Já tinha ouvido falar de Meine Liebe quando fiz um artigo sobre Kaori Yuki – autora de Angel Sanctuary. É dela o chara design do jogo que deu origem às séries de tv e aos mangás. Sim, Meine Liebe, que em alemão quer dizer “meu amor”, começou como um “date sim” em 2001. Para quem não sabe “date sims” são aqueles jogos onde tentamos conquistar alguém. Os japoneses adoram e a maioria desses jogos são com um rapaz a tentar conquistar raparigas. Só que o mercado japonês não é excludente, e por isso as meninas também têm direito à diversão e é assim que aparecem coisas como Meine Liebe no mercado.
A história leva-nos para uma realidade alternativa (*demasiada alternativa!*), Europa, 1935. O nome do pequeno país fictício é Küchen e estamos a beira de uma guerra. A acção desenvolve-se principalmente em torno da academia Rosenstolz (*algo como “orgulho das rosas”*), frequentada pela elite da nobreza local. O sonho de boa parte dos jovens alunos é conseguir um assento no Strahl, uma espécie de conselho do rei formado por jovens egressos de Rosenstoltz. É o suficiente para que tenhamos intrigas, competição e, claro, alguns alunos adorados pelos demais.
O protagonista da série é o nobre Orphe e um forte candidato ao Strahl, seja pela sua origem familiar, seja pelas qualidades que possui. Seu nêmesis é Ludwig, um sujeito belíssimo, com muitos seguidores, grande espadachim e com um apuradíssimo senso de honra. Orphe é louro, Ludwig tem longos cabelos negros. Há também Edward, melhor amigo de Orphe, o típico cabeça quente ruivo. Não é bem visto por muitos colegas, como Ludwig, que mesmo assim o salva de ser expulso. Ed é filho bastardo de um nobre poderoso e teve uma infância infeliz, sendo perseguido pela madrasta, esposa traída e vingativa, que o separou de sua irmã, e impediu que as irmãs por parte de pai o acolhessem bem no seio da família.
Há também Camus, o primo kawaii (*ele é mais jovem e usa bermudinha com liguinha. Preciso dizer mais?*) de Ludwig que tem premonições e cuida da estufa da rosas da escola. Outro do grupo é o aluno estrangeiro, Naoji, que encarna todas as virtudes clichês atribuídas aos japoneses (*sério, honrado, silencioso, discretíssimo, excelente espadachim, etc, etc*), mas sofre de certo complexo de inferioridade em relação aos colegas. Fecham o grupo principal o professor que quer ver a desgraça de Orphe e Sir Issac, um inglês que ajuda os rapazes e, claro, guarda muitos segredos.
Bem, diria que esteticamente Meine Liebe é uma mistura de Gakuen Heaven (*o game/mangá yaoi*) da mesma autora de Cantarella, Shoujo Kakumei Utena (*escola de elite, um grupo que é a elite da elite, lutas de espadas, uma estufa parecida com a da Anthy, etc*) e Lenda dos Heróis Galácticos (*todos tem nomes pseudo-alemães, usam uniformes militares, são bonitos, e tal*). Apesar de começar em 1935, tudo tem um certo ar século XIX, meio gótico muito fake. Só para ilustrar, imagine um protagonista cujo sobrenome é Von Marmalade?!
Küchen, o nome do pequeno reino onde se passa a história, quer dizer “bolo” em alemão e por aí vai. Ah, e tudo tem um ar meio decadente. Fora, claro, que é tudo redondinho para virar fanfic, fanart e tudo mais que os fãs de yaoi e shounen-ai adoram. Enfim, a série original é divertida e pode ser assistida sem dano, aliás, se for para levar à sério ela perde a graça. Não espero muito mas confesso que ela consegue misturar algumas coisas que me agradam… E, claro, há mistérios: Quem matou a irmã de Orphe? Por que o jovem professor maléfico que está armando contra ele? Ed vai encontrar a irmã? E Ludwig? Será atraído para “o lado negro da força”?
Meine Liebe teve várias versões de jogos, pc, gameboy, P2P, entre outros. Fora isso, teve fan book com as personagens, drama CDs e, claro, manga. A série em quadrinhos de Meine Liebe teve dois volumes e foi publicada na Hana to Yume, a mesma de Fruits Basket, e na Betsuhana (*Bessatsu Hana to Yume*), mesmo sendo uma série com vários capítulos. A mangaka, Rei Izawa, tenta manter-se fiel ao character design original de Kaori Yuki. O mangá saiu ano passado, 2005, em função da série animada, com 13 episódios, que foi exibida entre Novembro de 2004 e Fevereiro de 2005.
Se acharam que Meine Liebe tinha terminado em 2005, enganaram-se. A Konami, responsável pelo jogo, lançou este ano (2006) um grande projecto chamado Ginyuu Mokujiroku Meine Liebe Wieder. O primeiro produto é uma seqüência da série original que estreou a 22 de Janeiro. O staff da série (*directores, animadores, character design original, seiyuu*) deve ser mantido. A nova série em quadrinhos estreou na Betsuhana em Março. Sem contar com o jogo e outros produtos mais que certamente virão.
Meine Liebe não é anime para passar na tv aberta, mas cairia muito bem na programação de um canal privado. Apesar de ser uma série básica e objectiva, Meine Liebe vale a pena ser vista.
Autor:Valéria da Silva
