Todos temos alturas em que temos mais disposição para um género de anime. Ultimamente, tenho-me interessado especialmente pelo «shoujo ai» – romance e meninas inocentes. Maria-sama ga Miteru foi uma boa escolha.
Andei uns dias a tentar encontrar algum anime romântico que, pelo menos, tivesse animação decente. Acabei por tropeçar em Maria-sama ga Miteru (ou em inglês, “The Virgin Mary is watching”), a história de um grupo de raparigas que frequentam um colégio privado, de seu nome “Lillian School for Young Ladies”. O “conselho de estudantes” (sim, má tradução) é constituido por 3 raparigas que pertencem a 3 diferentes familias de rosas. Sim, rosas. Para as pessoas que não acreditam que isto é mesmo para miúdas, fujam. São elas: Rosa Gigantea (branca), Rosa Sinensis (vermelha) e Rosa Foetida (amarela). Cada Rosa pode adoptar uma aluna do segundo ano (as Rosas são alunas de terceiro ano) como sua irmã; irmã essa que passa a ser designada por Rosa “en bouton”, ou em português, rosa a desflorar. Ainda estão comigo? Essas Rosas “en bouton” podem por sua vez adoptar uma aluna do primeiro ano como sua “petite soeur”, ou em português, pequena cavalgadura. Uh, pequena irmã. Isso. Cavalgadura, irmã, bolo de castanhas, é tudo a mesma coisa. E pronto, o anime centra-se nas experiencias destas raparigas, mormente de Fukuzawa Yumi, que foi adoptada de uma maneira menos convencial por Sachiko, Rosa Sinesis en bouton.
Foi um pouco confuso, não foi? Um dos problemas deste anime que infelizmente ainda são significativos é que esta apresentação acontece de chofre nos primeiros minutos do primeiro episódio. Só após algum tempo a ler sinopses é que decorei os nomes das raparigas todas e percebi o esquema. Para além disso, presumo que seja chato para as pessoas que não percebem francês levarem com 6453 frases nessa lingua…da mesma maneira que é chato para as pessoas que se irritam com rosas serem forçadas a indentificar as personagens como rosa isto e rosa aquilo.
Um outro problema desta série de 13 episódios é mesmo esse: ter 13 episódios e ainda assim passar as histórias a correr. Isto porque, vendo os primeiros 3 ou 4 episódios, ficamos com a impressão que a história vai para um lado, sendo que ao fim desse tempo, somos presenteados com um novo arco e até com personagens que se comportam de maneira completamente diferente daquilo que até então tinham mostrado. Posso dividir a série mais ou menos desta forma: os primeiros 3 episódios exploram as tentativas de Sachiko de fazer Yumi a sua “petite soeur”; do quarto até ao nono, o foco vai para a Mansão das Rosas e os últimos episódios são mais sobre as relações entre as raparigas, com o habitual “date” a servir de pretexto. Tive sinceramente pena que o primeiro arco fosse tão curto, até porque eu esperava que fosse algo como o Kashimashi e que as miúdas acabassem por descobrir que gostam umas das outras. Aliás, num dos primeiros episódios, Yumi dá a entender *gosta* de Sachiko de uma maneira mais séria. No entanto, apesar de ouvirmos constantemente “eu amo-a”, e de haver muitos momentos em que se sente aquela “tensão pré-beijo”, o amor é essencialmente fraternal, exceptuando alguns casos particulares.
É um anime bastante calmo, daí que tenha achado que a animação e o “chara-design” se adequam perfeitamente. Linhas muito claras, bem definidas e em geral animação fluida. Apenas Yumi tem um ar mais…genérico, mas julgo que isso foi propositado para diferenciar a personalidade dela da personalidade de Sachiko, que ela admira profundamente. Todas as Rosas e Rosas “en bouton” têm um ar etéreo, assim como paisagem envolvente. De vez em quando há momentos em que o estilo se perde, sobretudo quando vemos as personagens ao longe, ou em movimento constante.
A série chama-se “The Virgin Mary is watching you” mas pouca importância é dada a esse facto. Sim, as raparigas rezam de vez em quando e há toda uma ambiência celestial, mas fora isso, este não é o tipico caso de “oh não, sou lésbica… mas não posso ser, porque jesus está a olhar para mim!”. As personagens são *todas* interessantes, até mesmo aquelas que só servem os momentos cómicos, e há até uma história secundária sobre a Rosa Gigantea e uma rapariga de quem ela gostou extremamente cativante. A música é essencialmente clássica ou ligada a orações e assenta que nem uma luva no anime; as vozes são adequadas, embora não memoráveis.
Reforço este facto: é pena que quem tenha feito isto se tivesse apressado tanto em contar tantas histórias diferentes. Sinceramente, preferia uma série com 26 episódios em que cada personagem fosse bem explorada. Fiquei com a impressão de que foi tudo feito em cima do joelho, e certas impressões que tinha das personagens perderam-se passado 2 episódios. Exemplo disto é o problema de Sachiko com o noivo nos primeiros episódios que é completamente esquecido no resto da série. Ok, ela tem um problema grave com gajos, é horrível, ela chora… mas… uh… nos outros 10 episódios não há nem uma menção desse caso.
Com todos os defeitos que esta série tem, ainda vos aconselho a vê-la. Sim, a história está mal explicada, mas tudo o resto nesta série é belo e merece atenção. Fossem todas as séries menos boas assim.
Autor:Mafalda Melo
