à versão manga da história criada por Masakazu Katsura caso contrário estaria a deixar de lado aqueles que já leram a manga e que DEVEM ver a versão animada. No entanto, estejam descansados que não basearei a minha crítica em comparações.
Para os que já leram a manga, os 6 episódios apenas cobrem os primeiros 3 volumes (o último mencionado, apenas tocado em parte). E a melhor parte é que a história tem um desenrolar diferente.
Eu descobri esta série mesmo por acaso, para ser sincero. Nunca estive muito dentro do mundo animé. Foi através de um site, que aconselhava algumas séries, que vi Video Girl Ai. E as duas imagens que lhe faziam publicidade despertaram-me a curiosidade, por isso decidi dar-lhe uma chance. E ainda bem que o fiz! Após o primeiro episódio pensei para mim mesmo: eu tenho que comprar isto.
Video Girl Ai é uma série única (nas minhas preferências, apenas abaixo de Urusei Yatsura (ou Lum como ficou conhecida em Portugal)).
Soube disso e ainda o primeiro episódio não tinha acabado. Tudo começa quando um rapaz puro e extremamente bondoso, chamado Yota Moteuchi sofre um desgosto de amor. Moemi Hayakawa, a sua mais que tudo durante tanto tempo, revela finalmente o seu amor por outra pessoa: Takashi Niimai (o melhor amigo de Yota).
Mas o curioso é ver que o seu sofrimento não vem do facto de não ver o seu amor correspondido por Moemi-chan, mas porque esta sofre com o facto de Takashi não se interessar por ela.
Com o seu sofrimento bastante vivo dentro de si, Yota encontra a caminho de casa um vídeo clube fora do normal. O dono da Gokuraku (clube de vídeo) diz que só os puros de coração conseguem ver a loja (aqueles que sofrem imensamente de amor, como Yota), e dá-lhe a hipótese de levar com ele um vídeo à escolha.
É aqui que Ai Amano entra. Esta linda, atrevida, mas doce video girl (=rapariga do vídeo) é muito especial e tem a missão de encorajar Yota na busca do seu amor, reconfortando-o durante aqueles momentos onde a tristeza é mais forte. Claro que o seu tempo de vida está pré-determinado.
Um dos pontos fortes no argumento é a maneira como a personagem de Yota tem a difícil tarefa de esconder os seus sentimentos por Moemi-chan enquanto a ajuda a conquistar Takashi. Não é tarefa nada divertido e é algo tão bem exposto e contado que não dá para ficar indiferente à sua situação. Ao ponto de começarmos a desejar que ele tenha aquilo que tanto deseja. Um laço que é especialmente criado há medida que Ai o vai revelando para nós (vê o DVD e ficarás a perceber do que falo).
É esta personalidade que Masakazu Katsura dá a Yota e às outras personagens, que torna a série tão comovente e capaz de criar a empatia de quem a está a ver.
Os sentimentos que Katsura explora vão para além do que é alvo hoje em dia em séries do género. A profundidade com que os toca é aquilo que personifica estas quatro personagens: Yota, Ai, Moemi e Takashi, todos com a sua maneira própria de ser.
Video Girl Ai não é mais uma série romântica, com momentos de drama e comédia (até isto acenta de forma suave na história e no carisma de Ai e Yota). Nenhum destes estilos é forçado sobre as personagens.
A maneira como foram criadas e o seu papel na história, são aqui a chave para que esta se desenvolva a um ritmo próprio.
Eu sei que parece repetitivo estar a dizer isto, mas Masakazu Katsura acertou em cheio na maneira de falar sobre sentimentos tão humanos como os teus e os meus, quando se fala em amor.
Sem te dares conta, tu vais criar, certamente, uma empatia especial com Yota ou até com todos. Simplesmente porque um dia, tu ou alguém já sentiu e pensou da mesma maneira que uma das personagens.
Claro que ter personagens com sentimentos profundos e uma história de amor deste calibre, pede por uma animação forte o suficiente para a suster e não criar uma descrepância entre os aspectos da série.
A primeira coisa que me chamou à atenção nas personagens foram os olhos. O desenho dos espelhos da alma é perfeito e dá um sentido literal à expressão que usei.
Claro que o resto do corpo e animação dos movimentos é também muito boa. Principalmente aqueles momentos onde o corpo inteiro tem que fazer passar uma emoção. Que, felizmente, é o que acontece.
E se gostaste dos desenhos nos livros, não ficarás desapontado. Claro que a animação traz… digamos que, outro lado do apreciar da história, mas nada se perde do original.
Graficamente já não pode ser muito exigente. Também, já lá vão 14 anos desde que Video Girl saiu. Mas mesmo assim, de certeza que agradará a todos.
A música é capaz de ser das coisas que passa mais despercebida. Não porque seja má ou assim, assim, mas porque a atenção vai mesmo toda para a história. Há melodias muito bonitas, e a música no fim de cada episódio é simplesmente encantadora. Um fim à medida de cada capítulo.
Dos pés à cabeça, Yota e companhia são da coisa mais humana que vi num animé até hoje. Será que Yota conseguirá Moemi-chan para si? Ou será que algo de especial lhe está reservado? Nada que não possas descobrir vendo a série!
Há uma última coisa que torna Video Girl Ai único: uma mensagem em forma de pergunta: até que ponto estarias disposto a ir por amor?
Autor:Délio Melo
