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Animatrix: Final Flight of the Osiris

O quarto segmento divulgado da compilação de curtas-metragens “Animatrix” foi lançado em Portugal no dia 18 de Abril de 2003. Porém, ao contrário dos 3 anteriores, não foi disponibilizado na Internet, tendo os responsáveis da Warner decidido exibi-lo anexo ao filme “Dreamcatcher”, de Lawrence Kasdan. Esta opção constituiu uma decisão de marketing inteligente da parte da Warner Bros., que além de atrair os fãs de “The Matrix” para as sessões de um filme de terror cuja mediocridade, de outro modo, lhe garantiria um fracasso de bilheteira, também despertará o interesse de muitos espectadores casuais para as sequelas do filme dos irmãos Wachowsky.

Produzido pelo estúdio da Square USA no Hawaii, realizado por Andy Jones (director de animação em “Final Fantasy: The Spirits Within” e responsável por efeitos especiais em “Godzilla” e “Titanic”), “Final Flight of the Osiris” recupera em força o estilo visual já visto no primeiro filme deste malogrado estúdio, queimado depois do fracasso de bilheteira de “Final Fantasy”. O guião é escrito pelos próprios irmãos Wachowsky, na linha da maior parte dos segmentos de “Animatrix”.

Nesta curta-metragem, a nave Osiris, controlada por humanos resistentes ao domínio das máquinas, depara durante uma fuga a robôs-sentinelas com um cenário chocante: as máquinas construiram uma enorme perfuradora com a qual pretendem penetrar na crosta terrestre até atingir Zion, o último baluarte dos humanos, a 4 quilómetros de profundidade. Cabe assim a uma das tripulantes da Osiris entrar na Matrix e entregar uma mensagem de aviso que pode ser a única esperança para a sobrevivência da humanidade…

“Final Flight of the Osiris” conta com um conjunto de técnicas visuais impressionante, comparável ao melhor que foi feito até agora em termos de imagens geradas por computador. Porém, não consegue atingir o apuro visual nem o detalhe visto em “Final Fantasy”, se bem que apresente progressos notáveis no aspecto da fluidez e dinâmica da acção. Pode-se assim dizer que é um progresso numa área e um retrocesso em outra, mas impressionante à mesma em qualquer ângulo pelo qual seja visto. Desta vez, existe mesmo a tentativa de oferecer aos espectadores uma dose razoável de “fan-service”, mas a intenção declarada de foto-realismo retira ao resultado muito do seu encanto, não se conseguindo definir como realista, estilizado ou idealizado.

Os talentos vocais desta obra são oferecidos por actores americanos, entre os quais John Di Maggio (Bender em “Futurama”). Os efeitos sonoros e a música são 100% “Matrix”, não desiludindo nenhum fã da série. No global, pode-se considerar que, de entre os segmentos já divulgados de “Animatrix”, “Final Flight of the Osiris” é o que se aproxima mais do espírito do filme original, oferecendo-nos não tanto uma visão alternativa sobre o universo de “The Matrix”, mas uma extensão dos elementos que quem viu o filme já conhecia. Não desilude, mas também não surpreende a não ser ao nível técnico.

Enquanto o filme “Dreamcatcher” estiver nas salas, poderemos ver esta obra em grande ecrã. Depois disso, apenas será possível vê-la novamente quando fôr publicado o DVD com a compilação das 9 longas-metragens, em Junho de 2003. Até lá, em Maio, ainda teremos a oportunidade de visualizar, via Internet, o segmento “The Second Renaissance: Part II”, continuação do primeiro segmento lançado em Fevereiro. Todas estas curtas-metragens serão indispensáveis para fãs de “The Matrix”, mas “Final Flight of the Osiris” recomenda-se ainda aos admiradores do trabalho da Square em “Final Fantasy” e a todos quantos gostem de acompanhar o estado da arte no campo da animação por computador. Esperemos que o trabalho da Square na arena cinematográfica não se fique por aqui, e que o estúdio de origem japonesa possa continuar a expandir os limites desta jovem forma de arte, para gáudio de todos quantos gostam de animação.
Autor:João Rocha

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