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[Entrevista] : YUI ONODERA

Um dos nomes mais importantes da música electronica japonesa aceitou o convite do ClubOtaku para uma breve conversa. Yui Onodera Yui Onodera (b.1982) é um compositor, artista e designer de som espaço sonoro a viver actualmente na capital japonesa, Tóquio.

Mundialmente conhecido, Yui Onodera ( www.critical-path.info ) utiliza materiais provenientes de fontes diversas que vão desde gravações de campo, electrónica, e vozes, de vários instrumentos musicais, para o processo com base em dispositivos de retenção peças eletroacústicas.

1.Diz-nos algo sobre ti.
Sou um compositor, artista sonoro e designer de espaços sonoros que vive em Tóquio no Japão. Em termos de funcionalidade ambiental e das relações espaciais do som, eu utilizo materiais de várias fontes, desde gravações de campo, electrónica e vocais, até instrumentos musicais para criar peças procedurais electroacústicas restritas.

2.Quando começaste a tocar?
Aprendi a tocar guitarra no conservatório. Mas depressa apercebi-me que queria abranger todas as componentes do trabalho musical. Comecei então a trabalhar em composição utilizando o computador e a aprender sozinho.

3.Qual é o teu método de composição. O que é que te “inspira”?
A base do trabalho das minhas composições é um computador, no qual eu processo materiais sonoros repetidamente e crio novas misturas. No sentido do processo de composição em si, este muda continuamente porque não tenho um único método que sigo. Posso utilizar qualquer som de uma gravação de campo, instrumentos físicos com que toco, a minha voz e por ai adiante. O meu instrumento pode ser qualquer tipo de som.
O meu método também inclui coisas como música, arte contemporânea, arquitectura, filosofia, literatura, cinema, epistemologia, e outras coisas mais. A minha inspiração criativa vem de muitas coisas em campos muito vastos.

4.As actividades de Onodera são baeadas no Japão. Comparando o Japão com o que se passa além-mar, encontras muitas diferenças?
Eu fico com a impressão que os estrangeiros ouvem com mais ardor que os Japoneses. No entanto, aos poucos no Japão também tem aumentado o número de ouvintes e de organizadores de eventos que ouvem e que estão interessados neste tipo de música. O sucesso de uma net label também tem alguma influência.

5.Além da música, também trabalhas com arquitectura sonora. O que se trata, exactamente?
É a criação de um espaço destinado a reproduzir som. Eu lido com vários espaços, como os estúdios de gravação, salas de ensaios, e salas de música, quer comerciais quer privadas. As limitações nos regulamentos de edifícios variam de região para região, e a qualidade ambiental de som que a utilização necessita é diferente. Para mim, é interessante que estas limitações dêem uma certa individualidade ao resultado final. Igualmente, eu aprecio este método de trabalho quando estabeleço intencionalmente limitações quando estou a produzir música.

6.Qual é o teu ponto de vista da cena musical desde que a internet conquistou as nossas vidas? Existe uma crise na industria musical?
Um ficheiro digital pode ser transmitido entre duas pessoas pela Internet. Alterou em 180 graus a maneira como trabalhamos. Em resultado disso, consigo trabalhar com artistas além-mar. A velocidade é um elemento indispensável para a criação.

7.E o que pensas das net labels e da edição própria (DIY)? Serias tentado a levar os teus trabalhos para ser publicado dessa maneira?
Eu acho que é muito saudável a preocupação que as pessoas têm os os seus estilos de música favoritos, e como criam uma comunidade manualmente e com recursos muito limitados, mas mesmo assim produzem resultados muito interessantes e da alta qualidade. Acho que é algo muito importante para o ouvinte.
No entanto, é importante preparar uma infraestrutura que permita a produção continuada de obras ao simultaneamente gerir e proteger os direitos dessa produção.

8.Costumas ouvir música de outros artistas? Diz-nos o teu favorito.
Não costumo ouvir assim tanta música. Como Tóquio está cheia de ruído, e mesmo à meia-noite ainda é terrivelmente barulhenta, quando estou sozinho eu tento ouvir o silêncio tanto quanto possível.

9.Trabalhaste e lançaste alguns álbuns com o projecto Português “The Beautifull Schizophonic”. Como é que isso aconteceu?
Quando ouvi o seu trabalho a solo ‘musicamorosa’ lançado na editora Portuguesa ‘crónica’, senti que partilhávamos o mesmo sentido de beleza. A parti dai comecei por pedir para participarem como convidados no meu projecto, e dado que ele era um antigo fã da minha musica eventualmente as as coisas confluiram para a produção de um álbum a dois. O nosso trabalho a dois foi então colectado na primeira música do nosso álbum colaborativo.

10.Por falar em Portugal, o que sabes do nosso país? Alguma vez estiveste cá?
Infelizmente, nunca estive em Portugal, mas estou bastante interessado em ir. Há tantas editoras e artistas maravilhosos em Portugal, quero definitivamente ir lá.

11.Quais serão os teus próximos projectos?
Estou a colaborar com um membro da orquestra Mariinsky da Russia, assim como um jovem artista Japonês. Vai ser um trabalho interessante que adiciona o som electrónico do computador com uma rendição em piano “improptu” e uma guitarra.

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