Depois do sucesso gerado pelo jogo Dark Cloud em 2001 desenvolvido pela equipa da SCEA, os rapazes da Level-5 ficaram encarregados para desenvolver a respectiva sequela com o objectivo de superar o jogo antecessor.
O resultado chama-se Dark Chronicle (2003) também conhecido como Dark Cloud 2 um action RPG, complementado com alguns mini-jogos e extras espectaculares.
Em Dark Chronicle, um mal desconhecido impede que o mundo presente se desenvolva, o que consequentemente leva à degradação do seu futuro. Estranhamente, apenas uma pequena vila resta e é nela que começa a história de um rapaz chamado Maximilian.
Max é um rapaz com um gosto estranho de criar engenhocas com varias utilidades, que juntamente com a sua amiga Monica, uma princesa que veio do futuro, têm a missão de reconstruir as raízes dos sítios importantes do mundo para que o futuro possa ser regenerado.
É aqui que nós entramos o nosso objectivo no Dark Chronicle é assumirmos os papéis de Max, ou Mónica (conforme a situação), e assegurar que o objectivo destes dois heróis seja cumprido. Para nos ajudar a cumprir o objectivo temos à nossa disposição dezenas de variantes das armas principais de Max (uma chave inglesa e uma pistola) e Monica (uma espada e uma bracelete mágica) com um sem fim de melhoramentos, um robot que pode ser afinado e ajustado com variadas peças, monstros ao nosso dispor, um sistema de construção de vilas em pontos vitais do mundo, mini-jogos, engenhocas, canas de pesca, uma maquina fotográfica enfim, um vasto horizonte de componentes que faz com que Dark Chronicle, tenha uma longevidade que não desilude em nenhum aspecto de um RPG.
Para avançar no jogo, os nossos personagens terão que avançar em masmorras e labirintos, divididos em vários níveis com os mais variados monstros desde ratos, até gigantes de pedra e bosses (mechs saídos do circo, dinossauros, etc.). Estes níveis, nunca têm a mesma forma, ou seja, se quisermos ir para um nível que já tínhamos completado anteriormente, esse nível aparecerá outra vez inexplorado e com um mapa completamente diferente, criado aleatoriamente. A desvantagem destes níveis, é que se pode tornar deprimente olhar para o mesmo cenário de fundo (ou por vezes, nenhum cenário no caso de uma masmorra) durante uma ou duas horas, a tentar sair do nível.
À medida que avançamos no jogo, existe a necessidade de obtermos melhores armas para que o desempenho dos nossos personagens melhore. Existem duas maneiras para obtermos armas mais eficazes ou apanhamos as armas que obtemos através dos monstros que vencemos, ou melhoramos as nossas próprias armas através da sintetização de materiais (conhecido no jogo como spectrumize). Para que a sintetização funcione, escolhemos qualquer material na nossa posse que não seja de extrema importância para os objectivos principais e que melhore um aspecto (como por exemplo o ataque ou a durabilidade) da arma que queremos, e depois é só aplicar a sintetização à arma. Se cumprires certos requisitos, a arma em questão brilhará, o que significa que podes faze-la evoluir para uma arma melhor.
Outra alternativa para derrotar os inimigos passa por controlar Steve, o Ridepod do Max.
Steve é um robot que em princípio foi concebido apenas para transporte, mas que adaptado com os itens certos, se pode tornar numa máquina assassina. Podes adaptar o Steve com um tanque de energia maior, vários tipos de peças de locomoção (pernas, lagartas, hélices) e um arsenal que vai desde o simples punho de chumbo, até a um lançador de homing-missiles, passando por duas katanas e até raios laser.
A personagem Monica oferece ao jogador, a possibilidade de se transformar num monstro a partir de medalhões especiais, e assim combater contra monstros de outra espécie, ou então tentar conversar com os inimigos da mesma raça do monstro que nós controlamos. Para obter o medalhão especial de cada monstro, o jogador tem que agradar ao monstro de certa maneira, como por exemplo, dar queijo a um rato, ou fotografar um monstro tímido.
E agora, o melhor ingrediente do jogo Dark Chronicle, o sistema Georama. Este sistema (versão melhorada do sistema Georama usado em Dark Cloud), permite-nos construir cidades em vários pontos do mapa, com a finalidade de regenerar o futuro do mundo de Dark Chronicle. À nossa disposição temos várias peças para rechear as nossas cidades: pacatas moradias, vedações, vegetações, moinhos, pontes, portões, carros, jarros, chaminés e outros acessórios. Mas sem o respectivo material, não há peças. São precisos recursos tais como madeira, metal, pedra, elementos de varias componentes como o fogo ou o vento, para que tais peças possam existir, e nada melhor como explorar níveis para encontrar tais recursos. Para os mais preguiçosos, sempre existe a possibilidade de comprar os recursos.
Para além de construir cidades, este sistema Georama do Dark Chronicle oferece a possibilidade de popularizar as cidades com pessoas da terra natal do Max, para que seja cumprido certos objectivos e modificar o futuro para o melhor.
Maximillian também tem um dote de engenheiro, quando se trata de inventar engenhocas úteis para o progresso do jogo. Para isso, será necessário uma máquina fotográfica, e fotografar vários itens e componentes do cenário onde o personagem se encontra. E atenção, qualquer componente mesmo pequeno como uma vasilha de água, uma cesta de pão, uma vasilha de leite ou um candeeiro pode ser um início de uma fonte de inspiração para o Max. Depois de várias ideias fotografadas, o jogador põe a sua imaginação a trabalhar e tenta encontrar uma lógica relação entre várias ideias (ou então recorre a alguns apontamentos espalhados nos vários locais do mundo) para tentar obter a receita para um item especial (como por exemplo uma nova arma, ou algum item necessário para o objectivo). Depois de obtida a receita, é só obter recursos para manufacturar a engenhoca da receita. Simplesmente genial.
E como se não bastasse ainda temos direito a uns mini-jogos e extras. Que tal ir à pesca depois de limpar um nível de monstros? Melhor ainda, o jogador pode cozinhar o peixe que pescou e usá-lo para restaurar a sua energia. Ou então guarda o peixe num aquário, e cuida do bichinho como se fosse um animal de estimação, não se esquecendo de lhe dar de comer e de lhe arranjar um parceiro/uma parceira para que se possa cruzar diferentes raças para obter um peixe de uma raça completamente nova. Mas não termina por aqui, ainda há a possibilidade de treinar dois peixes num aquário transformado em arena, e também levar os nossos peixes de estimação em corridas de peixe que ocorrem de tempos em tempos na cidade natal de Maximillian. Querem mais? Para os verdadeiros orgulhos em serem pescadores ainda há uma competição para quem pescou o maior peixe.
Se não se sentem à vontade com a pesca, ainda há um mini-jogo chamado Spheda uma variante de golfe jogada em qualquer nível depois de se ter eliminado todos os monstros existentes na proximidade. A única diferença que Spheda tem do golfe é que em vez de um buraco localizado no chão, temos uma espécie de um fosso espacial. Se o jogador acertar com o buraco no fosso, terá direito a um item, raro de se encontrar.
Ainda como extra, temos direito a pegarmos na nossa máquina fotográfica e fotografar-mos o que quisermos para guardarmos no nosso álbum de recordações. Um pequeno passatempo para quem gosta de fotografia.
Graficamente, Dark Chronicle está um espanto, graças ao uso correcto do cell-shading, tanto nos cenários de jogo como nas animações das faces e movimentos das várias personagens existentes no jogo, fazendo-nos acreditar que estamos a ver uma verdadeira animação. Quanto à música, a melodia penetra-se sem resistência nos nossos ouvidos, sem que haja sequer uma irritação no tímpano. Existe também um uso excelente em usar diferentes músicas para diferentes situações de jogo, como por exemplo: uma música calma para quando estamos a explorar, e uma música mais marcante e vibrante quando confrontamos o inimigo. A longevidade é de longe, a imagem de marca deste jogo a capa do jogo promete-nos um total de mais de 100 horas de jogo cativantes que, com certeza, ficará a dever ao leque extenso de elementos do jogo.
Em suma, um jogo aliciante, digno de se jogar para quem gosta de RPG em tempo real, e de perder umas boas horas da sua vida a derrotar monstros e construir cidades.
Autor:Sérgio Henriques
