Em plena baixa pombalina, perto do Terreiro do Paço, foi inaugurado há já algum tempo um salão de chá onde podemos provar o famoso pão-de-ló japonês (Kasutera). Á frente desta casa está Paulo Duarte um português que decidiu aventurar-se pelas terras do Sol Nascente para nos trazer os doces sabores e aromas daquelas paragens.
Eis os pormenores que Paulo Duarte decidiu contar ao ClubOtaku.
Como e quando começou o interesse pela pastelaria?
Trabalho em pastelaria desde os 12 anos começou por acaso como um emprego de ferias e fui ficando oprque me permitia continuar os estudos a trabalhar.
Em 1992, viaja para o Japão para aprender pastelaria francesa. Porquê o Japão?
No Japão pode-se encontrar especialistas em pastelaria de todos os paises da Europa assim podia aprender a francesa e espreitar coisas comuns com a de outros paises (além disso a minha mulher é japonesa).
Como foi o contacto com a cultura japonesa? E como foi a adaptação ao país?
Foi ao contrário do que eu pensava. Aprendi a língua facilmente e acho que é no Japão que quero viver num futuro próximo.
Mais tarde, volta ao Japão onde aprende a confeccionar Castella. Porque decide aprender a confecionar o “Pão-de-Ló” japonês?
Queria trazer para Portugal algo que tivesse mesmo muita qualidade e que ao mesmo tempo ilustrasse os laços quase esquecidos que temos com a cultura nipónica (não me limitei á Castella fui fazendo um estudo tao completo quanto me foi possivel da cultura e da maneira de viver japonesa).
Qual o verdadeiro segredo para um bom Kasutera?
A castella leva cerca de uma hora a cozer em tabuleiros feitos de madeira o segredo se é que existe são os “timings” certos para cada passo do processo de confecção.
Como apareceu a ideia de abrir a “fábrica” Castella do Paulo?
Queria fazer somente aquilo que considero realmente bom e isso não me era permitido sendo empregado de outra casa.
Da fábrica à loja, foi um processo pensado ou foi um crescimento natural?
Foi pensado. Tenho para mim que deve ver e ouvir as pessoas que consomem os meus produtos e isso não era possível fazendo apenas revenda.
Por falarmos em natural a Castera do Paulo é conhecida por produzir pastelaria 100% isenta de químicos. Quando começou esta produção?
Desde o ínicio e não nos limitamos a produtos naturais, mesmo esses são por mim seleccionados pela sua qualidade não chega ser natural tem que ser naturalmente bom.
Além do Kasutera, que outras especialidades orientais podemos encontrar na “Kasutera do Paulo”?
Muita coisa japonesa, como por exemplo: anpan com doce de feijão), kurîmupan (bolinho de brioche com creme de ovos) e melopan (biscoito de manteiga simples ou com chá verde), etc.
Que tipo de pessoas visitam a “Castella do Paulo”?
Temos tido pessoas de todo o tipo se bem que são na maioria senhoras (somos um salão de chá) e nos jovens maioritariamente casais.
Existem planos para abrir futuras lojas em Lisboa ou no resto do país?
Estamos a tentar criar um leque de representantes que já sendo comerciantes vendem também Castella em regime de exclusividade para a zona onde estão inseridos.
Quer deixar alguma mensagem para os leitores do ClubOtaku?
Gostei do vosso site e já me registei. Sempre que possa ajudar em alguma coisa digam e se puderem visitem-nos.
O ClubOtaku aconselha uma visita ao salão de chá “Castella do Paulo” para provar a variada docaria nipónica. Aberta de segunda-feira a sábado, das 7 às 20 horas e fica situado na Rua da Alfândega, 120, em Lisboa.
Autor:Fernando Ferreira
