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Hoshizora Kiseki

Nem sempre uma boa animação é sinónimo de “obra-prima” e Hoshizora Kiseki é exemplo disso. Uma história vaga e por vezes confusa é o que este curto ONA de 27 minutos tem para nos oferecer.

Kozue, uma rapariga aficionada por astronomia e com um particular fascínio por estrelas, ouve uma voz vinda da sua pulseira, mais especificamente do fragmento de um meteorito. Sentindo que alguém a chama e que uma estrela está prestes a cair, Kozue convida os membros do clube de astronomia para viajarem com ela em busca de um meteorito que aparentemente cairá numa dada localização.


Vendo que ninguém a quer acompanhar, Kozue inicia assim a sua viagem, onde acaba por encontrar um rapaz chamado Ginga. A rapariga descobre que Ginga é um rapaz particularmente especial pela missão que tem a seu cargo e pelas suas habilidades especiais e misteriosas que o obrigam a viver com um fato de astronauta, pois o ar da Terra é prejudicial para ele. Assim, nasce uma cumplicidade entre os dois.

A animação é algo que se ressalta, pois Akio Watanabe (também conhecido pela sua participação em outros trabalhos, como Soul Taker ou Blame!) conseguiu criar cenários e personagens duma qualidade gráfica bastante boa. Há um elo romântico nos olhares das duas personagens principais, assim como uma sensação de Verão que nunca abandona as paisagens ao longo da história. Pormenores como os pirilampos que rodeiam a Kozue, a chuva e o seu som, tudo se conjuga para criar este ambiente.


No entanto, nem tudo se resume à animação, e é aqui que Hoshizora Kiseki perde visivelmente. A história é demasiado vaga, os acontecimentos sucedem-se talvez rápido demais, nos seus vinte e sete minutos de duração. Os criadores poderiam ter apostado numa história concisa e sólida, suficientemente explícita. No entanto, quando o final chega, há muitas dúvidas que ficam por esclarecer, como o passado das personagens, a verdadeira identidade de Ginga, a sua missão e muitos outros. O final, inconclusivo, também não se destaca pela inovação. Mesmo depois dos créditos finais, a curta cena não nos acrescenta muito de novo.

A música poderia ser uma vantagem; ela acentua a ingenuidade e simplicidade da Kozue, assim como a magia de muitas cenas. Porém, fica a sensação de ser um pouco inadequada em determinados momentos, acrescentando ainda o facto de, num intervalo de tempo pequeno, se tornar repetitiva.


Hoshizora Kiseki, agradável para uns, aborrecido para outros, é dotado duma história simples, juntando romance com ficção científica, com muitos elementos confusos e pouco explorados, o que prova que, apesar de ser importante, a qualidade gráfica nem sempre é o essencial na concepção duma boa história. Ainda assim, Hoshizora Kiseki põe-nos perante o dilema da responsabilidade e do que realmente estamos a perder quando a assumimos como único objectivo e razão de existência, e de que o poder de decisão está nas nossas mãos, e não na regência de terceiros.

Há uma mensagem verdadeira nas palavras de Kozue quando pretende fazer entender a Ginga que há muitas coisas imperdíveis que a Terra e os seus habitantes têm para nos oferecer: desde a brisa suave até a um amor de Verão.

Autor: Margarida Fernandes

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