Para quem ainda não sabe, “Sen to Chihiro no Kamikakushi” é a última produção de Hayao Miyazaki (Estúdios Ghibli) e segundo consta será mesmo a última longa metragem do mestre.
A história conta as aventuras de um jovem de nome Chihiro que inicia uma longa viagem em busca dos seus pais que foram misteriosamente transformados em porcos, e ela pretende que eles voltem a ter uma aparência humana.

A banda sonora (OST) deste filme tem uma particularidade que a torna tão boa como o filme onde ela é utilizada. Podemos chamar a esta OST, um “album de imagem”, isto porque as músicas e as canções foram compostas ainda antes de a obra cinematográfica ter sido realizada. O compositor seguiu apenas o “storyboard” para encontrar a inspiração e criar alguns sons que seriam utilizados na versão final do filme.
O compositor Joe Hisaishi, sem dúvida um dos compositores mais importantes japoneses e o preferido de Miyazaki, por isso ter feito grande parte das OST dos Estúdios Ghibli, apresenta-nos esta banda sonora com sonoridades diferentes das anteriores, o que torna este álbum único.
Bastante menos épico que a banda sonora anterior “Mononoke Hime” (A princesa Mononoke), as composições de “Sen to Chichiro…” leva-nos a universos calmos e pacíficos, longe de toda a violência registada na OST de Mononoke. A utilização abundante do piano e voz para acompanhar certos temas musicais reforçam a ideia de calmia assim como de uma doçura extrema.
Algumas músicas fazem-nos lembrar o trabalho de Danny Elfman (compositor de Tim Burton), que escreve claramente as suas obras numa perspectiva do fantástico e de uma visão do sobrenatural, um tema que nas obras de Miyazaki encaixa muito bem.
Ao longo dos 53 minutos que tem a duração deste álbum reparamos que não existe um fio condutor entre os temas, apesar das músicas puramente instrumentais e as canções estarem com uma boa harmonia musical e rítmica, mas sente-se por exemplo a falta de um sintetizador.
Em resumo, estes 10 temas que compoem esta banda sonora não é uma obra-prima por excelência como alguns trabalhos anteriores de Hisaishi, mas vale a pena conhecer e ter para os fanáticos das produções “Ghiblianas”.
Autor: Fernando Ferreira
