Yami no Matsuei (Descendant of Darkness nos Estados Unidos) é daquelas séries que à partida parte para uma ideia errada de que se destina apenas a um público feminino, devido não só aos personagens mas também às suas acções e vestígios de Shounen Ai.
De facto é um erro pensar assim, uma vez que a própria série apesar de pequena é capaz de atrair qualquer pessoa pela sua história. Ao longo de 13 episódios vamos seguir a “vida de Tsuzuki Asato, um Shinigami que trabalha ao serviço do JuOhCho, no departamento de evocações sobre o comando do próprio rei do submundo, Enma.
Tsuzuki é uma personagem pacata e amorosa, que tem um passado trágico e misterioso e uma estúpida paixão por todo o tipo de doces. O seu trabalho basicamente é o de detective do além, por outras palavras, está incumbido de solucionar casos nos quais estejam presentes forças sobrenaturais. Em conjunto com o seu parceiro, o Shinigami Kurosaki Hisoka, Tsuzuki procura desvendar diversos casos, tendo sempre como suspeito uma personagem enigmática que o persegue ao longo da série, Kazutaka Muraki.

É então aqui que surge uma ligação entre o passado de Hisoka e Muraki, sendo que este ao conhecer Tsuzuki a pouco e pouco começa a trazer ao de cima os “fantasmas” do passado, fazendo com que a série ganhe então enfâse e prenda qualquer um ao ecrã.
Há de facto uma especial atenção aos sentimentos dos personagens, uma vez que Tsuzuki parece ser do tipo “carente”, preocupa-se muito com o seu parceiro Hisoka e no que diz respeito a Muraki, parece que tem uma certa atracção/repugnância por ele.
Muraki assume-se por excelência como o vilão perfeito, que brinca com os nossos Shinigami, como bem lhe apetece, deixando sempre um pouco de mistério no ar.
A nível de caracterização estes três personagens são os que mais se destacam, de entre os demais. Tsuzuki como já foi referido é bastante calmo e demasiado querido, sempre disposto a ajudar e possui poderes que lhe permitem evocar Byaku e Suzaku, duas entidades espectrais. Hisoka é o oposto de Tsuzuki, é um pouco frio e recatado mas isso irão compreender ao longo da série.

Tem o dom de ler o pensamento das pessoas e de prever/antever acontecimentos, ao tocar nelas. Muraki apesar de parecer humano, nunca vamos ter a certeza do que realmente ele é, pode-se dizer que ele tem poderes o que também é incerto, mas a nível psicológico é extremamente frio e calculista, tendo um poder de persuasão que surpreende qualquer um, bem como uma fixação doentia por Tsuzuki, assediando-o várias vezes ao longo da série.
O desenho de personagens é uma das características mais relevantes deste anime uma vez que ao invés de muitos outros que por ai andam, temos personagens extremamente bem detalhados, nomeadamente os cabelos e os olhos são os aspectos que saltam mais à vista do espectador. Os cenários bem como a coloração também estão ao mesmo nível fazendo-se salientar o contraste das cores escuras com cores muito vivas como por exemplo vermelho e lilás, nomeadamente nas batalhas. Por outro lado a animação também está muito bem conseguida embora não tenhamos muitas cenas rápidas ou acção frenética. Neste campo a J.C.Staff continua a marcar pontos.
A nível de banda sonora, temos os famosos L’arc~en~ciel na opening e no ending. No que diz respeito à música ambiente da série, segue de perto a acção, com uns toques de flamenco naquelas cenas de mistério ou com mais movimento e nas batalhas, mas no geral é bastante boa e fica no ouvido.
Para concretizar a ideia geral, Yami no Matsuei é uma série bem conseguida mas que contudo não segue o manga na íntegra, ficando muita coisa por esclarecer e que não será dita aqui como é evidente. Apesar de conter cenas que possam indiciar Shounen Ai, é uma série recomendável a qualquer pessoa pois não há nada que possa “perturbar” as mentes mais homofóbicas. Tem cenas dramáticas, cenas cómicas nomeadamente quando o Tsuzuki faz de cãozinho ou nas conversas com os Gushoushin, dois pássaros gémeos que falam e trabalham também com ele.

E quando chegarem ao final do episódio treze decerto vão perguntar…”e o resto? Não há mais nada? Acabou?”.
Explicação de alguns termos utilizados:
Shinigami – Deuses da Morte, Anjos da Morte, Guardiões da Morte (qualquer destes termos serve).
JuOhCho – Também conhecido por Ten Kings Agency. Em Português é qualquer coisa como Ministério de Hades, local onde trabalham e vivem os Shinigami.
Enma – Rei do Submundo e “líder” dos Shinigami.
Byaku – Tigre branco que é uma figura mitológica chinesa.
Suzaku – Fénix que é uma figura mitológica chinesa. Ainda existem Seiryuu, o dragão azul e Genbu, a tartaruga, que não são referenciadas na série.
Gushoushin – Dois pássaros gémeos, inteligentes e muito faladores que trabalham com Tsuzuki e os demais companheiros.
Departamento de evocações – Também conhecido como Summons Bureau, é o emprego de Tsuzuki e Hisoka. Ocupam-se nomeadamente de casos sobrenaturais, envolvendo espíritos, espectros, vampiros, etc.
Autor: Pedro Soares
