Os Estudios Ghibli trazem-nos de novo um filme único, capaz de surpreender mesmo aqueles que não gostam de animação vinda do oriente…
A história revolve á volta de uma familia japonesa de 5 membros : Takashi, o pai de familia, Matsuko, a mãe dona de casa, Shinge, a avó que vive com eles, o filho que estuda na secundária Noburu e a filha mais nova Nonoko. Tal como na banda desenhada, seguimos pequenos episódios familiares, que variam de cómicos, a tristes, passando pelos apontamentos irónicos sobre a vida.
A primeira coisa que salta á vista n’”Os Yamada”, é o estilo de desenho peculiar. Foi escolhido manter o desenho de personagens original do autor, pequenas personagens estilizadas, e para as colorir, foi utilizado um método que lembra pinturas em aguarela. O resultado lembra imediatamente animação “europeia”. Mas não pensem que a qualidade de animação baixou por causa disso. Na verdade, este é o primeiro filme do estudio completamente pintado via computador. Depois de uma breve sequencia de animação normal, somos presenciados com uma introdução, que é um verdadeiro hino á animação moderna. É uma parabola ao casamento, tal como imaginado pela Nonoko, e merecia ser visto por qualquer pessoa, mesmo que fuja de animação japonesa como o diabo da cruz. Muitos toques discretos na animação normal tambem mostram que nada foi deixado ao acaso, tal como os cenários detalhados, as imagens que aparecem na televisão, a maneira como a iluminação é criada. Em geral um belissimo trabalho, invulgar e apaixonante.
O filme está dividido em 3 segmentos “longos”, ou seja, segmentos em que se desenvolve uma história, e de várias secções pequenas, separadas por “temas”, tais como “Arrependimento” ou “Crónicas da Família Yamada”, onde se juntam sketches mais ou menos relacionados uns com os outros. Em geral, a mistura funciona bem, se bem que achei certos temas ligeiramente longos demais… Um promenor engraçado é o de alguns “sketches” acabarem com um Haiku relacionado. Há tambem uns numeros musicais, nada de incrível.
A propósito disso, a banda sonora é muito interessante. Apesar de não ser incrivel, os temas enquadram muito bem nos personagens, por exemplo Noburu tem direito a uma musica j-pop lá para o meio, há alguma musica clássica, canções japonesas (e algumas adaptações, como a versão japonesa do “Que Será, Será”), e um tema central que fica no ouvido.
Pondo o original de parte, isto é um filme de Isao Takahata e dos estudios Ghibli, e isso nota-se bastante. A avó, por exemplo, tem preocupações ambientais, e os temas escolhidos para os “sketches” rodam tanto entre as relações das pessoas da família, como entre a sociedade em geral. Particularmente tocante é o discurso de Singe para o gang no segmento final.
Em minha opinião, “Os Meus Vizinhos, os Yamada” é uma produto genial, se bem que para um publico selecto. Não se enquadra naquilo que as pessoas chamam de “anime”(nem eu o recomendaria a esse genero de pessoas), mas merece ser visto.
Autor:Nuno Sarmento



