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Honey to Clover OST

Não será novidade que um dos parâmetros para se conseguir uma boa série é a música e Yuzo Hayashi certamente que o sabia quando compôs a banda sonora de Honey to Clover. Aliando o desafio de conjugar uma sonoridade que apelasse tanto aos momentos mais humorísticos como os mais dramáticos, surge todo um conjunto de trinta e duas faixas que compõem a OST do anime.

O melhor adjectivo que talvez se poderá atribuir a esta OST é apenas um: original. Sendo Honey to Clover uma série direccionada tanto para o humor como para a reflexão emocional, existem intervalos entre melodias rítmicas e melancólicas. E assim sai, de facto, justificada a escolha de Dramatic da artista YUKI como opening da série: irreverente, alegre, é uma porta aberta para tudo o que o anime tem para nos oferecer.

Ao longo da OST deparamo-nos com faixas surpreendentemente originais, marcadas pela elegância da sobriedade rítmica, de sons que conjugam tanto um espírito alegre como um certo charme dos momentos hilariantes. As primeiras faixas presenteiam-nos com essas mesmas misturas, em que as associamos rapidamente a todas as personagens e também a cada uma delas, individualmente. Até o órgão quase terrorífico nos fará lembrar de Morita, de Yamada, de Mayama, de Hagu e Takemoto e nos fará rir! Lentamente entramos num domínio mais calmo, quase nostálgico. O piano e o violino juntam-se para criar um ambiente propício a revelações, a guitarra insurge-se para nos relembrar os momentos marcantes, as peripécias amorosas das personagens. Contudo, no decorrer do álbum, há muitas lufadas de ar fresco tanto para os amantes de música mais rítmica como para aqueles que apreciam sons mais calmos e até para quem opta pelo equilíbrio e prefere a conjugação das duas.

Mas um aspecto que torna esta OST absolutamente original é a variedade, e aqui torna-se coerente a utilização deste facto como uma justificação para os produtores terem usado a música para cativar os espectadores logo nos primeiros episódios. Há uma quantidade considerável de episódios (nomeadamente os primeiros) em que são introduzidas novas músicas, cada uma diferente e, no entanto, sempre dos mesmos artistas. É de sublinhar também as escolhas dos artistas, em que Suga Shikao e Spitz são uma constante, brindando-nos com músicas incrivelmente belas e espantosamente bem escolhidas, como são Hachimitsu (Spitz) e Tsuki to Knife (Suga Shikao). Porém, e na minha opinião, a melhor música de toda a OST pertence a Suneohair com Waltz que nos presenteia com uma melodia belíssima, encerrando esta compilação em grande.

Não encontrarão ao longo deste álbum uma música genérica, uma sonoridade sempre igual que muitas vezes se tornou uma característica de tantas OST.
Tanto os instrumentais são diferentes, os próprios estilos, pois existe de tudo um pouco, como há uma alternância entre sons J-Pop e J-Rock. A música não capta somente todos os momentos da série: ela ultrapassa-os, ultrapassa as personagens e caminha juntamente com o espectador. Faz-nos recordar a nossa própria vida, os nossos próprios problemas, dilemas. Muito provavelmente ela criará um ambiente propício para surgir o pensamento de quão parecida é a nossa situação com o momento ou da personagem em questão. Certas músicas serão mesmo capazes de nos fazer enveredar por caminhos tão nostálgicos que já julgávamos perdidos.

O objectivo de qualquer grande compositor é que as suas músicas apareçam quase instintivamente aliadas àqueles momentos que mais nos marcaram ao longo de uma série e aos sentimentos que ela põe em causa. E Yuzo Hayashi conseguiu-o com inúmeros temas. Arrepiei-me ao ouvir Yotsuba no Clover, sorri ao ouvir Kaze no Toori Michi. E cada um deles aparece aliado a uma certa cena que, com certeza, tornar-se-á inesquecível mal essa música soar nos ouvidos de qualquer um. E se, por fim, me atrever a fazer uma crítica geral desta OST, é que é magnífica. Há inúmeras músicas que nos fazem sorrir e pensar, a olhar pela janela e que nos podem acompanhar o dia todo. Por outro lado, também há aquelas que nos farão rir, que nos farão chorar num dia provavelmente menos bom. Como Honey to Clover fará. Como a vida fará.

Autor:Margarida Fernandes

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