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Casshern

No final do século XXI, após 50 anos de uma desgastante guerra mundial que devasta o planeta inteiro, trazendo poluição e doenças devido ao uso de armas químicas e biológicas, uma esperança surge através do Dr. Azuma, um médico capaz de através da manipulação genética, recuperar ou restituir órgãos sem riscos de rejeição, com o objetivo de curar sua esposa. Contudo, algo de misterioso acontece ao invento de Dr. Azuma, o que poderá trazer consequeências nefastas para a humanidade…

É esta a premissa de Casshern, o filme do cineasta japonês Kazuaki Kiriya, baseado no famoso anime de 1973. Antes de mais, merece destaque a beleza visual, através do uso de uma fabulosa fotografia. Casshern foi rodado em “blue screen”, tal como “Sky Captain and the world of tomorrow”, por exemplo, onde actores interagem com um cenário virtual. Cenário esse, cuidadosamente e brilhantemente criado.


São cores que explodem na tela, parecendo saídas de uma obra de arte. Interessante verficar que cada local tem uma personalidade cromática distinta, sendo o laranja predominante nos centros urbanos, cinza no Sector 7 e assim por diante.

Mas o que faz “Casshern” ser tão apaixonante é o facto de abranger temas como amizade, família, ética, filosofia, política, religião e ainda ser um filme de ação-ficção-científica.


Uma laço familiar foi quebrado pelo conflito de interesses entre pai e filho (pela morte e pela guerra), a busca desesperada de um marido pela cura da esposa, o extermínio de um grupo de pessoas, de uma raça por ser diferente das demais, a fé de que algo pode ser feito para mudar o futuro, além de ter uma mensagem antibélica muito forte, como se fosse um filme panfletário contra a guerra.

Como se o que foi dito não bastasse, também as sequências de acção são espectaculares, embora figurando sempre em segundo plano, pois, em última análise é um filme que deixa o espectador a reflectir, frustrando aqueles mais preguiçosos, que aceitam histórias directas, em detrimento das que necessitam um pouco mais de compreensão. Só a título de exemplo, o estranho raio que dá vida aos “neo-sapiens”, lembra o monólito negro de “2001: Uma odisseia no espaço”…


“Casshern” é emocionante, sério e político. Confesso que não contive as lágrimas, fiquei paralisado até o final dos créditos. Passa uma mensagem belíssima, é visualmente deslumbrante e ainda consegue ser um estrondoso entretenimento. Mais uma prova do crescimento do cinema oriental e das novas tecnologias cinematográficas. Ainda bem que existem filmes como esse.

Autor: Sérgio Lopes

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