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Entrevista Devir – Dark Angel

A editora Devir foi a grande surpresa deste ano (2004) em Portugal, isto porque depois de alguns anos marasmo nas publicações manga, finalmente podemos voltar a ler na língua de Camões. Os fãs portugueses agradecem a edição de Dark Angel pelo mangaka Kia Asamiya, e a Devir cria uma nova secção dedicada ao manga, a Devir Mangá. O ClubOtaku não perdeu a oportunidade e decidiu entrevistar os responsáveis por esta edição. Aqui fica a entrevista:

Quando é que a Devir decidiu avançar com este projecto da edição manga?

– A ideia de editar mangá em português sempre esteve nos planos da Devir (um dos sócios da empresa, o Pedro Miranda esteve inclusivamente ligado à edição das séries Ramna ½ e Stryker pela Texto Editora, antes de vir para a Devir) até porque não temos dúvidas que a importância do mangá em Portugal será cada vez maior. Mas estes processos são sempre demorados, principalmente porque não é nada fácil negociar com as editoras japonesas, sobretudo tendo em conta a dimensão (perfeitamente insignificante para eles) do mercado nacional.

Qual foi o critério de escolha para o Dark Angel ter sido a vossa primeira edição?

– Houve duas razões bem distintas. Por um lado, o Kia Asamiya é um autor que faz muito bem a ponte entre os mangá e os comics americanos que constituem o fulcro do catálogo da Devir (para além dos X-Men, ele desenhou uma graphic novel do Batman que nós pretendemos também editar em Portugal) e a temática de Dark Angel, a fantasia, encaixa-se muito bem no nosso catálogo.

O segundo motivo, bastante mais pragmático tem a ver com o facto de Asamiya ser também representado por um agente norte-americano (David Bernstein), o que facilitou bastante as negociações.

Como foi todo o proceso, desde a escolha do referido título até ao produto final?

– Relativamente complicado, na medida em que não havia nada feito em termos de material de reprodução: tivemos que scanar tudo e devemos agradecer à Mythos Editora do Brasil o termo-nos cedido as capas. Quanto ao resto, adámos algum tempo à procura de um papel que nos permitisse replicar o aspecto geral dos mangá tais como têm sido editados no Ocidente. Um aspecto nem demasiado luxuoso, para manter o tom “jornal” do mangá, nem demasiado mau. Afinal, quisemos fazer um livro bonito!

Já tem alguma informação se este primeiro volume foi bem aceite pela comunidade de fãs em Portugal? E como é que tem corrido as vendas?

– Ainda é um bocado cedo para termos a resposta a essa pergunta, pois ainda não há números de vendas e a série só agora chegou aos quiosques. Mas o facto de nos teres feito esta entrevista, revela esse interesse.

4. Por falar em fãs, uma das perguntas que de certeza os fãs fariam era o porquê de terem lançado o manga na versão ocidental e não no formato de leitura oriental?

– Pessoalmente, prefiro ler as histórias no sentido de leitura ocidental, pois ao ler no sentido oriental, contrario a tendência natural da leitura e essa leitura perde fluidez. Também me parece que, quando os editores vêm dizer que editam os mangá no sentido japonês por uma questão de respeito ao original, isso é conversa fiada. Eles fazem-no principalmente por razões económicas, pois custa tempo e dinheiro inverter os desenhos. Quanto à Devir, a opção pelo sentido de leitura vai depender da disponibilidade do material que editarmos. Se só existir em versão oriental, será essa que editaremos, se existir uma versão no sentido de leitura ocidental, é a que escolheremos.

Para quando os próximos volumes? E possíveis novos títulos a serem editados?

– A ideia é publicar mais dois ou três volumes desta série (de cinco) ao longo de 2005, mas essas coisas podem sempre atrasar-se um bocado. Quanto a novos títulos, há algumas séries japonesas em negociação, tal como alguns títulos coreanos, mas não podemos avançar nomes enquanto as coisas não estiverem assinadas.

Face a este novo boom que parece que estamos a assistir, acham que Devir Anime, poderá ser um projecto futuro a longo prazo ou uma miragem?

Não sabemos. Como é que o mercado vai responder aos manga? Ainda é demasiado cedo para dizer, mas penso que até que haja alguns títulos seguidos que obtenham um sucesso forte e inegável, não teremos um boom. Veremos um lento acrescentar de títulos ao longo dos meses, mas sem um aceleramento significativo. E de repente, se houver sucesso, poderá haver um “boom”. Mas é absolutamente cedo para dizer se isso vai acontecer em 2005 (muito improvável), 2006 (talvez) ou depois (o mais provável).

Obrigado pela entrevista, desejamos muito sucesso para a Devir Mangá e para os novos projectos. Há alguma coisa mais que querias dizer?

– Espero que os fãs comprem o Dark Angel, pois deles depende essencialmente o sucesso desta iniciativa e a sua continuidade.

Esperamos nós também que o ano de 2005 nos traga continuidade nestas edições e que a Devir Mangá apresente novos projectos pois muitos fãs nacionais vão estar à espera que isso aconteça.

Autor:Fernando Ferreira

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