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Heroes

Comecemos pelo princípio… ou melhor, pelo fim, porque esta história começa quando um grupo de heróis sui generis termina a sua jornada e com o dever cumprido. O objectivo foi alcançado e conseguiram derrotar o maior e o mais tenebroso vilão de toda a história daquela região, mas esta vitória trouxe um pequeno dissabor, um dos mais bravos heróis do grupo foi sacrificado. Agora é tempo de regressar a casa. O mundo está a salvo do mal e a missão cumprida, o que poderá correr mal a partir de agora?

No entanto, sair da imensa Floresta Tóxica não é tão fácil como parece e ainda para mais quando começamos a assistir a discussões, rancores e invejas entre os próprios heróis, que até então haviam sido ignorados em busca do objetivo comum de salvar a humanidade.

Heroes é um mangá atípico de apenas um volume assinado por Inio Asano, um dos grandes mangaka da actualidade. Atípico porque escolhe um universo de “fantasia” que não é habitual nas suas histórias. Mas, apesar de escolher um mundo de magia e de heróis lutando contra o mal, a história é real e crua. As relações internas do grupo, o que pensam dos outros, como as conversas acontecem e a linguagem que usam… tudo é muito real para ser uma história de fantasia.

Assim podemos dizer que o cerne desta história não são realmente os heróis ou as grandes batalhas, mas sim a “Grande Escuridão”, aquele inimigo abstrato que nunca parece estar completamente morto. Não é a primeira vez que o mangaka brinca com conceitos desse estilo. Já em Oyasumi Punpun falava-se de um misterioso “Ponto Negro”, outra entidade sombria e maligna que ia além do físico e alojava-se no coração das pessoas. Por isso mais uma vez o autor deixa ao leitor uma questão no ar: O que é realmente a “Grande Escuridão”?

Relativamente à arte do mangá, Heroes não escapa ao novo estilo de desenho que o Asano já tinha usado na sua obra mais emblemática Oyasumi Punpun. Em Heroes vemos uma arte caricatural, dinâmica e muito mais expressiva do que nos tinha habituado nos seus trabalhos mais “realistas”.

Mesmo assim, Asano é capaz de capturar as expressões das suas personagens, e de incluir um nível de detalhe (como por exemplo ter desenhado todas as árvores da floresta não havendo uma igual a outra) nas suas vinhetas que nos deixa perplexos, conseguindo ter fundos magníficos, carregados de detalhes graças ao uso das novas tecnologias e seu estilo tão pessoal e marcante.

A edição que li foi a espanhola da editora Norma, que é impressa em usando a técnica duotone, com os pretos e os tons avermelhados, no entanto esta obra foi originalmente criada em versão colorida.

Em resumo, quem conhece a obra de Inio Asano e gosta, este é mais um mangá que deve ser lido. Se não conhecem o autor e gostam de ler one-shot e histórias “estranhas”, então este é o título para vocês. Por isso, vão à procura deste mangá porque não se vão arrepender.

Para quem quiser ver a review em formato vídeo pode visitar o nosso canal de youtube e já agora não se esqueçam de subscrevê-lo.

Escrito por: Fernando Ferreira

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