Como parte dos recentes lançamentos ditos de budget da editora PlayIt, pode à primeira vista não chamar a atenção. Mas, por detrás da capa e do baixo preço, encontra-se a melhor adaptação de um jogo de Choro-Q até a data.
Para quem não conhece o que são Choro-Q, trata-se de uma gama de pequenos carros telecomandados coleccionáveis (que custam perto de 10 cada) criados pela Takara, e que nos States têm como nome Penny Racers. A Takara edita igualmente vários jogos relacionados, incluindo este que estamos a tratar, que tem como nome original Choro HQ 2.
O enredo principal é bastante simples: O presidente do pais dos Choro-Q está aborrecido, e vai dar o cargo a quem quer que o consiga vencer numa corrida. Para teres direito a competir contra ele, tens de ganhar várias licenças/cartas.
Bem, dentro da parca e incorrecta embalagem, o jogo trata-se de uma mistura de géneros interessante. O jogo é situado numa ilha, a qual pode ser explorada a nosso bel prazer. Encontramos outros carros, dentro das casas e ao longo da estrada, que nos pedem fazer tarefas simples (normalmente encontrar coisas), dar informação variada, ou pedir para se tornar membro da nossa equipa. Mais para a frente, é-nos dada a oportunidade de construir uma cidade (chamada My City), falando com carros para irem viver para lá. A acrescentar a essas actividades, há 20 mini jogos opcionais pela ilha e várias moedas espalhadas pela ilha, que depois de recolhidas, podem ser trocadas por itens raros. Finalmente, podemos comprar melhoramentos para o nosso carro e os da equipa. E já falei nos e-mails? E nas 100 lojas de fotografia espalhadas pelo mundo? Digamos que há uma boa quantidade de coisas para fazer se estiver disposto a gastar algum tempo no jogo. Cada actividade completada ganha um selo no caderno de notas, que serve de indicador do nosso progresso.
Bem, aparte a parte de exploração, há uma quantidade generosa de pistas disponíveis, espalhadas pelas várias cidades. Para conseguir as cartas, é preciso acabar nos 6 primeiros lugares de cada pista nos escalões anteriores. Note-se que cada corrida contem 24 carros, e começamos invariavelmente em último, por isso a tarefa não é tão fácil quanto possa parecer. A física (se é que lhe possamos chamar isso) dos carros é bastante simplificada, nada de pretensões a simulador aqui, mas coisas como pneus ou um motor novo reflectem bem as diferenças de comportamento na estrada. As equipas são um pormenor curioso, que importa referir. Depois de adquiridos, os carros da equipa correm simultaneamente. Se bem que no seu estado inicial os teus companheiros sejam bastante inúteis, quanto mais os carros correm, melhor se tornam, incentivando a formar uma equipa o mais cedo possível, e a criá-los contigo. Quando eles acabam em lugares avançados, o dinheiro do prémio deles acumula com o do jogador, que pode comprar upgrades para ele e a equipa. Nesta parte, importa referir, que as actualizações são variadas o suficiente, e as alterações estéticas mais que muitas. Podemos alterar a aparência do chassis do nosso carro por entre centenas de opções, dar cores diferentes ás jantes e ao chassis, alterar o nosso dashboard. Um mundo de escolhas, portanto, e é difícil resistir a não mudar o chassis de vez em quando, ou a comprar aquele que se parece com o nosso carro favorito.
Obviamente, o jogo está longe de ser perfeito. Graficamente, não estamos a falar da última palavra, lembrando mais um jogo Dreamcast circa 2000. O mundo, que é enorme e carregado sem pausas, é por vezes despojado de nada sem ser umas poucas árvores em sprite 2D, o que se pode tornar aborrecido. Depois de chegar ás cidades, é possível de fazer warp entre elas, o que ajuda a cortar essas viagens, mas dado o elemento de exploração, continua a ser um bocado entediante. A música é provavelmente, a pior parte. Há dois rádios a escolha, uma instrumental que é um acidente do som MIDI, e uma vocal que é absolutamente HEDIONDA. Não sei onde desencantaram tais cantores, mas aquele pop pastilha elástica e a voz de karaoke espalhado por duas ou três canções lembra-nos que desligar o rádio é a melhor opção.
Em final, ao preço a que o jogo é oferecido em Portugal (14.99 Euro), este jogo oferece uma boa quantidade de desafios e uma durabilidade de fazer inveja a produtos de preço completo.
Autor:Nuno Sarmento
